Como o comércio eletrónico está a impactar nas frotas (II)

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2.ª Parte de um Dossier sobre e-commerce vs distribuição INCLUÍDO na edição 39 da Fleet Magazine

Operacionalidade constante sem derrapagem de custo

Instituir as necessidades de uma rota no que se refere ao número e tipo de viaturas é um trabalho nunca acabado para um gestor da empresa, em parte devido à natureza imprevisível do comércio eletrónico.

O aumento das vendas online veio gerar novos picos na procura do serviço de transporte, além daqueles que tradicionalmente correspondiam a épocas festivas, como o Natal, por exemplo.

“Picos” que podem surgir a todo o momento, em resultado de campanhas de promoção ou de lançamento de novos produtos, confrontando a empresa distribuidora com a necessidade de aumentar momentânea e temporariamente a sua capacidade de resposta.

Solução no caso de não haver carros disponíveis ou unidades em pool? Recorrer ao rent-a-car ou à subcontratação do serviço, sobretudo quando não é apenas a falta da viatura que impede a realização do trabalho, mas também a ausência de recursos humanos para conduzir as operações.

Outra especificidade própria do comércio eletrónico é o vasto número de retalhistas a negociar na intermediação digital entre o produtor e consumidor final. Daqui resulta que o produto vendido tanto pode fazer parte dos ‘stocks’ do comerciante, como encontrar-se em instalações do fabricante ou em grandes centros logísticos, situados além-fronteiras ou até noutro continente.

Como facilmente se entende, isto envolve geralmente uma complexa teia logística de empresas transportadoras concorrentes que vão ter de articular entre si formas distintas de ransporte.

Logo, como estabelecer de imediato um preço para o transporte, sabendo que um dos passos fundamentais da venda é fornecer ao comprador esse valor, conjuntamente com o do artigo, no momento exato da sua aquisição? E o prazo previsto para a sua entrega?

Isto evidencia a importância de um conhecimento preciso dos custos das operações quando são negociados antecipadamente os preços a praticar ao cliente, tanto quanto possível prevendo margem de manobra para encargos imprevistos derivado de acidentes, flutuação de preços de combustível ou variações fiscais, por exemplo.

Antecipação. O que é preciso fazer?

Como se percebe, é vital para este negócio assegurar a operacionalidade constante da frota automóvel, garantindo um controlo contínuo dos riscos inerentes à operação sem grandes derrapagens.

Mas como assegurar tudo isto face às crescentes pressões de preço, prazos de entrega e cada vez maiores dificuldades de circulação?

Como conseguir antecipar a variação do preço dos combustíveis ou da carga fiscal, esta com reflexos muito abrangentes, desde o preço do automóvel e da mão-de-obra a outros encargos da operação, como portagens, por exemplo?

Sim, é fundamental conservar toda a frota mecanicamente operacional, ajustar rotas à rentabilidade das entregas e atuar nos domínios da eficiência e da sinistralidade.

Mas como é possível manter as viaturas de distribuição em funcionamento constante e ainda assim assegurar a sua manutenção?

Como dimensionar uma frota e fazê-la variar em número e em tipologia consoante as necessidades do momento?

E provavelmente a maior de todas as preocupações: como dispor de recursos humanos permanentemente disponíveis e formados para garantirem a condução desses veículos?

Tecnologia e comunicação tornam-se assim auxiliares preciosos para uma boa gestão de frota.

Sem avaliar ou debater questões que se prendem com o RGPD (contudo, bastante importantes e que devem ser exaustivamente equacionadas), a telemetria tem vindo a assumir um papel cada vez mais importante para toda a indústria logística do transporte e da distribuição.

Continua…

Como o comércio eletrónico está a impactar nas frotas (III)