“Esperamos poder ter os valores de vendas a empresas com mais acuidade” (IV)

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Na longa entrevista concedida por Hélder Pedro à Fleet Magazine, o secretário-geral da ACAP explicou também porque subsistem dificuldades em segmentar as vendas por canal de compra e o que que está a ser feito para conseguir obter valores concretos, a exemplo do que acontece em muitos outros mercados europeus.

(No final do texto estão as ligações para as partes anteriores desta entrevista que se conclui aqui)

Já é possível ter uma noção da dimensão das compras por parte das empresas no ano passado? Fora os RaC naturalmente…

Em termos concretos, não temos uma resposta. Temos os valores dos canais que são públicos, o RaC e o Renting.

O que podemos avançar é que as vendas, em 2018, sem o RaC e sem o AOV foram 63%. Fora isso não temos dados oficiais que nos permitam garantir um valor exacto.

Esperamos em 2019 poder ter esses valores com mais acuidade, depende do desenvolvimento do programa e também das próprias marcas, dos nossos associados, porque têm de ser eles a indicar qual é o número de contribuinte do adquirente dos veículos.

“A pressão existe da nossa parte, agora tem que haver vontade do lado de lá”

O que está a atrasar a maior transparência do funcionamento do mercado? Há um ano foi prometida a articulação com o IMT, Ministério da Justiça e Alfândega para perceber a veracidade do mercado, nomeadamente a questão das reexportações e dos chamados Km0 mas, até agora, isso não aconteceu. Porquê e para quando?

Conseguíamos obter os valores das reexportações da AT, mas neste momento estão suspensos e estamos a fazer uma grande pressão, concretamente com a Alfândega, para voltar a obtê-los.

A pressão existe da nossa parte, agora tem que haver vontade do lado de lá, porque são contabilizados aqueles que são exportados com um ano, com dois anos, com três anos… sabíamos até por marca, mas a informação foi descontinuada.

Em relação ao restante, também temos vindo sempre a tentar obter mais informação, sobretudo atempada. Estamos a desenvolver com os nossos associados, já que representamos todas as marcas automóveis, um programa informático que, no momento da liquidação do imposto, indica se é pessoa singular ou se é pessoa colectiva. Se é pessoa colectiva conseguimos obter o CAE. Esta é a forma que nós desenhámos e que também existe noutros países.

Primeiro tivemos problemas de natureza informática, que felizmente parecem estar ultrapassadas. E vai depender também de os nossos associados indicarem o NIF no pedido da liquidação, sob pena de, depois, os dados não ficarem completos. Neste momento há um número de empresas que estão a fazê-lo, mas há outros que estão em adaptação e vamos continuar a insistir para isso acontecer já em 2019.

Estes dados vão servir só para efeitos estatísticos, tal como acontece em França ou em Espanha, para estabelecer a diferenciação do cliente particular do cliente empresa.

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