Dossier Gestão de Frotas 2018: desafios imediatos e a curto/médio prazo (I)

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A gestão de frota está a conhecer desafios que exigem uma resolução ou adaptação imediata, mas também a criação de medidas que permitam antecipar tendências futuras.

Tendências que podem ter origem em:

  • Alterações de hábitos de consumo ou de atitude dos consumidores;
  • Mudanças da forma/gestão de mobilidade de pessoas e mercadorias;
  • Evoluções técnicas e tecnológicas dos sistemas que obrigam a uma maior flexibilidade de integração.

Daí que a contenção da despesa com a frota pareça ser a tendência generalizada das grandes empresas europeias, devido até às ameaças constantes à rentabilidade do negócio, pressões sobre as margens de lucro, crescente concorrência e potencial deslocalização dos centros de produção.

Como isso está a ser feito?

  • Renegociação de rendas e dos custos dos serviços;
  • Redução do seu valor, em quantidade (volume da frota própria) ou em qualidade (downsizing) dos veículos;
  • Políticas de frota mais restritivas, tanto no que concerne à definição de escalões de atribuição de viaturas, como no que respeita ao âmbito da sua utilização por parte dos trabalhadores.

Desafios que se colocam para a prossecução destes objetivos:

  • A generalidade dos novos motores diesel Euro6 tem custos de utilização mais elevados devido ao preço de aquisição e aos consumos mais elevados em condições reais de utilização;
  • Têm também custos de manutenção mais elevados devido à tecnologia envolvida;
  • Há uma ameaça latente da comunidade em relação ao uso do gasóleo.

Em relação ao diesel, a tendência europeia mostra um agravamento de medidas no que toca ao uso destas mecânicas.

Isto poderá representar:

  • Risco de agravamento do preço por litro de gasóleo;
  • Imposição de taxas fiscais mais elevadas;
  • Consequente aumento dos custos de utilização por via dos dois pontos anteriores;
  • Proibição de circulação em alguns centros urbanos;
  • A desconfiança dos cidadãos consumidores pode vir a refletir-se sobre a imagem das empresas que continuem a recorrer ao gasóleo para movimentar a frota.

E o legislador (Estado) já mostrou vontade de intervir nesta matéria…

Daí que os incentivos no âmbito da fiscalidade verde estejam a motivar cada vez mais empresas (e entidades públicas) a enveredarem por veículos com propulsão alternativa.

Contudo, há outros desafios:

O RGPD, sobretudo, está a levantar diversas preocupações, porque há cada vez mais viaturas a virem de fábrica com software e ferramentas que permitem a recolha de informações sobre a condução.

Mas a obtenção e tratamento de dados de desempenho da condução são fundamentais para conseguir controlar a despesa da rúbrica automóvel.

Então, de que forma é possível conciliar esta necessidade sem violar a lei?

E, ainda assim, encontrar um equilíbrio entre as exigências dos departamentos financeiros e os direitos de privacidade dos utilizadores das viaturas?

Outro desafio imediato e continuado é a delicada tarefa de transitar do hábito enraizado do gasóleo para outros tipos de mecânica.

Ou ainda para outras formas de mobilidade.