PSA/Opel: casamento oficializa relação de anos que até já tem frutos

O grupo PSA (Peugeot, Citroen e DS) e a divisão europeia da GM (Opel e Vauxhall) formalizaram a relação, depois da aprovação das autoridades europeias para a concorrência.

A união resulta, em termos de capacidade de produção e número de viaturas vendidas, no segundo maior grupo construtor europeu, a alguma distância da Volkswagen.

A valores de junho de 2017, o casamento das 5 marcas valia 1.353.397 unidades, mesmo assim a mais de meio milhão de viaturas (1.911.302) do gigante alemão.

Dificilmente o conjunto destas marcas conseguirá destronar o grupo Volkswagen do lugar mais alto do pódio, apesar da sagacidade e persistência reconhecidas ao dirigente do grupo francês, o português Carlos Tavares.

Mas a união de esforços vai permitir à PSA afirmar-se e destacar-se como o maior fabricante francês de automóveis (Carlos Tavares chegou a ser o número 2 da Aliança Renault/Nissan), além da realização de sinergias importantes tanto no fabrico como no desenvolvimento de produtos.

Contudo, a relação entre os conjugues não é recente e inclusive já deu frutos: o Opel Crossland X e Opel Grandland X, com tecnologia e processos de fabrico partilhados com modelos equivalentes da Citroen e da Peugeot.

O que esperar? “Push to Pass”

No conjunto, as 5 marcas valem atualmente cerca de 16,5% de quota de mercado na Europa.

Apesar da relação europeia, não é de colocar de lado vantagens para outros mercados, nomeadamente América do Sul ou África, onde podem vir a ser comercializadas gerações anteriores de cada um dos construtores.

De qualquer modo, vão manter-se os acordos de fornecimento para alguns modelos da GM, das marcas Buick e Holden.

Valendo quase um quinto do mercado e penetração significativa em 3 dos 5 maiores mercados europeus com marcas nativas (além de França, a Vauxhall no Reino Unido e a Opel na Alemanha), o grupo PSA alarga significativamente as possibilidades de vendas às multinacionais que privilegiam marcas dos países da origem da sede.

Por isso vão ser mantidas as identidades distintivas de cada uma das marcas e a sua ligação aos mercados onde nasceram.

Numa Europa unida mas com sentimentos identitários fortes, esta intenção assume redobrada importância.

Com cada uma das marcas ligada ao seu país de origem, é também permitida a expansão de outras iniciativas incluídas na estratégia de investimento e desenvolvimento “Push to Pass”, revelado por Carlos Tavares no início de 2016.

Nomeadamente no plano da mobilidade, com sistemas inovadores de partilha de automóvel e de acesso a serviços financeiros facilitadores da aquisição automóvel.

Por isso, o negócio envolveu a aquisição das operações europeias da GM Financial, que está sujeito ainda à aprovação das entidades regulatórias e cujo desfecho se prevê aconteça na segunda metade de 2017.

Recorde-se que a aquisição da atividade financeira é feita em partes iguais entre a PSA Finance e o banco BNP Paribas, que detém a Arval, outro agente na área da mobilidade e na oferta de soluções para empresas.

Do ponto de vista do negócio, o aumento do volume de compras vai resultar em pressão sobre os fornecedores, para obter reduções do custo da matéria prima e componentes, e, desta forma, aumentar a margem do negócio e permitir oferecer mais por menos custo.

A mesma lógica de sinergias pode ser aplicada aos custos de desenvolvimento e produção, com a partilha de plataformas, motores, equipas e instalações.

Sinergias essas que já foram calculadas em cerca de 1,7 mil milhões de euros/ano até 2026.

A integração da Opel no portofólio de marcas do grupo PSA traz ainda um benefício acrescido: um salto importante no desenvolvimento de tecnologia elétrica, campo em que a engenharia da Opel, em Rüsselsheim, está bastante mais desenvolvida do que a PSA.

Poderá ainda vir a permitir à PSA o acesso de tecnologia que resulta de acordos anteriores da Opel com a Honda.