A Toyota tem sido um dos construtores mais activos no desenvolvimento da pilha de hidrogénio aplicada ao automóvel.

O Toyota Mirai, comercializado em alguns mercados (Japão, Estados Unidos da
América e nove países europeus), equipando até uma frota de táxis em Paris, é o modelo mais conhecido da marca japonesa.

Lançado no Japão em dezembro de 2014, a sua produção anual atingiu cerca de 3.000 em 2017.

Mas o objetivo da marca é alcançar os 30 mil veículos a pilha de combustível em 2020.

A Toyota tem, também, uma expressão muito forte no segmento dos pesados de passageiros e é, precisamente, um modelo com essas características que vai ser produzido pela CaetanoBus em Gaia.

No Japão, autocarros movidos a hidrogénio já estão a ser comercializados desde fevereiro de 2017.

CaetanoBus apresenta primeiros autocarros Toyota Fuel Cell no final de 2019

Além de marcar uma etapa importante para as instalações da CaetanoBus em Gaia, a escolha desta fábrica premeia um trabalho pioneiro quando, há alguns anos, começou a reconverter antigas unidades de autocarros com motores térmicos em unidades elétricas.

Contudo, atualmente, as unidades elétricas ali produzidas já são inteiramente novas – E Cobus – e utilizadas quer no transporte urbano como em muitos aeroportos de todo o Mundo.

Agora, a fábrica portuguesa é a primeira, na Europa, a beneficiar da tecnologia líder de pilha de combustível da Toyota (FCEV).

Para o efeito, a CaetanoBus, empresa da Salvador Caetano Indústria, vai receber diretamente da Toyota toda a tecnologia de pilha de combustível, tanques de hidrogénio e restantes componentes necessários para a aplicação num autocarro elétrico.

Estes autocarros de passageiros Fuel Cell deverão começar a circular na Europa em 2020.

José Mendes, secretário de Estado Adjunto e do Ambiente, presente na apresentação do projeto Fuel Cell Bus, afirmou que a tecnologia do hidrogénio é, de facto, uma das melhores soluções para a descarbonização dos transportes.

Lembrando os apoios comunitários que existem para apoiar a transição dos transportes para fontes de energia mais limpas, onde se inclui a tecnologia de hidrogénio, este membro do governo reforçou que esse é, em primeiro lugar, um passo essencial para a sobrevivência do planeta mas, também, a única forma de cumprir as cada vez mais exigentes metas ambientais, impostas pela União Europeia, relativas à redução das emissões provenientes dos transportes.

“Os autocarros a hidrogénio têm vantagens significativas em comparação com outros veículos de emissão zero, nomeadamente uma autonomia superior e um tempo de reabastecimento reduzido. Estes benefícios permitem que os autocarros movidos a pilha de combustível de hidrogénio possam operar em rotas mais longas e possibilitam uma maior utilização”, salientou Johan van Zyl, Presidente e CEO da Toyota Motor Europe, na mesma altura.

Também José Ramos que, na qualidade de Presidente da Salvador Caetano Indústria, disse estar orgulhoso “por sermos a primeira empresa na Europa e vamos demonstrar as nossas capacidades de excelência no desenvolvimento e fabrico de autocarros”,  acredita que “o hidrogénio é uma ótima solução para os autocarros com zero emissões”.

O lançamento oficial do Projeto aconteceu na sequência da passagem por Lisboa do Energy Observer, a primeira embarcação em todo o mundo movida a hidrogénio de forma autónoma, sem emissões de gases.

Este barco utiliza para a sua locomoção apenas energias provenientes de fontes renováveis, uma das quais o hidrogénio, com capacidade para o produzir a partir da água do mar, recorrendo apenas a energia solar ou eólica.

Quanto aO desenvolvimento do Projeto Fuel Cell Bus aprofunda a relação de longa data entre a Toyota e a Salvador Caetano.

A Salvador Caetano produz veículos Toyota desde 1971 e é o representante exclusivo da marca em Portugal.

A parceria estende-se agora à CaetanoBus com o objetivo de difundir a tecnologia do hidrogénio e acelerar a sua comercialização no mercado europeu.