Frotas e fiscalidade estão a animar o mercado

A menos que aconteça alguma convulsão capaz de produzir reflexos sobre a economia, a venda de carros novos em Portugal vai manter-se dinâmica até julho/agosto e os números de maio confirmam isso mesmo.

A renovação de frotas está a animar o mercado e a estimular o comércio automóvel, mas os particulares também estão a comprar, cada vez mais aliciados pelas novas formas de financiamento, além do crédito tradicional.

Em maio de 2017 venderam-se 26.770 unidades ligeiras, mais 13,7% que as 23.550 comercializadas no mesmo mês de 2016.

E, enquanto as previsões do inicio do ano apontavam para taxas de crescimentos mais modestas – 2, 3% -, até maio, o mercado português está a responder com uma subida de 8%, tendo já ultrapassado as 100 mil unidades matriculadas: 117.259 veículos ligeiros, face aos 108.617 vendidos nos primeiros 5 meses de 2016.

Na linha mais otimista referida no último estudo do Observador Cetelem, que apontava Portugal como um dos países europeus com maior potencial de crescimento. De acordo com essa análise, o mercado automóvel poderá crescer 6,4% em 2017, embora, à data da publicação dos resultados, o Observador Cetelem tivesse estimado um número de viaturas inferior ao que efetivamente fecharam as contas do ano passado.

Razões para o crescimento do mercado

Há razões para acreditar que os próximos dois anos venham a ser de crescimento das vendas de carros novos em Portugal.

A menos que surja qualquer percalço económico europeu que afete a confiança dos portugueses ou alguma alteração fiscal capaz de contraria esta tendência.

Condições económicas mais favoráveis, taxas de juro atrativas e maior disponibilidade de crédito, além do aumento do poder de compra das famílias até por via da redução do desemprego, deverão continuar a aliciar muitos particulares para a compra de carro novo.

Algumas destas razões servem também às empresas.

E um otimismo assente nos sinais de crescimento da economia, conjuntamente com a necessidade de renovar frotas adquiridas em 2014/2015, anos em que começaram a fazer-se sentir os primeiros indícios de retoma em Portugal, está a gerar a necessidade de substituição do parque automóvel das empresas ao longo dos próximos 2/3 anos.

E os usados?

À espera desses carros está o mercado de usados.

É que as alterações fiscais que passaram a vigorar em 2017, que penalizam bastante os veículos com taxas mais elevadas de CO2, vieram tornar menos competitivo o negócio de importação de viaturas usadas. E perante uma expectável subida do valor residual de viaturas com 3 ou 4 anos, no imediato, as próprias gestoras podem vir a estimular as empresas a renovar as respetivas frotas.

Mas essa pressão pela procura de usados pode não demorar muito mais tempo. É que outro grande animador do mercado de usados, as empresas de rent-a-car, responsáveis pela matricula de 1 em cada 5 carros em Portugal, vai fazer aumentar a devolução dos carros ao mercado de ocasião.

E já se sabe: o aumento da oferta pressiona para baixo o preço de carros usados, que não podem ser anunciados com rendas mensais atraentes de poucas centenas de euros com tudo incluído.

E há ainda um outro factor que está a preocupar os comerciantes de carros “em segunda mão”: há marcas a anteciparem mais matriculas, porque em setembro vai entrar em vigor um novo regime de aferição de consumos e emissões para efeitos de homologação.

E ainda não se sabe ao certo de que forma pode vir a afetar o preço das viaturas novas, enquanto os stocks estão a aumentar.

Tendências para este ano

Já no que toca à tipologia de modelos desejados pelos portugueses, deveremos continuar a assistir à tendência manifestada em 2016: mais carros com motorização a gasolina (reduzindo-se a diferença para o gasóleo), mais aquisições de modelos híbridos ou 100% elétricas e, principalmente no que toca à forma da carroçaria, preferência para versões Crossover e SUV.

Por parte das empresas, ao longo dos próximos anos deverá começar a assistir-se também à redução do peso do gasóleo. Algumas organizações já estão mesmo a negociar alternativas, preparando a troca para soluções elétricas e híbridas plug-in, de forma a poderem aproveitar os benefícios fiscais que vigoram em 2017.

Vendas anuais acima das 250 mil unidades permitiriam não só alguma renovação do parque automóvel, como fariam Portugal ficar mais próximo da média de vendas de 498 viaturas, por 1000 habitantes, da União Europeia.

Rácio que no nosso país foi de 428 unidades em 2016.

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