Fleetonomy: mobilidade para todos

298

A mobilidade está a entrar numa segunda fase, mais realista, onde as soluções começam a entrar como tecnologia e não como produtos acabados.

A Fleetonomy, de Israel, acaba de lançar uma plataforma de serviços de mobilidade para OEM, empresas de aluguer de automóveis, locadoras ou qualquer outro operador de frotas.

O produto final que pretendem será uma API para fornecer um sistema operativo para frotas autónomas.

Mas, enquanto não existe um mercado maduro nessa área, vai avançando com a sua solução baseada em inteligência artificial e que permite prever a utilização de vários meios de mobilidade pelas pessoas, diz Israel Duanis, CEO da empresa.

Como é que um produto da Fleetonomy pode ajudar os operadores do sector automóvel a tornar os seus negócios rentáveis?

Se olhar hoje para fabricantes de automóveis, mas também para empresas de aluguer de automóveis e agências de transportes, todas elas estão à procura de algum tipo de mudança na sua indústria.

Os fabricantes de automóveis, onde há mais incertezas, já perceberam que não se trata apenas de vender; as empresas de aluguer de automóveis já viram que não se trata apenas de alugar carros, com a DC, a Uber, a Lyft e outros a tomar actualmente grande parte da sua oferta de serviços.

Se você for, por exemplo, um fabricante de automóveis e tiver de operar múltiplos serviços, a nossa plataforma dá-lhe essa capacidade: viagens partilhadas (ridesharing), shuttles dinâmicos, contratos de utilização e aluguer de automóveis. E faz tudo isto gerindo uma só frota.

“Sabemos como antecipar as preferências dos clientes, como tratar da sua frota”, Israel Duanis, CEO da Fleetonomy

Também tem serviços de pagamento?

Proporcionamos uma plataforma que funciona de extremo a extremo, portanto não se obtém apenas a aplicação e um painel de controlo (dashboard), mas também um backoffice.

Mas, mais importante ainda, empenhámo-nos bastante na análise preditiva da procura, antecipando o que o seu utilizador final vai querer; sabemos como antecipar as preferências dos clientes, como tratar da sua frota. E, claro, o pagamento.

E em relação às empresas que têm as suas próprias frotas, como podem utilizar a Fleetonomy?

Os fabricantes de automóveis têm as suas próprias frotas. Se você for um concessionário e quiser começar a operar não apenas na venda de veículos ou a vender seguros, mas também quiser alugar outros veículos pode usar a nossa plataforma para o fazer.

E uma empresa privada pode usar a Fleetonomy para gerir os seus carros de empresa?

Sim. Ou seja, aquilo que pode fazer é reduzir o número de veículos e transportar pessoas noutro tipo de serviços, como transporte pendular.

Estamos a utilizar a nossa plataforma para garantir que as pessoas são recolhidas durante a manhã e levadas de volta para casa durante a noite e em rotas dinâmicas.

Desta forma, pode reduzir o seu número de veículos, é uma solução mais verde. Portanto, as frotas empresariais são também uma das indústrias, sim.

Se eu for um pequeno empresário, posso gerir os meus veículos partilhados através da Fleetonomy? Digamos que com apenas 20/30 carros?

Claro que sim. Actualmente temos algumas contas de clientes a trabalhar connosco nos Estados Unidos exactamente sob esse cenário.

Procuramos contas que começam, como você disse, com algumas dezenas de veículos e que evoluem para grandes frotas mundiais actuais. Podemos fornecer este tipo de serviços independentemente do tamanho da frota.

Tenciona entrar no mercado português?

Ainda não operamos em Portugal, mas estamos atentos a geografias adicionais. Portanto, poderá ser uma oportunidade muito interessante para nós, com certeza.

Em relação à presença da Microsoft enquanto parceira da Fleetonomy? Qual é o seu papel?

Fomos parte do programa Scala, o que significa essencialmente que a Microsoft escolhe um pequeno número de empresas em que acredita, em cada país, e cooperam com elas durante esse processo. Eles não investiram na empresa.

A Fleetonomy pertence a um grupo de empresas que está a trabalhar na mobilidade. É algo que está, de facto, a acontecer em Israel?

Certamente! Já esteve em Telavive? Assim que o ramo automóvel também se tornou numa concentração de dados e de software, de repente Israel passou a ser um país fornecedor de grandes soluções no que diz respeito a tecnologias de dados.

Percebemos a oportunidade e agora pode ver literalmente centenas de start-ups que tentam apresentar soluções nestas áreas. É fantástico sentirmo-nos parte de um ecossistema em que podemos falar com outros CEO e estabelecer parcerias uns com os outros.

Quando diz que vocês serão o sistema operativo para carros autónomos, está a dizer que o futuro da Fleetonomy está nos carros autónomos?

Sim. Ou seja, se olhar para o futuro, é essa a forma com que estamos a trabalhar com os nossos parceiros, criando valor hoje, mas garantindo que isso é feito passo a passo e garantindo que seremos um dos vencedores quando essa revolução chegar aos autónomos.

Quando acha que essa revolução irá chegar? Digamos, o nível 5 dos veículos autónomos?

É uma excelente questão. E na verdade não sabemos ao certo quando isso irá acontecer… é por isso que estamos focados em criar valor hoje.

E quando chegar esse dia, não importa se será em, 2020, 2025 ou 2050, iremos assegurar-nos que os nossos clientes já estejam satisfeitos hoje e não apenas em relação a coisas que nem podemos prever com exactidão.

CAIXA DE CONTACTOS:

Fleetonomy

Israel Duanis

www.fleetonomy.io/