OPINIÃO: É nossa responsabilidade prepararmo-nos e preparar as nossas frotas

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POR BRUNO MARÇAL, Car Fleet & Facilities da Worten Portugal. Pela Samsung recebeu o Prémio “Frota Verde 2018”

Quando, em 2015, a ALD e ADENE lançou o desafio de um projecto-piloto de Certificação Energética de Frotas, e um possível SEEF (Sistema de Etiquetagem Energética de Frotas), estava longe de imaginar a evolução do mercado automóvel português, sobretudo o aumento de viaturas eléctricas e ‘plug-in’, ou ainda receber o prémio “Frota Verde” na 9.ª Conferência Gestão de Frotas.

O projecto ALD/ADENE procurou reunir um grupo de empresas com diferentes tipologias de frota e fazer o levantamento de diversos dados – número de viaturas, combustível consumido, quilómetros percorridos, marcas e modelos, entre muitos outros – para identificar pontos de melhoria na frota.

Em 2016, foram divulgados os resultados do projecto.

Foi nesse momento que cheguei a variadíssimas conclusões pertinentes, a principal das quais é que as empresas teriam mesmo de se adaptar a uma nova realidade de transição de mobilidade rodoviária, do ponto vista ambiental, conforme o Acordo de Paris.

Já tínhamos iniciado, em 2015, uma acção interna de mobilidade, visando colaboradores para um primeiro contacto com a tipologia de viaturas eléctricas e híbridas. Voltamos a efectuar, a mesma acção em 2016, mas recorrendo também a modelos ‘plug-in’.

Como devem imaginar, as dificuldades foram mais que muitas: não tínhamos carregadores, os utilizadores não tinham conhecimentos quanto à forma da sua condução, etc., etc.,…

Depois da avaliação da ADENE e da identificação dos processos, pode dizer-se que 2017 foi o “ano 0”.

Sabíamos o que tínhamos de fazer, caso quisemos melhorar a nossa certificação energética, e estabelecemos uma meta (ambiciosa!): uma frota com CO2 médio de 100 g, cientes das dificuldades que tínhamos de enfrentar.

Em meados de 2018, o índice médio de CO2 era de 98 g, calculado nas 72 viaturas da frota.

Neste percurso, instalamos três postos de carregamento de 22 Kw, adquirimos três viaturas eléctricas (Renault ZOE, BMW i3 e Hyundai Kauai), aproveitando o clima de euforia no mercado nacional com a mobilidade eléctrica, alavancado sobretudo pelos benefícios fiscais que muito ajudaram as empresas.

Foram estes factores de persistência no caminho de equilibrar uma frota à realidade do mercado automóvel nacional (em 2018) que se conseguiram atingir muitos dos processos de avaliação que servem de medição para o SEEF e que permitiram à Samsung vencer a categoria de Frota Verde.

Depois de receber esse prémio muitos colegas perguntaram-me: o que fizeste? Como conseguiste? O que podemos fazer?

O ponto de partida é tirarem partido da disponibilidade das marcas e experimentarem viaturas com propulsão alternativa, tendo em mente a tipologia de utilizadores da vossa organização.

Experimentem o positivo e o negativo destas viaturas.

Apostar em eventos de mobilidade resulta; cria interesse dentro da empresa, gera motivação. É importante para um primeiro contacto por parte de muitos utilizadores que desconhecem por completo a realidade eléctrica.

Desafiem as marcas, porque elas estão a altura de responder e ajudar no que for necessário.

Existem várias escolas de formação que melhoram o aspecto da eco-condução, da condução defensiva. Além disso, a interacção e a avaliação de comportamentos de utilizadores também é fundamental, porque, não devemos esquecer, sobretudo as viaturas PHEV, tem um número exagerado de cavalos.

Essencial é planear antecipadamente onde e como vão poder carregar a viatura, se os seus utilizadores têm condições para fazê-lo na residência, por exemplo. Ponderem sempre este aspecto na aquisição, para não serem surpreendidos.

Miguel Vassalo escrevia aqui, na Fleet Magazine: “Vivemos, sem dúvida, momentos entusiasmantes na indústria automóvel. E naturalmente as empresas, devido ao peso que representam, estão também no epicentro desta revolução, colocando os Gestores de Frota como um dos protagonistas”.

Por isso, é nossa responsabilidade preparar-nos e preparar as nossas frotas para o futuro da mobilidade que se avizinha, tendo em conta, claro, todos os factores, que vão das infra- estruturas necessárias à ponderação dos custos operacional e, naturalmente, atentos às vantagens mas também prontos para reagir a qualquer alteração fiscal que influencie os resultados pretendidos.

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