Quer saber qual vai ser o futuro dos automóveis elétricos em Portugal? Nós não adivinhamos, mas estivemos na Noruega, país frequentemente apontado como um dos mais avançados em termos de eletrificação de viaturas, e podemos avançar alguns factos e tendências.

Quando um dos maiores desafios com que se depara o mercado são as filas de espera nos postos de carregamento, que são perto de 10 mil em comparação com os 604 existentes por cá, em que ponto é que está este mercado?

De acordo com o responsável da VWFS no país (a Fleet Magazine viajou a convite da delegação portuguesa), a Noruega já está na fase de massificação. E com massificação pretende-se dizer que a quota de mercado nas vendas foi de 52,5% em 2017.

Portugal estará no ponto em que a Noruega estava em 2011, disse o responsável pela VWFS no país, que acompanhou este processo desde que começou a verdadeira revolução nas compras de viaturas elétricas. O país percebeu cedo que só o conseguiria fazer através de um sistema de incentivos, que incluem atualmente:

  • Isenção de IUC*
  • Isenção de ISV
  • Isenção de IVA*
  • Isenção de Tributação Autónoma
  • Desconto em 50% em portagens e auto-estradas*
  • Circulação em faixas reservadas para transportes públicos*
  • Estacionamento Gratuito

(* Não existente em Portugal)

Taxação de elétricos

Claro que a Noruega ter um GDP de mais de o dobro de Portugal (70,8 contra 18,8 USD), um fundo soberano qua alcançou o ano passado um bilião de dólares ou o facto de conseguir comprar o Volkswagen eGolf mais barato do que o importador português também ajudam.

 

No entanto, o caminho que a Noruega fez foi de facilitar ao máximo a compra deste tipo de viaturas. Além dos incentivos que partilha com Portugal, acrescentou ainda outros, como a abolição de portagens, importante num país altamente limitado por estes dispositivos.

No entanto, todos os operadores acreditam que seria possível o mercado crescer mais. Houvesse mais carros (o Opel Ampera e o Kia Soul estão com lista de espera) e melhores, mais postos de carregamento nas cidades para quem não tem garagem, equipamentos de carregamento mais fiáveis e novamente as filas de espera para carregar as viaturas.

Do “range anxienty”, que parece resolvido com a rede de carregamento, a Noruega está também a entrar na “charging anxiety”, sobretudo se se pensar que é difícil, como admitiu o executivo da VWFS, estar uma hora à espera que o carro carregue com temperaturas negativas…

 

2025: 100% de elétricos

De qualquer forma, a Noruega tem como objetivo que todas as viaturas vendidas em 2025 sejam elétricas. A indústria automóvel terá que conseguir acompanhar. Entretanto, um dos primeiros passos tem a ver com a criação de um mercado para operadores de energia, agora que se percebeu que é possível fazer dinheiro com carregadores.

Da parte da VWFS, avançou com a Hyre, uma empresa destinada a redefinir a mobilidade individual e elétrica. O objetivo é entregar um serviço a quem precisa de um carro pontualmente e poder rentabilizar o seu próprio carro. Os clientes vão partilhar o seu carro com outras pessoas através de uma chave digital, com liquidação automática de portagens e consumo de combustível.

Em Portugal, o serviço não está previsto. Mas a VWFS vai lançar um projeto para a conversão das frotas dos clientes em frotas elétricas, através do apoio no processo de planeamento e instalação de pontos de carregamento nos parques de estacionamento das empresas e opção de inclusão do valor da fatura elétrica na mensalidade. Internamente, pretende converter um terço da sua frota e instalar 12 pontos de carregamento das suas instalações.

Se este e outros projetos correrem bem, estaremos daqui a sete anos com mais de 50% das vendas em viaturas eletrificadas? Tudo depende dos incentivos e da oferta da industria automóvel, mas a acreditar na taxa de crescimento da venda destas viaturas, poderá ser um cenário plausível, concordaram os responsáveis noruegueses.