Frota Brisa estabilizada. E agora?

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frota-brisaCom a frota já estabilizada desde há alguns anos, a Brisa tem estado envolvida com outras ações que venham a otimizar a gestão do número de veículos da frota.

Uma das apostas que tem estado a fazer nos últimos tempos, tem sido na aquisição de viaturas de propulsões alternativas.

Recentemente, entraram ao serviço oito Volkswagen e-up! para serviço nos Centros Operacionais da empresa.

Ao mesmo tempo, e para que a capacidade de resposta esteja o mais possível do lado da empresa, a Brisa vai ainda colocar mais 16 postos de carregamento.

Estes são apenas mais uns dos modelos que a Brisa tem trazido para a sua frota.

A aposta vem desde 2005 e conta agora com 10 elétricos e seis híbridos. E é para continuar, embora de acordo com as limitações de mercado e também tecnológicas que houverem.

O gestor de frota da Brisa orgulha-se de ter vindo a introduzir este tipo de viaturas, mantendo os critérios iguais aos que são utilizados para outras.

“Em termos de pegada ecológica”, diz Luís Prazeres, “este tipo de viaturas justifica-se.

No TCO estão no limite, mas há modelos que já estão a par com outros semelhantes a combustão”. Dado que a autonomia é um tema importante para as viaturas da Brisa, e que a circulação é feita maioritariamente em auto-estrada, a empresa tem vindo também a apostar na sua própria rede de carregadores.

Esses equipamentos estão colocados nos centros operacionais e no campus Brisa (na A5), onde está também o departamento de gestão de frota da empresa.

“É uma forma de contornar a limitação de autonomia que estas viaturas têm”, diz Luís Prazeres.

E esta questão é tão importante, que têm como objetivo proporcionar um carregador na morada do colaborador que venha a ter uma viatura híbrida plug-in ou elétrica.

Tentamos ver que modelos compensam mais em termos de rendas contra os valores dos seus consumos. E isto só se consegue através de muito histórico

Os consumos

Os consumos de combustível são uma questão sempre presente na gestão da frota da Brisa. Mesmo na aquisição, este é um parâmetro que está sempre considerado.

“Tentamos ver que modelos compensam mais em termos de rendas contra os valores dos seus consumos.

E isto só se consegue através de muito histórico”, diz Luís Prazeres, que conta já com uma vasta experiência à frente deste departamento.

Mesmo assim, a contabilidade dos consumos na frota da Brisa não é linear.

Muitas das viaturas operacionais têm que estar paradas em serviço, com o motor ligado. São aquelas que, por exemplo, dão assistência nas auto-estradas da empresa. Isso causa desvios nas leituras dos consumos destes carros.

Soluções que foram encontradas passam por melhorar a aerodinâmica das próprias luzes das viaturas e pela utilização de segundas baterias para os sistemas de sinalização e emergência que permitam que o carro esteja desligado.

Em todo o caso, os consumos são um critério de tal modo importante que os reports destes valores são apurados até à centésima de litro.

Outros custos são considerados como critérios para a aquisição de viaturas.

Os plafonds para as viaturas, como acontece noutras empresas, têm vindo a diminuir. E o principal critério é agora os escalões de tributação autónoma.

“Essa tem sido a nossa matriz, embora seja um fator que é sempre uma incógnita”, conta, referindo-se às alterações de fiscalidade que ocorrem conforme os governos.

As rendas também influenciam a decisão de compra.

Mas é sempre o preço do carro que é mais valorizado. Mais ainda, quando as marcas têm estado agressivas na sua política de descontos, permitindo assim opções que de outra forma não surgiriam. Não é só na aquisição que se conseguem poupanças de combustível.

A Brisa tem levado a cabo o seu projeto da Academia de Condução, fazendo formações comportamentais para os seus colaboradores.

Os resultados conseguidos até agora indicam uma poupança de 13%, mas Luís Prazeres diz que o mais importante será o passo seguinte, de controle destes desvios.

“Agora, já devidamente formados, os condutores têm obrigação de cumprir com as metas de consumos que são indicadas”, diz Luís Prazeres.

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Responsabilização dos condutores

Além do controle destes desvios, a Brisa está em vias de implementar um sistema em que é o próprio condutor que leva a viatura à pré-inspeção e e se responsabiliza pela tomada de medidas quanto a isso.

“Queremos fazer com que o utilizador tome consciência de que há um valor para o desgaste do carro que é efetuado”, diz.

A partir de um determinado valor máximo de responsabilização da empresa no desgaste do carro não aceite pela gestora, será este mesmo colaborador a suportar a diferença cobrada.

Este valor de referência é calculado a partir das avaliações do mercado e também de algum benchmarketing que a Brisa tem feito.

“Temos um perfil um pouco diferente das outras empresas, sobretudo na quilometragem percorrida, que é um pouco fora do vulgar. Há um desgaste e uma exposição ao risco também maior que têm que ser considerados nesta ação”, diz.

A maior parte das viaturas da Brisa são em renting (ver caixa “BI da frota”).

Esta é a solução preferida na Brisa, com contratos que incluem todos os serviços tradicionais deste produto, excepto seguros.

Apenas as viaturas operacionais e da Brigada de Trânsito da GNR são em aquisição direta, com contratos de serviços – nestas, a questão anterior dos recondicionamentos não se coloca. As várias características e equipamentos próprios fizeram com que se passasse para outra opção.

“Não há produtos atrativos no renting face à quilometragem que estas viaturas fazem e à sua construção”, diz Luís Prazeres.

“São carros com preparações muito complexas e que não são viáveis nesse modelo de financiamento”.

Ainda assim, a opinião de Luís Prazeres sobre o trabalho das locadoras é positivo. “As gestoras estão agora muito vocacionados para a mobilidade, com serviços de car-pooling e inovações tecnológicas à base de aplicações móveis que nos dão mais dinâmica de trabalho.

De resto, continuam no mesmo registo operacional, mas com evolução no serviço”.

Mesmo os recondicionamentos são um problema que tem vindo a ser ultrapassado. Mas nem por isso deixa de ser um problema. “A questão dos recondicionamentos não é pacífica para nós nem para ninguém”, diz.

Para ultrapassar, a Brisa faz pré-inspeções em todas as suas viaturas e tem contratos com uma rede de oficinas onde estão definidos valores fixos de recondicionamento por tipologia de viatura.

Por outro lado, os contratos de renting mais recentes têm também seguros de recondicionamento.

“É isso que nos vai permitir alavancar as situações da responsabilização dos condutores.

Eles serão informados três meses antes e serão eles próprios a fazer a pré-inspeção. Toda a confrontação de danos que possa ocorrer é assim feita com o inspetor e não com a empresa, que era algo que não fazia sentido”.

Para isso, mas ainda sem confirmação, a Brisa está a pensar construir um pavilhão de apoio para a entrega da frota, preparação das viaturas, pequenas reparações e as recolhas no final do contrato.

O objetivo é concentrar ao máximo os processos para que se tornem mais eficientes.

Esta é apenas mais uma medida da Brisa para otimizar a gestão da frota.

Para o futuro, vai continuar com a participação no plano de racionalização de consumo de energia e refinar os sistemas de gestão de frota.

B.I. da Frota

  • 640 viaturas
  • 370 LP
  • 253 comerciais ligeiros
  • 146 de função (VUP)
  • 494 operacionais (VOP)
  • renting (424) e aquisição directa com contratos de manutenção (155)
  • Seguros danos próprios
  • Quilometragem média: 54 mil km/viatura
  • Propulsões alternativas: 15 elétricos e nove híbridos
  • Responsabilização de condutores: em curso
  • Compras: a partir dos escalões de tributação autónoma