Opinião: o novo mundo da Gestão de Mobilidade

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POR MIGUEL VASSALO, COUNTRY MANAGER AUTOROLA. É COLABORADOR REGULAR DA FLEET MAGAZINE

Alguns dos componentes que vão estruturar um novo ecossistema de mobilidade começam a tomar forma em Portugal.

Em 2014 a Uber chegou a Lisboa e, não obstante toda a polémica e a actual incerteza sobre o enquadramento legal das plataformas de ride-hailing, o facto é que a aceitação deste tipo de serviço tem sido esmagadora.

Em setembro passado, a Brisa, em parceria com a DriveNow, lançou a primeira solução de carsharing
com um nível de disponibilidade verdadeiramente útil a quem pretende uma alternativa para circular na cidade de Lisboa.

E por volta da mesma altura, seguindo o exemplo de outras localidades Portuguesas, começámos também a poder utilizar bicicletas partilhadas através da Gira – Bicicletas de Lisboa.

Curiosamente, ou talvez não, as primeiras duas já nos oferecem a possibilidade de selecionar em cada momento se a utilização vai ser de âmbito particular ou profssional.

Abrindo assim caminho para um novo mundo da mobilidade corporativa em Portugal.

As empresas em geral e os Gestores de Frota em particular passaram a poder contar com novas alternativas, para já em meio urbano, na gestão da mobilidade dos seus trabalhadores.

Ainda que o actual modelo de frotas automóveis e carros de serviço continue a ser predominante é expectável que modelos como o carsharing (ex. DriveNow), o ride-hailing (ex. Uber), o ride- -sharing ou carpooling (ex. BlaBlaCar ou a nossa Via Verde Boleias) e mesmo os budgets de mobilidade, comecem a impor-se como verdadeiras alternativas.

Colocando em causa a actual hegemonia do modelo de frotas e métricas consolidadas no sector como o foco na maximização da sua efciência medida pelo TCO.

Tanto mais que adicionalmente enfrentamos fortes catalisadores de mudança como as preocupações ambientais (diga-se que a alternativa eléctrica nas empresas começa já também a fazer o seu caminho) e a alterações dos comportamentos das novas gerações que começam a entrar no mercado de trabalho.

Lukas Neckermann no seu livro “Corporate Mobility Breakthrough 2020”, sobre esta temática do futuro da mobilidade em contexto corporativo, aborda o conceito de Custo Total de Mobilidade (TCM) onde o centro da análise deixa de estar unicamente no carro e no seu ciclo de vida passando para uma visão mais abrangente de padrões de deslocação dos trabalhadores, qualquer que seja o meio de transporte e implementação de novas confgurações focadas na efciência, conveniência para o utilizador e naturalmente redução de custos.

Apesar de esta realidade ser relativamente nova, em Portugal as nossas empresas mostram-se atentas e informadas. Como podemos constatar no relatório “2017 Fleet Barometer” apresentado pelo Corporate Vehicle Observatory cerca de 42% das empresas portuguesas inquiridas já usa ou pensa usar nos próximos três anos pelo menos uma das alternativas de mobilidade.

E timidamente já 12% considera poder prescindir em parte ou totalmente de toda a sua frota. Ambos os valores aliás mais ou menos em linha com a média dos países europeus analisados no estudo.

Não nos podemos esquecer, no entanto, que ainda estamos apenas a dar os primeiros passos.

Todo o potencial de um novo ecossistema de mobilidade só se concretizará efectivamente quando formos capazes de interligar todos os sistemas de transporte, incluindo autocarros, comboios, aviões, etc.. Só desta forma verdadeiramente abrangente é que a Mobilidade como um Serviço (MaaS – Mobility as a Service) se materializa.

Um simples ponto de contacto que nos ajuda a ir do ponto A ao ponto B através da melhor combinação de transporte multimodal. E do ponto de vista corporativo este agregador é fundamental para garantir a efciência de todo o processo, a redução da gestão administrativa e a redução de custos.

A título de exemplo a Moovel, plataforma de mobilidade integrada da Daimler e o sistema mobi.me da Portuguesa CEiiA já trabalham na resolução deste derradeiro desafo.

Vivemos, sem dúvida, momentos entusiasmantes na industria automóvel. E naturalmente as empresas, devido ao peso que representam, estão também no epicentro desta revolução, colocando os Gestores de Frota como um dos protagonistas.

Esta caminhada irá transformá-los em “Gestores de Mobilidade, experts em logística e gurus de dados” como perspectiva o autor Lukas Neckermann.