Como o comércio eletrónico está a impactar nas frotas – Sinistralidade (IV)

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4.ª Parte de um Dossier sobre e-commerce vs distribuição INCLUÍDO na edição 39 da Fleet Magazine

Sinistralidade: uma componente volátil dos custos

O gestor de frota de uma operadora de mercadorias a trabalhar para marcas conhecidas do mercado lamentava-se da dificuldade que sentia em conter os custos da frota por causa dos pequenos sinistros diários e do elevado volume de contra-ordenações rodoviárias com que tinha de lidar.

Apesar de não existir nenhuma base fidedigna que relacione a sinistralidade rodoviária em Portugal com o desempenho dos veículos ligeiros de mercadorias a operar para o sector da distribuição, alguns responsáveis de frota não hesitam em colocar os incidentes de condução no topo das suas inquietações.

Principalmente porque envolve aquilo que se mostra mais difícil de controlar: o fator humano.

Se nas viaturas muito pode ser feito para minorar este dano – mais ajudas à condução como sensores e câmaras de auxílio ao estacionamento, sistemas de alertas à condução, tecnologia mãos livres e seleção de modelos ou versões com maior poder de manobra, plataformas e condições de acesso mais funcionais -, a atuação sobre os perfis de condução revela-se uma tarefa muito mais complexa.

Desde logo porque, para os veículos ligeiros, ao contrário dos pesados, não existe nenhum regulamento que baseie um controlo efetivo do tempo e das condições de trabalho destes condutores, assim como não é obrigatória qualquer formação ou certificação profissional para a condução de uma viatura ligeira de mercadorias até 3.500 kg.

Apesar da existência do Decreto-Lei n.º 257/2007 pretender introduzir alguma regulamentação para veículos de mercadorias, com peso bruto igual ou superior a 2500 kg.

Depois, porque o momento atual de intensa atividade económica e de crescimento do comércio eletrónico, conjugado com a redução do desemprego e com o aumento da concorrência, tem vindo a colocar dificuldades de recrutamento para muitas empresas de  distribuição, que se vêm obrigadas a baixar as exigências de seleção e contratação de motoristas.

Não menos importante, a pressão crescente de preços leva muitas vezes a um aumento do número de serviços por cada viatura (que devido a um elevado número de variáveis pode fazer aumentar a carga horária) e do facto de os motoristas serem geralmente também carregadores ou instaladores da mercadoria, o que representa um encargo físico e mental com consequências evidentes sobre as capacidades e disposição para a condução.

Continua…

Como o comércio eletrónico está a impactar nas frotas (V)