TCO UTILITÁRIOS: O gasóleo ainda compensa?

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A ideia inicial era tentar perceber até que ponto as mecânicas a gasóleo continuavam competitivas do ponto de vista dos custos de utilização, face à tendência dos construtores para desinvestirem em soluções diesel para segmentos mais baixos.

Em primeiro lugar devido ao facto dos motores pequenos não estarem aptos para cumprirem metas ambientais cada vez mais rigorosas, em segundo pela crescente falta de competitividade perante a necessidade de acrescentar tecnologia cada vez mais dispendiosa.

Além de existir uma aproximação de preço ao segmento imediatamente acima, a incerteza quanto à possível maior desvalorização destes modelos, face ao decréscimo da sua procura no mercado de usados, pode ser outra razão para esse desinvestimento.

Ora se tudo isto é uma dor de cabeça para algumas empresas, é também para quem atua no negócio da venda e distribuição de carros novos.

Afinal, importadores e concessionárias já tinham perdido uma fatia importante do negócio deste segmento quando, por razões fiscais, os derivados de turismo acabaram por se tornar mais caros do que as correspondentes versões de passageiros.

Um caso híbrido

Encontrar novas soluções tornou-se então numa necessidade.

Mas enquanto a maior parte das marcas vai esticando a longevidade dos motores de que dispõe ou apostando em pacotes a gasolina muito competitivos, a realidade é que a Toyota é, para já, a única marca com presença nas empresas que oferece, neste segmento, uma solução diferenciada: um Yaris híbrido.

Daí que, ao selecionar o cabaz de modelos incluído no presente estudo efetuado pela TIPS4Y para a Fleet Magazine, tenha-se decidido incluir esta versão do utilitário da marca japonesa.

De resto, a Toyota já anunciou que vai deixar de comercializar motores a gasóleo nas versões de passageiros, mantendo essa oferta apenas para os comerciais.

Facto é que a gama híbrida do construtor tem vindo a crescer nas empresas, por vezes com modelos inesperados como o SUV C-HR hybrid, apesar de serem as gamas Yaris e Auris aquelas que estão a assegurar maior presença da marca nas frotas.

http://fleetmagazine.pt/2018/08/02/frota-credibom-hibridos/credibom

Por isso, este trabalho oferece não apenas a possibilidade de avaliar a oferta diesel que existe nesta categoria, como ainda pode ser útil para perceber até que ponto esta aposta da marca japonesa já é competitiva.

Mantendo presente que a dedução de parte do IVA do gasóleo ainda vai valendo em Portugal e que o facto de o Yaris não ser “plug-in” não lhe atribui qualquer tipo de incentivo fiscal.

Novos e consagrados

Outra curiosidade do leque de modelos escolhido é o facto de três deles apresentarem uma mecânica a gasóleo inteiramente nova e já apresentada no âmbito das regras do WLTP.

É o caso do motor 1.5 BlueHDi presente tanto no Citroën C3 como no Peugeot 208, mas também do Ford Fiesta já equipado com um novo bloco igualmente de 1,5 litros.

Nesta seleção consta, como não podia deixar de ser, o mais vendido há alguns anos: o Renault Clio, naturalmente equipado com o motor 1,5 dCi que tem a particularidade de ser o mais antigo do grupo, o que o torna num caso raro de longevidade.

Contudo, apesar da base deste motor a gasóleo ter sido apresentada inicialmente em 2002, as evoluções técnicas desde então aplicadas mantém-no perfeitamente atual em matéria de emissões.

Além de continuar competitivo e versátil, como fica demonstrado na quantidade de modelos (da marca e não só) que o utilizam.

Destacamos ainda uma outra curiosidade: a presença de dois carros da mesma marca mas com conceitos e posicionamentos absolutamente distintos – o Fiat 500 e o Fiat Punto –, equipados com o mesmo motor. Na análise, fica patente a importância da desvalorização e a manutenção para a contabilidade geral dos custos de manutenção de ambos.

O veredicto

Cabe ao Fiat 500 o melhor valor deste cabaz, ou seja o custo por quilómetro mais baixo entre todos os presentes neste estudo da TIPSY4.

Um carro que deve ser levado em linha de conta dependendo das necessidades de espaço e sua utilização, pela facilidade de manobra que apresenta mas também pelo design, já que este fator pode resultar numa vantagem para a imagem da empresa.

Quanto ao Renault Clio, ficam mais uma vez demonstradas as razões da sua competitividade e explicado o seu sucesso junto das empresas, ao ser o segundo com custos de utilização mais baixos, graças à manutenção e à frugalidade reconhecida do motor 1.5 dCi.

Os carros do grupo PSA merecem igualmente destaque.

Em primeiro lugar, porque o novo Citroën C3 está a ter uma aceitação excelente a nível europeu e, em Portugal, é o maior contribuinte para a subida das vendas da marca francesa na categoria dos passageiros.

Depois o 208, que apresenta o melhor valor residual do cabaz, justificando o bom trabalho que a Peugeot está a fazer nessa matéria, mas também ao facto de ser, efetivamente, das marcas que melhor retém o seu preço inicial no mercado de usados.

E o Yaris?

Aquela que acabaria por se tornar na razão inesperada deste trabalho merece destaque especial.

O Yaris evidencia-se neste comparativo ao apresentar um preço bastante competitivo e por revelar também um bom valor residual.

Apesar do valor inerente à marca, este último facto constitui um forte indício da inversão das tendências do mercado face às soluções a gasóleo, pelo menos neste segmento.

Naturalmente, apesar dos custos de manutenção ficarem acima da média, são os de combustível que se destacam de forma mais negativa.

Mas há que ter presente que, por enquanto, o custo por litro da gasolina é mais elevado do que o gasóleo.

Apesar dos valores constantes na rubrica combustível serem baseados nos valores referidos pelas marcas (e que a poupança gerada por um híbrido depende bastante do modo da sua condução), mesmo assim, estamos a falar de apenas um euro a mais de custo por 100 quilómetros face ao Renault Clio!

Cabaz de carros

• Citroen C3 1.5 BlueHDi 100 Feel Business 5p
• Fiat 500 1.3 16v Multijet 95 Pop 3p
• Fiat Punto 1.3 16v Multijet 95 Easy 5p
• Ford Fiesta 1.5 TDCi 85 Business 5p
• Nissan Micra 1.5 dCI 90 Acenta 5p
• Opel Corsa 1.3 CDTI 95 ecoFLEX Edition 5p
• Peugeot 208 1.5 BlueHDi 100 Active 5p
• Renault Clio 1.5 dCi 90 Zen 5p
• Seat Ibiza 1.6 TDI CR 95 Reference 5p
• Toyota Yaris Híbrido 1.5 HSD 100 Active 5p CVT
• Volkswagen Polo 1.6 TDI 95 Confortline