Esteticamente não parece muito diferente, mas o novo Renault Clio que vai chegar a Portugal em setembro de 2019 é bastante diferente do anterior, a começar no facto de assentar sobre uma nova plataforma, dispor de novos motores, apresentar um interior de melhor qualidade e oferecer mais sistemas de segurança e ajudas à condução.

Se a silhueta se confunde em parte – a razão parece residir no princípio de que “em equipa que ganha não se mexe” e a verdade é que o Clio continua a ser o segundo carro mais vendido na Europa e o primeiro em alguns países, incluindo Portugal – e as dimensões são praticamente as mesmas – 1,4 cm mais curto, 6,7 cm mais largo e 0,8 cm mais baixo do que o Clio actual – a 5.ª geração assegura um pouco mais de espaço interior e uma bagageira maior, agora com 391 litros e, garante a marca, com um portão traseiro mais largo para beneficiar o respectivo acesso.

O acesso à mala é porém prejudicado por um pára-choques traseiro mais elevado. No entanto, o construtor garante que isso protegerá melhor a estrutura do respectivo portão, reduzindo, dessa forma, os custos de recondicionamento de embates mais ligeiros.

A razão da melhoria da habitabilidade está no uso da nova plataforma CMF-B, concebida para poder integrar sistemas de propulsão híbridos e algumas ajudas à condução cada vez mais requeridas pelos consumidores, como o controlo activo da velocidade de cruzeiro ou o sistema de manutenção na faixa de rodagem, por exemplo.

Os motores do Renault Clio V

Ainda sem anunciar preços, quais vão estar disponíveis em Portugal e respectiva data de lançamento de cada um deles, a maior novidade é a dotação inédita de uma unidade híbrida designada E-TECH, onde dois motores eléctricos, alimentados por uma bateria de 1,2 kWh, se conjugam com um motor a gasolina 1.6 para uma potência total de cerca de 128 cv.

A surgir algures em 2020, a tecnologia híbrida Renault E-TECH deverá permitir circular em modo totalmente eléctrico até 5 km.

Em cidade deverá conseguir circular até 80% do tempo em modo totalmente elétrico, graças ao arranque automático em modo totalmente eléctrico, à combinação entre a travagem regenerativa, uma boa capacidade de recarregamento das baterias e ao rendimento energético do sistema E-TECH.

O construtor assegura que isso permitirá ganhos de consumo até 40% em comparação com um motor térmico a gasolina.

Os restantes motores são, a gasolina:

  • 1.0 SCe (3 cilindros, atmosférico) de 65 e 75 cv, caixa manual de 5 velocidades e binário de 95 Nm;
  • 1.0 TCe 100 cv, (3 cilindros, turbocomprimido com válvula de descarga de comando elétrico, coletor de escape parcialmente integrado na cabeça de motor, duplo comando variável hidráulico da distribuição na admissão ou ainda o revestimento específico em aço dos cilindros – Bore Spray Coating). Com 160 Nm, este bloco associado a uma caixa manual de 5 velocidades e, mais tarde, acoplado a uma caixa automática X-TRONIC, tem mais 10 cavalos e 20 Nm rdo que o TCe 90 que substitui;
  • TCe 100 proposto numa versão bi-fuel a GPL;
  • TCe 130 FAP. Proposto na versão de 130 cv e 240 Nm, está associado à caixa automática EDC de 7 velocidades e dupla embraiagem, com patilhas no volante.

Renovado foi também o imortal 1,5 a gasóleo.

Com 85 ou 115, 220 ou 260 Nm respectivamente, o 1.5 Blue dCi respeita as novas normas antipoluição com a integração do sistema de redução catalítica seletiva (SCR) para o pós-tratamento dos óxidos de azoto (NOx).

Possui uma caixa manual de 6 velocidades que reduz o regime do motor acima dos 110 km/h.

Plataforma melhora eficiência e segurança

A razão da eficiência e das ligeiras melhorias de habitabilidade residem, como se disse, no uso da plataforma modular CMF-B, que vem sendo desenvolvida desde 2014.

Constituída por 85% de peças novas relativamente à plataforma da geração anterior do Clio, possui uma arquitetura mais leve do que a anterior – no conjunto, até menos 50 quilos, graças à carroçaria, aos eixos e ao capot – e adopta um fundo carenado para melhorar o coeficiente de penetração aerodinâmica (Cx) em cerca de 0,20.

Graças a ela melhora também o conforto acústico, possível também pelo isolamento do compartimento do motor.

Para aumentar a segurança foi ainda totalmente revisto tudo o que diz respeito à estrutura da carroçaria, recorrendo a aço de elevado limite elástico e colas de estrutura, para aumentar a força de ligação entre as chapas.

Segurança que é reforçada pelo equipamento proporcionado pela nova geração:

  • Airbag adaptativo do condutor
  • Airbags tipo cortina de grande volume
  • Pré-tensores dos cintos de segurança com limitadores de esforço
  • Fixações ISOFIX com a nova norma iSize

A nova arquitetura elétrica e eletrónica da plataforma permite também a inclusão de diferentes sistemas de ajuda à condução como:

  • Câmara e o radar frontal, de série em todas as versões
  • Assistente Trânsito e Autoestrada (autonomia de nível 2): combinação do regulador de velocidade adaptativo (com Stop & Go) e assistente de centragem na via. Funciona nos automóveis com caixa automática EDC e regula a velocidade do automóvel, mantendo a distância de segurança para o veículo que circula à frente, garantindo, igualmente, que o automóvel se mantém centrado na via de circulação. Até 3 segundos de paragem, permite parar e arrancar, automaticamente, sem qualquer ação por parte do condutor. O sistema envia um alerta se deixar de detetar as mãos no volante durante 13 segundos. Após mais dois alertas, o sistema desativa-se, automaticamente, ao fim de 48 segundos. Estará disponível em combinação com o motor TCe 130 EDC FP a partir dos finais de 2019.
  • Regulador de velocidade adaptativo (ACC), para as versões com caixa automática EDC. Disponível dos 0 aos 170 km/h, permite manter, automaticamente, uma distância de segurança mínima para o veículo que circula à frente.;
  • Regulador/limitador de velocidade equipa toda a gama;
  • Comutação automática de luzes. Utilizando a câmara frontal, varia automaticamente entre médios e máximos consoante a luminosidade exterior e a velocidade de circulação;
  • Travagem ativa de emergência, com deteção de ciclistas e peões, alerta o condutor para situações perigosas, podendo ativar a travagem se o condutor não reagir. Constitui um equipamento de série e funciona tanto de dia como de noite;
  • Alerta de ângulo morto, interpreta melhor as distâncias e as velocidades dos veículos que se encontram fora do campo de visão do condutor;
  • Reconhecimento de paineis de sinalização com alerta de excesso de velocidade. Nas versões equipadas com sistema de navegação, combina as informações de leitura dos painéis e os dados do GPS;
  • Alerta de saída involuntária da via de rodagem e assistente de manutenção. Proposta, de série;
  • Câmara 360º. As quatro câmaras que compõem o sistema oferecem uma vista de cima do automóvel, apresentando numa única imagem os obstáculos situados à sua volta. Activa-se automaticamente quando se engrena a marcha-atrás e está diretamente acessível através dos comandos, tipo teclas de piano, situados logo abaixo do ecrã multimédia. O sistema apresenta duas imagens neste ecrã: a vista dianteira ou traseira, consoante a mudança engrenada, e, complementarmente, a opção entre a vista 360° ou uma ampliação da imagem captada pela câmara do lado do passageiro;
  • Sistema de ajuda ao estacionamento dianteiro, traseiro e lateral, alertando para a presença de obstáculos ou objetos; Câmara de marcha atrás; Estacionamento “mãos-livres” em paralelo, em espinha ou na perpendicular.