Apesar da subida de mais de 9% do mercado alemão em Maio, assim como do comércio automóvel em França (dois dos cinco maiores mercados), a ACEA, Associação Europeia dos Construtores Automóveis reduziu para – 1% as estimativas das vendas de viaturas ligeiras de passageiros na Europa.

As vendas totais de automóveis da UE perspectivadas para 2019 são agora pouco superiores a 15 milhões de unidades. final deste ano, quando a previsão inicial da ACEA, publicada no início deste ano, apontava para um crescimento de 1% em relação a 2018.

Algumas razões apontadas agora pela associação fazem parte das preocupações manifestadas por Carlos Tavares, presidente da ACEA, logo em fevereiro deste ano.

“Além da incerteza devido ao Brexit e da alteração das condições macroeconómicas, isto representa uma estabilização natural do mercado”, refere Erik Jonnaert, secretário-geral da ACEA.

Nos primeiros cinco meses de 2019, o número de matrículas de carros novos na União Europeia registou uma queda de 2,1% face a ao mesmo período de 2018.

O secretário-geral da ACEA, no anúncio das novas previsões da Associação, alerta para a elevada pressão que sentem os construtores automóveis relativamente à necessidade de cumprimento de metas de emissões cada vez mais exigentes.

“Em maior ou menor grau, a perspectiva de multas por não conseguir atingir as metas de CO2 de 2020 é uma preocupação séria para muitos construtores”, diz Erik Jonnaert.

Os novos desafios dos fabricantes é conseguir uma redução de 15% de emissões de CO2 até 2025 para os veículos de passageiros e de 37,5% em 2030, por comparação com os limites de emissões permitidas em 2021. A UE impôs também que, a partir de 2025, 15% dos novos ligeiros de passageiros tenham emissões baixas ou nulas, pretendendo-se que após 2030 tal quota suba para 35%.

Face à necessidade de se manterem competitivas perante o aumento dessas exigências e à expectativa de redução de produção, cresce o movimento de concentração de construtores ou de partilha de sinergias.

Exemplo disso é a confirmada união de interesses entre os grupos Volkswagen e Ford, o que não impediu esta última de anunciar uma redução de 20% da sua força de trabalho na Europa, implicando, para já, cerca de 12 mil pessoas e o encerramento de seis unidades produtivas.

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