Opinião: A marca de Portugal no futuro da mobilidade

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POR MIGUEL VASSALO, COUNTRY MANAGER AUTOROLA. É COLABORADOR REGULAR DA FLEET MAGAZINE

Neste preciso momento alguém viaja de autocarro no Porto ligado à rede WiFi gratuita fornecida pela STCP – Sociedade de Transportes Colectivos do Porto.

E enquanto este gesto parece ser hoje em dia corriqueiro a empresa que está por detrás da tecnologia promete ter um papel relevante no futuro dos veículos autónomos.

A Veniam é uma das start-ups portuguesas mais promissoras no futuro da mobilidade.

Através de uma tecnologia inovadora constrói redes de veículos conectados que cobrem as cidades oferecendo às pessoas acesso à internet, mas simultaneamente transforma os veículos em sensores móveis que recolhem quantidades massivas de dados urbanos em tempo real. Porto, Nova Iorque e Singapura são algumas das cidades inteligentes que utilizam a tecnologia portuguesa assente no conceito da internet das coisas… neste caso móveis, tentando traduzir progressivamente estes dados em melhoria da qualidade de vida dos seus cidadãos.

Considerada pela cadeia norte-americana CNBC como uma das empresas mais disruptivas do mundo, a par de outras como a Uber, tem atraído investimento dos maiores fundos de capital de risco mundiais e conquistado a confiança de grandes construtores.

Não admira. A capacidade que a plataforma da Veniam tem de mover enormes quantidades de dados dos veículos, transferindo-os entre eles e para a nuvem é um ingrediente absolutamente necessário para a activar o futuro da mobilidade como um serviço e em última instância a operação de veículos autónomos.

A esta mesma hora alguém em Lisboa prepara-se para utilizar o serviço de partilha de scooters eléctricas da eCooltra.

A aplicação móvel recentemente galardoada e os sensores e actuadores presentes a bordo foram ambos desenvolvidos pelo CEiiA – Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto.

Com valências reconhecidas nas áreas automóvel e aeronáutica, o CEiiA tem vindo também a trabalhar na área da mobilidade, pensando-a conectada, integrada e sustentável.

Neste contexto desenvolveu a plataforma mobi.me para a gestão da mobilidade integrada servindo o modelo operacional de um alargado espectro de serviços de mobilidade numa cidade.

A sua mais valia transformadora materializa-se já em diversos casos práticos.

Em Cascais o mobi.me suporta o acesso único agregado a autocarros, comboios, bicicletas partilhadas e estacionamento.

No Brasil dá apoio a projectos de mobilidade eléctrica. E a ambição da empresa não se fica por aqui, planeando a autonomização deste negócio e a sua expansão global, contando para o efeito com o apoio da consultora Deloitte.

Enquanto lê estas linhas, alguém se prepara para continuar a viagem até ao Algarve após ter completado a carga do seu veículo eléctrico.

Num dos painéis do carregador pode ver-se o logotipo de uma marca bem conhecida.

O que talvez muitos não saibam é que a Efacec foi pioneira na área da mobilidade eléctrica e é um dos principais fabricantes mundiais de infraestrutura de carregamento de veículos eléctricos, destacando-se como líder mundial nos segmentos dos carregadores rápidos e ultra-rápidos.

Com os olhos postos no futuro, a Efacec tem investido nesta área e recentemente inaugurou a ampliação da sua unidade industrial dedicada ao fabrico de carregadores para a mobilidade eléctrica.

Foi também anunciado ter sido escolhida pela Electrify America (uma subsidiária do grupo Volkswagen) para integrar o grupo de fornecedores de equipamentos de carregamento ultra-rápido para veículos eléctricos, reforçando a sua posição no mercado global.

Hoje em dia já vamos de alguma forma tendo subtis pontos de contacto com uma anunciada revolução na área da mobilidade.

Estes são apenas alguns exemplos de empresas nacionais cujas propostas de valor têm uma vocação eminentemente global.

A revolução assenta em pilares como o da conectividade, veículos autónomos, partilha e serviços e propulsão eléctrica. Em cada um deles, a engenharia portuguesa prepara-se para desempenhar um papel relevante.