Ford Europa: salto para a eletrificação, aposta nos SUV e parceria nos comerciais para poder regressar aos lucros

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A Ford anunciou o lançamento em 2020 de um novo utilitário elétrico (segmento B) com autonomia prevista de aproximadamente 482 quilómetros, acompanhando o anúncio de uma imagem e da revelação de que o novo modelo é inspirado no design do novo Mustang.

Contudo, a parte mais importante da notícia poderá ser a indicação da criação de um grupo de desenvolvimento de novos projetos com “licença para operar de uma maneira completamente diferente e inovadora para desenvolver veículos eléctricos para um mercado que está a acelerar a um ritmo exponencial”, citando o comunicado.

A equipa, que recebeu o nome de Team Edison, tem “licença para operar” de forma tão inovadora e rápida, que vai poder adoptar uma nova abordagem para a concepção de protótipos, utilizando a materiais como papelão quando apropriado.

No documento, a Ford revela ainda que “está a investir 11 mil milhões de dólares e planeia lançar 16 veículos totalmente eléctricos dentro de um portefólio global de 40 veículos electrificados até 2022”.

Isto numa altura em que a presença da marca no Velho Continente enfrenta a quebra de venda de alguns produtos até aqui importantes para a marca: Mondeo e monovolumes C-Max, S-Max e Galaxy.

Ao contrário dos SUV Ecosport, Kuga e Edge, modelos que, como os carros eletrificados, correspondem ao gosto atual da maioria dos consumidores europeus.

Por isso, os primeiros poderão vir a ser descontinuados, a favor de uma aposta mais forte em versões SUV e veículos híbridas e 100% elétricas.

De facto, apesar do crescimento do mercado automóvel europeu (EU28) nos primeiros sete meses de 2018 (+ 2,8%), a vendas da Ford desceram 4,1% (quase 23 mil unidades).

O que, em grande medida, explica a quebra de lucros das operações da marca na Europa.

“Estamos extremamente insatisfeitos com o nosso desempenho na Europa”, exclamou Jim Hackett, CEO da Ford citado pelo Automotive News no final de julho deste ano.

Outra ameaça à rentabilidade da Ford na Europa é o Brexit que, para já, produziu uma desvalorização da libra, mas que pode vir a trazer mais consequências no caso de não existirem acordos alfandegários que retirem competitividade às trocas comerciais entre o Continente e o Reino Unido.

Contudo, a Ford continua a assegurar uma presença marcante no segmento dos comerciais, com as várias derivações da gama Transit que, como foi anunciado, disporá de uma versão elétrica para acesso aos centros urbanos, auxiliada por um gerador interno de energia que assenta no pequeno motor a gasolina de 1,0 litro que equipa diversos modelos da marca americana.

Mas mesmo para este segmento, a rentabilidade da marca deverá assentar em parcerias com outros construtores. Por isso, já foram estabelecidos acordos com o grupo Volkswagen, para o desenvolvimento futuro de novos produtos e partilha de tecnologia.

E o mercado europeu de comerciais ligeiros tem vindo a registar um índice de crescimento superior ao de passageiros.