gestoras 2016As gestoras esperam que o renting cresça em 2016 e vão lançar alguns novos produtos e serviços. Mas não será tanto à custa do crescimento de frota dos clientes já existentes, dada a incerteza na economia nacional.

As gestoras são unânimes. O próximo ano será de crescimento, depois de este ano o renting ter subido 8,8% em 2015. “Acreditamos que a tendência da conversão do leasing e da compra direta em opções de renting via continuar a crescer em 2016”, diz Pedro Pessoa, diretor de marketing e vendas da Leaseplan Portugal.

A Locarent quer aumentar a sua quota de mercado este ano e espera ter mais mil viaturas sob gestão em 2016, através do alargamento da sua base de clientes.

Do lado da ALD Automotive, que acaba de mostrar interesse em comprar a Parcours, o objectivo é também aumentar o numero de viaturas sob gestão.

E, na Arval, que adquiriu o negócio de renting da GE, mantém os objetivos de continuidade de crescimento  sustentado.

No entanto, as gestoras sabem que têm por diante meses difíceis. “Consideramos que continua a persistir uma grande incerteza relativa a uma visível e estrutural retoma económica que tenha um impacto material no crescimento das frotas das empresas”, diz Pedro Pessoa.

Ou, nas palavras de Gonçalo Cruz, responsável de marketing e comunicação na Arval, “um ano extremamente desafiante dentro da atual conjuntura económica e política”.

Daí que as estratégias sejam de apostar em novos clientes ou no desenvolvimento de serviços.

Seja a trazer os clientes de outros modelos de financiamento, “alargando os limites de mercado”, com diz Pedro Pessoa, ou de outra forma, as gestoras vão crescer. “Estaremos muito atentos às grandes oportunidades de negócio, mas também a segmentos menos explorados como os particulares e microempresas”, diz Nuno Jacinto, diretor comercial da ALD, que chama a atenção para que esta estratégia é para cumprir de forma sustentada e a médio ou longo prazo.

Novidades

As gestoras prometem novidades este ano. Na Leaseplan, esperam-se novos produtos e serviços nas áreas de redução de custos e transferência de riscos. O serviço de consultadoria, que tem feito relatórios sobre o mercado nos últimos anos, vai continuar a sua actividade, mas a grande novidade poderá ser o lançamento de novas ferramentas de mobilidade integrada, “de forma a promover a maior conectividade dos condutores”.

Na Locarent, o novo serviço de recolha e recondicionamento em Lisboa (já lançado) e depois no Porto, promete menores custos de reparação em final de contrato. Para a gestão de frota, o Portal do Cliente vai evoluir e a nível da oferta, vão continuar uma abordagem bem dirigida que “satisfaça as expectativas dos clientes”.

“2016 representa uma excelente oportunidade de desenvolvermos um trabalho de fundo com os condutores”, diz Nuno Jacinto. “Será um ano que se vai pautar por uma maior atenção nos condutores e nas ações que viabilizem a utilização das viaturas de forma mais eficiente, com menor impacto ambiental e com maior nível de segurança”, diz.

A Arval vai apostar na gestão de mobilidade nas empresas, com novos produtos e serviços.

“Porém, continuaremos a investir para que a qualidade do nível de acompanhamento e comunicação com todos os nossos clientes e condutores seja cada vez melhor, consolidando também as mais recentes vantagens dos alugueres da Arval, como o Acerto Anual de Quilómetros”, diz.

O ano passado acabou por não ser tão favorável como as gestoras esperavam. “Foi abaixo das expectativas”, diz Pedro Pessoa. O rent-a-car terá sido o grande animador do mercado.

“Os primeiros 6 meses do ano foram marcados por um crescimento significativo do setor automóvel (31,2%), essencialmente motivado pelo aumento da atividade das rent-a-car, que tiveram necessidade de renovar as suas frotas para fazer face ao aumento da atividade turística.

Contudo, este crescimento não se refletiu no segundo semestre”, diz.

Maurício Marqus, da Locarent, também fala de um “peso atípico do RaC, catapultado pelo crescimento significativo do turismo em Portugal”. E destaca também as fusões e incorporações que aconteceram no mercado das locadoras, bem como o posicionamento das marcas automóveis na venda do renting.

A isto claro, acrescenta o caso das emissões no grupo Volkswagen, mas com muito pouco impacto no mercado nacional, como lembra Nuno Jacinto.