TCO SUV compactos: Canivetes Suíços

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Parece ser ponto assente que, pelo menos em determinados segmentos, a oferta de motores a gasóleo vai deixar de existir.

Seja porque perdem toda a competitividade em termos de preço, derivado da tecnologia necessária para os manter dentro de metas de emissões cada vez mais restritivas, ou simplesmente porque os consumidores estão a encarar outras motorizações que contornem as crescentes restrições ao diesel nas cidades.

Isto explica porque em algumas gamas mais recentes deixou de ser considerada a disponibilidade de motores a gasóleo, enquanto as poucas marcas que ainda os disponibilizam nos segmentos mais baixos podem deixar de fazê-lo a partir de setembro deste ano ou em 2019.

Uma dessas tipologias de veículo em que isso está ou deve vir a acontecer são os pequenos SUV, um género de carro cuja procura na Europa se prevê venha a corresponder a 1 em cada 3 carros novos matriculados até 2021.

O aspeto jovem e dinâmico e a aparente robustez e maior volume da carroçaria devem facilitar a introdução deste tipo de SUV nas empresas, já que estas podem conseguir, por um valor mais baixo, corresponder às expetativas de escalões de atribuição de viatura mais elevados.

Além deste efeito de “downsizing” e de este tipo de carro aliar uma condução urbana bastante prática a um bom comportamento dinâmico fora das cidades, a generalidade da oferta atual já pode incluir toda a tecnologia e ajudas à condução disponíveis nos segmentos mais elevados.

Estes fatores e ainda a circunstância de se prever que a sua aceitação se mantenha, produz resultados positivos sobre os residuais; o que contribui para a obtenção de rendas atraentes, capazes de atenuarem o facto da maioria da oferta desta categoria assentar em motores a gasolina.

Para tentar perceber a sua real competitividade no uso profissional é que disponibilizamos o presente estudo aos custos de utilização de alguns modelos mais representativos da sua categoria, trabalho realizado, como é hábito, pela TIPS4Y.

SUV para todos os gostos

Na seleção dos modelos procurámos estabelecer um equilíbrio, apesar de ser uma tarefa complicada face ao número de marcas presentes, ao estilo díspar de algumas propostas e ainda das mecânicas disponíveis.

Além disso, alguns modelos resultam da partilha entre mais do que uma marca, como é o caso do grupo PSA e da Opel, com o Citroën C3 Aircross e o Opel Crossland X a dividirem a mesma linha de montagem em Espanha.

No caso da Toyota, a escolha recaiu sobre a versão híbrida, apesar de existir uma variante a gasolina 1.2 com preço mais acessível.

No entanto, o facto de ser (por enquanto) o único híbrido do seu segmento justifica a decisão, além de ser mais vendido em Portugal do que o primeiro.

O veredicto

Parte disto explica, em parte, porque não nivelámos os motores em termos de cilindrada e de potência, pese embora isso ser de todo impossível com a totalidade dos modelos aqui analisados.

Ao olhar para os residuais, constata-se desde logo a preferência pelas versões mais potentes, tecnologicamente mais evoluídas e capazes de conservarem o interesse no final do período avaliado neste estudo.

A marca tem também algum peso nessa apreciação, embora, surpreendentemente, o líder da categoria, o Renault Captur, pareça acusar o peso dos anos que tem no mercado.

No entanto, para equilibrar as contas, este é o modelo com os custos de assistência mais reduzidos, ficando ainda abaixo da média em todas as restantes categorias.

O que vai permitir-lhe atingir um custo por quilómetro bastante baixo, ao nível de carros familiares com motor a gasóleo.

Embora, no caso das empresas, as deduções fiscais permitidas pelo uso deste combustível faça ainda muita diferença.

Por outro lado, o preço mais elevado do Toyota C-HR hybrid, os custos com os pneus e com o IUC não chegam para atenuar a melhor previsão de despesa com os consumos.

Apesar de baixos, o custo por quilómetro é o mais elevado deste cabaz, e o facto de não ser plug-in não contribui para atenuar fiscalmente este esforço.

A boa surpresa vem da parte do Citroen C3 Aircross.

O preço praticado, os custos de manutenção e consumos pouco acima da média resultam no custo de utilização mais reduzido desta análise efetuada pela TIPS4Y: apenas 1,89 euros por quilómetro.

Fatores de escolha além dos custos

Com motor a gasolina ou não, já há empresas a incluírem SUV nas frotas.

Rendas atraentes e a possibilidade de satisfazerem ou mesmo premiarem o desempenho dos utilizadores servem de justificação para essa decisão.

Apesar disso, convém lembrar que o carácter mais radical de algumas propostas pode constituir um risco para os custos de assistência e para as despesas de recondicionamento.

Na atribuição deve ainda ser levada em linha de conta que a filosofia subjacente a algumas propostas com carácter mais lúdico resulta em linhas que implicam funcionalidades menores de acesso ou de habitabilidade.

O que pode vir a gerar dificuldades ou constituir mesmo uma contrariedade para quem tem de transportar crianças nos lugares traseiros, por exemplo.

Viaturas avaliadas