“O valor médio de recondicionamento da Leaseplan representa menos de 1% do TCO de cada viatura”

Para qualquer responsável de frota, a questão dos recondicionamentos permanece um quebra-cabeças.

Para desmistificar o assunto, 3 responsáveis comerciais de gestoras aceitaram responder diretamente a perguntas concretas, muitas delas colocadas diretamente pelos participantes da 4.ª Conferência gestão de Frotas organizada pela FLEET MAGAZINE.

“As viaturas são das gestoras e não das empresas, por isso compete-lhes devolve-las nas melhores condições”, “não existe excesso de zelo, apenas o cumprimento das normas que se encontram nos contratos de aluguer e que foram aceite pelos clientes” e “não é o valor residual da viatura que é afetado pelos danos, é o seu valor de venda”, foram ideias expressas por Pedro Pessoa da Leaseplan, José Madeira Rodrigues da Arval e Joaquim Gonçalves da Finlog.

O diretor comercial da Leaseplan explicou os danos mais frequentes e que, em média, representam cerca de 30% dos incidentes estão concentrados no exterior do veículo: para-choques, portas e jantes, opinião reforçada pelo representante da Finlog que acrescentou as óticas e alguns aspetos do habitáculo.

José Madeira Rodrigues fez, nesta matéria, questão de distinguir as diferenças entre modelos de passageiros e comerciais, lembrando que, nestas últimas, a proteção do interior da caixa contribui bastante para minimizar os custos de recondicionamento.

“Mas é importante distinguir duas coisas”, reforçou Pedro Pessoa: “o valor residual da viatura não é afetado pelos danos, o que é afetado é o seu valor de venda. Indiretamente, isso acaba por ter reflexos na nossa rotação de stock de usados e, naturalmente, ao condicionar o valor de venda, tem reflexos em futuros contratos”.

“Percebo que muitos clientes possam sentir-se traídos com a atitude das gestoras neste aspeto. Mas é preciso ter em conta que o carro não é da empresa, é da gestora, pelo que há que ter cuidados para serem entregues nas melhores condições”, alertou Joaquim Gonçalves da Finlog. “Porque mesmo que fossem das empresas, ela própria seria penalizada quando os vendesse como usados”.

O diretor comercial da Arval complementou fazendo uma distinção entre o valor residual e o valor de venda da viatura: “mas como a renda mensal depende muito da competitividade do valor residual, a qualquer gestora tenta assegurar o VR mais alto possível. Ou seja, não pode pressupor que a viatura vai ser mal tratada, baixando o seu valor de venda após o contrato. Se o fizéssemos as rendas seriam mais altas e, injustamente, penalizaríamos os condutores que conseguem trazer as viaturas em bom estado”.

 

Custos de recondicionamentos não servem para compensar valores residuais

 

“O que é fundamental é deixar claro que nós não faturamos os valores de recondicionamento para compensar os valores de usados. Isso nunca foi feito, nem mesmo durante o período da crise, apesar de termos dedicado mais atenção a esta matéria”, reconheceu Pedro Pessoa. “Mas isso também nos obrigou a evoluir o processo de recondicionamentos, a torná-lo mais claro e objetivo. E é obrigação dos responsáveis de frota conhecerem de forma detalhada essas regras e sensibilizar ou responsabilizar os condutores.”

“Ou criar incentivos internos que estimulem os utilizadores”, lembrou o representante da Finlog.

Existe ou não excesso de zelo? José Manuel Rodrigues admite que a exigência para o estado em que a viatura é devolvida está bem expressa nos manuais que são entregues e que descriminam quais são os danos aceitáveis e não aceitáveis”.

“O zelo é uma noção muito subjetiva”, lembra Pedro Pessoa. “E é precisamente essa subjetividade que temos de eliminar ao máximo da abordagem aos recondicionamentos. Mas se o ruído não é bom para o setor, também é importante pôr as coisas em perspetiva quanto à sua relevância: o valor médio de recondicionamento da Leaseplan representa menos de 1% do TCO de cada viatura”.