Volkswagem está a guardar carros em aeroportos. Porquê?

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Depois de ser noticiado que um aeroporto em Berlim está a receber vários milhares de carros novos do grupo Volkswagen, por não se encontrarem conforme as novas regras do WLTP ou por aguardarem certificados de homologação, ficou a saber-se que a base aérea do Montijo vai receber, também, carros novos produzidos pela AutoEuropa.

Pelos mesmos motivos, adiantam várias publicações portuguesas.

Esta não é, contudo, a única razão. Nem o grupo Volkswagen é o único a fazê-lo, embora o facto de ser o maior grupo construtor alemão e o caso “dieselgate”, o tenham feito ficar mais exposto às notícias.

Parte do motivo prende-se com o facto de, após 1 de setembro, as regras comunitárias permitirem que os construtores automóveis possam vender um número limitado de carros com especificações anteriores.

Precisamente para suprir esse período de derrogação, que corresponde a 10% do total de unidades vendidas no ano anterior, o grupo Volkswagen, como outros construtores fizeram, incrementou a produção para constituir stock suficiente de unidades com as anteriores especificações.

Daí que alguns importadores e concessões nacionais tenham os seus parques com carros que contam vender até ao final do ano.

Até porque as medidas fiscais a aplicar em Portugal por causa do CO2 só foram conhecidas no início de agosto.

WLTP: medidas fiscais para vigorar a partir de 1 de setembro de 2018. O que diz o despacho de 1 de Agosto

Por outro lado, houve necessidade de parar as linhas de produção para a introduzir novas versões com mais tecnologia de retenção e tratamento de emissões.

Apesar de tudo, o grupo alemão já reconheceu haver um atraso nos procedimentos de testes em todas as suas marcas e modelos, exigência necessária para as novas homologações WLTP.

Que, como é sabido, são bastante mais rigorosas e exigentes, além de mais demoradas e sujeitas a constantes repetições.

Algo que, mais uma vez, não afeta só o grupo Volkswagen. Apesar do construtor reconhecer a interrupção da produção em algumas fábricas, para utilizar as instalações para a realização de todos os procedimentos do novo ciclo de testes WLTP.

Contudo, estão também a verificar-se atrasos no fornecimento de algum  equipamento necessário para que todos os novos veículos comercializados a partir de 1 de setembro possam cumprir as novas regras.

De facto, algum desse equipamento (filtros de partículas, catalisadores, equipamento eletrónico e software) é produzido por muito poucos fabricantes a nível mundial, que estão a encontrar dificuldades para conseguirem satisfazer todas as encomendas.

Com a agravante de, no caso do equipamento eletrónico e respetivo software, terem de o adaptar a cada um dos modelos, algo essencial para o bom funcionamento de todo o conjunto.

Nomeadamente em termos de emissões mas também no que concerne às ajudas à condução, dispositivos de segurança e conectividade, tecnologia cada vez mais presente nos automóveis.

O que tem feito com que alguns modelos já produzidos tenham de aguardar por esse equipamento ou pela atualização de software, para se encontrarem em condições de comercialização.

Tendo em conta que, depois do acontecido, nenhum construtor pode arriscar a instalar software não certificado ou perfeitamente de acordo com as exigências legais!

Por causa disto, há construtores, como a BMW, que vão cessar, alterar ou interromper temporariamente a comercialização de algumas versões, até disporem das novas homologações necessárias à comercialização (WLTP ou correlacionadas), bem como de todo o equipamento necessário para o fabrico das versões que justifiquem a sua continuidade.

Saliente-se que os novos processos de homologação WLTP obrigam a procedimentos de ensaio versão a versão, consoante o nível e quantidade de equipamento, desde que este seja capaz de afetar o peso e a aerodinâmica do conjunto; em laboratório e em estrada, para chegar a valores mais próximos de uma utilização em condições mais realistas de condução.