O trabalho que está a ser feito em Portugal pela Mobi.E no sentido de implementar a mobilidade elétrica e liberalizar o mercado de carregamento elétrico está a ser mais lento do que o inicialmente apontado, porque se desejam encontrar soluções fiáveis, práticas e definitivas que realmente funcionem.

Um trabalho da Mobi.E e do atual governo, que é continuamente elogiado por entidades internacionais, disse convicto José Mendes, secretário de Estado Adjunto e do Ambiente no encerramento da Conferência “Rumo às Zero Emissões em 2030”, promovida pela LeasePlan.

Este membro do governo lembrou o esforço acrescido de recuperação de uma estrutura e de uma rede de carregadores que esteve praticamente abandonada durante 2 anos.

José Mendes explicou ainda que a difusão da rede elétrica e o trabalho de apoio à expansão da mobilidade elétrica tem de acompanhar o aumento da procura mas, simultaneamente, estimular novos consumidores.

Um desafio necessário porque as necessidades de mobilidade de pessoas e bens vão aumentar, tal como as pressões ambientais para a redução de emissões, realçou o membro do executivo.

Para isso, são necessárias políticas de incentivos atraentes mas devidamente ponderadas.

O interesse e exemplo das entidades públicas é também fundamental para essa expansão e responsável pela expressão que a mobilidade elétrica tem atualmente em Portugal e na generalidade dos países europeus, lembrou José Mendes, destacando o aumento da frota elétrica no parque do Estado e das autarquias.

Incentivos são fundamentais. Por enquanto…

OPINIÃO: eletrificação das frotas

À partida, o preço de um carro elétrico e a desconfiança dos consumidores em relação à sua autonomia contribuem para esta solução menos atraente e competitiva face a uma equivalente com motor a gasóleo.

A situação agrava-se no financiamento renting, onde o valor residual ainda baixo destes carros, penaliza o valor das rendas.

Nem as despesas de manutenção mais reduzidas ou o custo mais baixo da eletricidade face ao gasóleo atraem os consumidores, sobretudo empresas.

Para equilibrar as contas aos custos de utilização entre um elétrico e um carro com motor térmico, o apoio dado pelo Estado, traduzido num desconto à compra (incentivo) ou outros benefícios em sede de IVA e IRC, sobretudo no caso da Tributação Autónoma, é, por isso, fundamental.

Assim, o retorno deste tipo de incentivos foi essencial para a retoma do interesse pela mobilidade elétrica nos últimos dois anos, devendo manter-se enquanto for necessário estimular a competitividade dos carros híbridos e elétricos, frisou José Mendes.

O que já há e o que pode e deve ainda ser feito

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A Conferência “Rumo às Zero Emissões em 2030” serviu, naturalmente, para mostrar o trabalho que a LeasePlan tem feito e propõe-se fazer no sentido de apoiar cada vez mais as empresas que desejem transitar para uma política de frota mais verde.

Tudo no compromisso assumido no âmbito do plano EV100, onde a gestora se propôs também a dar o exemplo com a substituição da sua frota própria para viaturas 100% elétricas até 2030.

O mesmo tipo de compromisso assumido pelo Município do Porto que, após um extenso trabalho de consultadoria, identificou a possibilidade de substituir 90% da frota do Município por veículos elétricos.

Nesse sentido, a Câmara do Porto vai efetuar aquela que deverá ser a maior ou uma das maiores transições de frota para carros elétricos e eletrificados, em 2018, elevando a fasquia para 215 modelos elétricos e 69 híbridos plug-in.

Cerca de 70% da frota da CMP.

As razões e o trabalho desenvolvido para essa transição foram apresentadas por Nélson Pinto, diretor do Departamento Municipal do Ambiente do Município do Porto e complementam os dados publicados nesta reportagem da Fleet Magazine.

Para que mais empresas e entidades publicas possam desenvolver este tipo de ações é igualmente decisivo o papel de entidades como o CEiiA, que expôs na Conferência da LeasePlan o tipo de serviços com que pode apoiar a evolução para uma mobilidade mais sustentável.

Mas não basta desenvolver tecnologia ou criar serviços nesse âmbito, frisou José Rui Felizardo, CEO da CEiiA na sua intervenção. É preciso regular atempadamente novos modelos de negócio no âmbito da mobilidade elétrica para estimular o seu consumo, de forma a dispor de regulamentação que antecipe ou contemple a futura condução autónoma.

Um modelo de negócio com potencial para privados

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Na Conferência da gestora falou-se ainda dos possíveis modelos de negócio que a mobilidade elétrica pode gerar.

Modelos de negócio que assentam essencialmente em soluções de carregamento mas que podem ser complementados com outros serviços enquanto esse mesmo carregamento está a decorrer.

Algo que empresas como a Galp já está a desenvolver, não apenas na sua rede de abastecimento mas também com propostas a outros clientes privados.

Uma das ideias que Nicolle Fernandes, responsável de Inovação e Eficiência Energética da Galp fez passar é o potencial de unidades hoteleira e de restauração disporem de carregadores de viaturas elétricas para fornecerem aos seus clientes.

A liberalização do mercado de carregamento de carros elétricos pode ainda ajudar as empresas a rentabilizarem o investimento feito em postos destinados às viaturas da sua frota própria.

Manuel Fernandes, General Manager Operations and Business Development da Tritium, disse que a colocação dos carregadores das empresas em zonas com acesso a outros utilizadores, e a comercialização desse serviço, contribuiria para amortizar esse investimento.