António Oliveira Martins, LeasePlan: “A gasolina não é um desafio” (I)

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De acordo com o júri dos Prémios Fleet Magazine, a Leaseplan é a gestora de frota com melhor capacidade de desenvolvimento de soluções costumizáveis.

Apesar de ser a gestora com mais contratos novos e em gestão, a locadora vai sempre tentando apresentar soluções que marquem a diferença.

A transição para veículos eléctricos é uma delas, mas a visão transmitida pelo seu director-geral é de que vários tipos de propulsão vão coexistir e que as empresas têm uma responsabilidade especial como “early-adopters”.

Na classificação do júri dos Prémios Fleet Magazine que elegeu a Leaseplan como melhor Gestora de Frota, o critério “Capacidade de desenvolvimento de soluções customizáveis” arrecadou a pontuação mais elevada (92%). Significa então que a LeasePlan tem condições para rapidamente transitar para a ideia de “Any Car, Anytime, Anywhere”?

Não diria rapidamente, pois o “any car, anytime, anywhere” não pode ser interpretado de uma forma literal, mas é efectivamente algo que nos inspira todos os dias em termos de evolução da nossa carteira de produtos e serviços.

A LeasePlan sempre procurou diferenciar-se da concorrência, para que o preço não fosse apenas o único factor de decisão. Em Portugal temos um historial longo de soluções desenvolvidas com base em experiências menos positivas dos nossos clientes em relação ao renting, que nós transformámos em serviços ou produtos para enriquecer a nossa oferta.

Por isso, acredito que esta pontuação premeia este “desassossego” constante de querermos ter algo de diferente e melhor em relação à generalidade do mercado.

A ideia de uma mobilidade abrangente, de maior partilha de carros e de utilização de outras soluções de transporte não é uma ameaça para a indústria do automóvel em todas as suas vertentes?

Se pensarmos exclusivamente no número de automóveis fabricados e vendidos, pode ser uma ameaça. Uma maior partilha pressupõe uma utilização mais eficiente desses automóveis, ou seja, com menos automóveis conseguiremos garantir mais necessidades de mobilidade.

Se pensarmos no renting, acredito que seja uma oportunidade, pois a maior eficiência na utilização dos automóveis, pressupõe formas de financiamento e de gestão também elas focadas na eficiência e na utilização. Isto representa um terreno bastante fértil para o crescimento do renting.

Se os consumidores deixarem de comprar carros para alugar simplesmente, ou passarem a fazer maior uso de carros partilhados, não poderá haver um risco de desvalorização do valor da marca para passar a ser valorizado o serviço e/ou o preço?

Efectivamente, se pensarmos nas novas plataformas ou até mesmo nos táxis tradicionais, o consumidor habitual não tem por hábito escolher a marca ou o modelo do carro que pretende utilizar.

Acredito é que estas formas de partilha de automóveis vão conviver com a utilização do automóvel mais pessoal, em que a escolha do consumidor vai continuar a ter algum peso.

O tema do “fim do diesel” ganhou relevo com uma frase do ministro do Ambiente que olvidou toda a restante entrevista que concedeu. Pegando na tal frase polémica e considerando que, no caso da LeasePlan, esse risco é vosso e não dos vossos clientes, não acha que o renting tem aqui um grande trunfo para a sua própria promoção?

Acho que a promoção dos veículos eléctricos deve ser feita pela positiva e não pela negativa. A LeasePlan tem uma agenda muito ambiciosa em relação à electrificação da frota e à redução das emissões, mas acreditamos que este caminho deverá ser percorrido com a promoção do veículo eléctrico, com a eliminação da ansiedade associada à sua utilização e com a criação de condições para tornar a subscrição mensal interessante do ponto de vista económico.

Respeitamos muito os nossos clientes que continuam a achar que o diesel é a melhor solução para as suas necessidades de utilização e acreditamos num futuro em que o eléctrico tem um peso predominante, mas esperamos que a transição seja gradual, para que as expectativas de todos os agentes económicos envolvidos não sejam subitamente defraudadas por aspectos externos à própria transição tecnológica.

“Em 2018 adquirimos cerca de 600 veículos 100% eléctricos (em Portugal). Representam cerca de 15% do total de vendas do mercado de veículos eléctricos”

A LeasePlan foi um grande cliente de carros eléctricos em 2018. Vão mesmo conseguir transitar toda a frota própria até 2021, como se comprometeram na iniciativa EV100?

Em 2018, adquirimos cerca de 600 veículos 100% eléctricos. Apesar de continuar a ser uma parcela reduzida das nossas compras totais, representam cerca de 15% do total de vendas do mercado de veículos eléctricos (4078 veículos), o que prova a nossa aposta na transição para os veículos de zero emissões.

No que respeita o nosso compromisso, estamos efectivamente empenhados na transição da frota de colaboradores da LeasePlan para uma frota de veículos 100% eléctricos até 2021. Claro que a concretização deste compromisso não depende só de nós, mas também do constante aumento da oferta de veículos eléctricos e das condições da infraestrutura de carregamento.

De qualquer modo, a nossa opção estratégica mantém-se e não foi alterada.

E a vossa percepção em relação às empresas? Apesar de todas as dificuldades que surgem quando se pensa em frotas electrificadas, estão definitivamente a “mudar de hábitos”?

Há hoje uma maior predisposição das empresas para estudar a transição para os veículos eléctricos.

A própria frota do Estado tem tido alguns bons exemplos, nomeadamente, os municípios. Mas também encontramos bons exemplos no sector privado, não propriamente relacionados com o sector de actividade específico, mas mais com a atitude face ao tema, interligada a uma maior consciência ambiental, que faz com que estas empresas sejam os early adopters que contribuem para a futura massificação desta tendência.

A LeasePlan pretende apoiar estes “early adopters” para que estas experiências sejam bem-sucedidas e possam ser adoptadas por outros.

Os consumidores particulares parecem estar também a encarar mais carros com motores a gasolina e a olhar para o renting como um modelo de aquisição automóvel. Para as gestoras isto é um duplo desafio? Como é que ambos os factos são trabalhados, sabendo que até há poucos anos o que predominava no renting eram o gasóleo e as frotas profissionais?

A gasolina não é um desafio. Aliás, nos anos 90, a gasolina ocupava um lugar muito importante nas frotas, nomeadamente, nos carros de benefício. Mas não há qualquer incompatibilidade entre o renting e a gasolina, muito pelo contrário; em determinadas quilómetragens e segmentos, a gasolina pode ainda ser uma opção viável.

Quanto aos particulares, esta é uma oportunidade óptima para o renting e o desafio passa por adaptarmos a nossa oferta, os nossos processos de venda e a nossa comunicação a este segmento de clientes.

A abordagem é completamente diferente da que temos feito no segmento corporate, mas mais próxima do canal das PME. Neste contexto, temos desenvolvido ofertas específicas para os particulares, com carros a gasolina, nas quais por um custo mensal fixo muito reduzido, estes clientes têm acesso a todos os benefícios do renting, isto é, carro novo com todos os serviços incluídos.

Actualmente certa de 1/4 dos novos clientes que angariamos no canal das PME são particulares.

CONTINUA: LEASEPLAN: O NEGÓCIO ALÉM DO RENTING; DOS USADOS AO APOIO A PARCEIROS DE MOBILIDADE (II)