Análise à frota da Câmara Municipal de Oeiras

“O AOV permite-nos ganhar capacidade de resposta para intervencionar equipamento de uso mais intensivo, como o que é destinado à recolha de Resíduos Sólidos e Limpeza Urbana”

Com mais de três centenas de viaturas a frota municipal de Oeiras é bastante diversificada.

Responsável pelo controlo e bom funcionamento, Pedro Filipe Nunes, Chefe da Divisão de Viaturas e Máquinas foi entrevistado para a edição de junho de 2017 da FLEET MAGAZINE.

Enquanto gestor da frota do Município, as suas prioridades e maiores desafios são manter a operacionalidade das viaturas e conseguir uma gestão racional dos recursos que a Câmara tem disponíveis.

A solução para o conseguir passa por reduzir a idade média da frota e racionalizar o seu uso, de forma a conseguir diminuir os custos de manutenção, combustível e os demais associados.

Isso vai permitir-lhe também libertar recursos humanos até agora ocupados com manutenções corretivas.

“Trabalhamos todos os dias com esta problemática. Sabemos que temos uma idade média da frota elevada, principalmente de viaturas pesadas, e só alterando essa realidade será possível atingir taxas de operacionalidade próximas de 100%.

Esse é o nosso grande objetivo e estamos a caminhar nesse sentido.

Em 2015 adquirimos 8 novas viaturas pesadas de recolha de Resíduos Sólidos Urbanos, durante 2016 procedemos ao abate de 10 viaturas pesadas e 12 viaturas ligeiras e procedemos à renovação da frota em locação AOV”.

Essa renovação passou pela troca de 122 viaturas por 116 novas.

Um contrato de locação efetuado de acordo com a Lei dos Contratos Públicos, ganho pela FINLOG, fazendo desta locadora a principal parceira de renting e alterando a preponderância do anterior fornecedor maioritário, a LeasePlan.

O que incluem os novos contratos de AOV?

Contemplam manutenção, seguro de danos próprios com franquia zero, viatura de substituição e pneus ilimitados. Por questões estratégicas, até agora não foi equacionado assumir internamente qualquer desses serviços, uma vez que a frota é muito numerosa e diversificada.

Acresce algumas viaturas terem um grau de criticidade elevado.

É o caso das viaturas de recolha de Resíduos Sólidos e Limpeza Urbana que, apesar de serem só 10% da frota, são a causa de cerca de 80% dos pedidos de intervenção que realizamos nas nossas instalações oficinais.

O AOV permite-nos ganhar capacidade de resposta para intervencionar este tipo de equipamento de uso intensivo, que circula cerca de 20 horas por dia, bem como as demais viaturas que são propriedade da Câmara.

Como é elaborado o caderno de encargos dos concursos ?

Tentamos sempre homogeneizar a frota, de modo a simplificar a relação com os fornecedores e agilizar processos, uma vez que, algumas vezes, as locadoras têm que se ajustar aos nossos processos internos de controlo das viaturas.

Temos igualmente em conta questões ambientais.

Dentro das tipologias de viaturas a contratar, procuramos as menos poluentes e energeticamente mais sustentáveis.

Reflexo disso é a poupança de combustível que obtivemos com a renovação das viaturas; num ano, conseguimos diminuir em cerca de 10% os custos de combustíveis fósseis.

É certo que a redução não se deveu em exclusivo à renovação da frota de viaturas em regime de AOV, uma vez que grande parte destes custos resulta do consumo de combustível das viaturas pesadas.

De qualquer modo, dado o número de viaturas ligeiras na frota, estas têm um peso muito relevante no que respeita ao consumo.

Temos também sempre em conta as nossas necessidades, procurando viaturas que mais se adequam ao tipo de trabalho que realizamos, ao tipo de geografia do concelho e, muito importante, também ao tipo de utilizador.

Na renovação da frota de viaturas em locação AOV, considerámos ser melhor estratégia incluir o número total de viaturas num só contrato.

Só assim conseguimos, dado o volume de viaturas em causa, baixar os custos com as rendas face aos anteriores contratos, isto para viaturas da mesma tipologia.

O processo de contratação foi através de um concurso público, promovendo assim um processo mais transparente e totalmente aberto à concorrência.

Daí o facto de se ter conseguido bons resultados, tanto nos valores de rendas como nas condições contratuais.

Uma vez que a redução de custos é essencial, presumo que dediquem bastante importância ao TCO dos carros…

É o fator com maior importância nas aquisições.

A renda, só por si, pode não ser o mais relevante para a escolha do equipamento.

Temos que perceber quais os custos inerentes a todo o contrato, qual o retorno que trará à atividade, quais os custos de operação, qual o valor residual no final do contrato…

Quando elaboramos um caderno de encargos, quando definimos as especificações técnicas das viaturas, levamos em conta todos estes aspetos.

Por vezes, é mais fácil olhar apenas para a renda. Mas temos de ter tudo em consideração durante a vigência do contrato.

Referiu a preocupação como os consumos e as poupanças alcançadas. Com recurso a sistemas de telemática?

Nas viaturas mais recentes de recolha de Resíduos Sólidos Urbanos instalámos sistema de telemetria, com o intuito de obter uma monotorização constante, quer do comportamento da viatura, quer do comportamento do motorista.

Deste modo, podemos antecipar eventuais avarias e ajustar a viatura para melhorar a rendibilidade do serviço.

É efetuada também uma manutenção preventiva mais cuidada a toda a frota, o que permite reduzir os tempos de paragem das mesmas.

Ainda não detemos sistemas de geolocalização, mas pretendemos instalá-los, tão breve quanto possível, nas viaturas da Pool e em algumas viaturas ligeiras de mercadorias.

Estamos dependentes apenas do parecer positivo da Comissão Nacional de Proteção de Dados.

O objetivo é racionalizar meios, aproximar os equipamentos às necessidades e, a médio prazo, se possível, reduzir o número de viaturas na frota, conseguindo prestar o mesmo ou um serviço melhor a um custo mais baixo.

E como lidam com os recondicionamentos?

Com a experiência adquirida de quase 10 anos com contratos AOV, percebemos que era importante ter um controlo apertado sobre o estado das viaturas.

Assim, durante a vigência do anterior contrato, adotámos como medida a elaboração de uma ‘ckecklist’ para cada viatura, sempre que estas eram chamadas para manutenção ou quando tinham sinistros.

Atualmente e de forma a controlar ainda mais o estado das viaturas, sempre que é abastecida ou lavada, acrescentámos uma vistoria rápida para verificar danos e controlar quilómetros, para evitar quilometragens além das contratadas.

Sempre que uma viatura está com valores acima do previsto, trocamo-la por outra da frota que esteja afeta a outro serviço e que tenha quilómetros a menos.

É a forma de nos assegurarmos que os valores mantêm-se dentro dos contratualizados.

Fala-se muito em mobilidade elétrica e do papel importante que o poder central e as autarquias podem dar à expansão desta solução. Como é no município de Oeiras?

A Câmara Municipal de Oeiras adquiriu o primeiro equipamento 100% elétrico no final de 2016: um triciclo para ajudar a limpeza do passeio marítimo.

Mas em 2017 vão ser adquiridos mais oito veículos 100% elétricos, destinados aos serviços urbanos do ambiente, que vão contribuir decisivamente para um melhor desempenho das funções e competências nas áreas de limpeza urbana e da gestão e manutenção de espaços verdes.

A aquisição dos referidos veículos terá um investimento de 260 mil euros (mais IVA) e resultou de uma candidatura ao Fundo Ambiental.

O Município de Oeiras ficou entre os cinco primeiros candidatos com maior montante de financiamento atribuído: 50%.

É uma viragem de estratégia e o início de uma aposta nos veículos “amigos do ambiente”.

O carregamento destes novos equipamentos é realizado nas novas oficinas Municipais, já devidamente equipadas com postos de abastecimento elétricos de última geração.

Estas oficinas mostram a aposta que o Município está a fazer não só na qualidade, higiene e segurança dos trabalhadores, mas também para uma gestão mais eficaz e eficiente da sua frota automóvel.

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