Na primeira parte da reportagem vimos a composição e o modelo de gestão de frota do ISQ, onde João Ganchas, gestor de frota da empresa, explica as dificuldades criadas pela eletrificação, nomeadamente o desafio que constitui a adaptação dos modelos atuais de negociação a uma realidade com exigências distintas dos carros com motor de combustão.

Além da necessidade de afinar parâmetros de negociação, outra das etapas que é preciso ultrapassar diz respeito ao comportamento dos condutores e à atitude que poderão vir a ter face a um tipo diferente de viatura.

Foi para testar e adequar gradualmente as expectativas que alguns modelos elétricos entraram já na pool de veículos que cobre Portugal Continental, dois VW Golf destinados a uma utilização mais citadina.

O processo, ainda em evolução e, por isso, sem histórico suficiente para permitir definir a validade da solução elétrica em termos operacionais e de custos, vai servir para ajudar “a tomar as melhores decisões num mercado tão volátil como o que presenciamos”, esclarece João Ganchas.

Pool para reduzir custos com alugueres

Há ano e meio que Hélder Albuquerque tem, entre outras tarefas, o trabalho de optimização da pool de 140 viaturas, um dos projetos de mobilidade do ISQ.

“Desenvolvemos uma plataforma de pool de viaturas, cujo principal objetivo foi otimizar a utilização dos veículos que compõem a frota da Direção de Soluções Integradas de Engenharia do ISQ. Esta solução traz várias vantagens: por um lado, a partilha de viaturas entre colaboradores proporciona uma maior disponibilidade dos veículos para uma utilização diária, bem como uma optimização dos custos da Direção; por outro, é possível afetar o custo real da viatura a cada projeto, através da modalidade de utilizador/pagador”.

O modelo de gestão da pool desenvolvido internamente assenta numa plataforma que permite gerir a taxa de ocupação e a disponibilidade das viaturas para o dia-a-dia.

No início, a reserva da viatura era feita nesta plataforma mas, esclarece Hélder Albuquerque, atualmente os pedidos são feitos via telefone ou por correio electrónico, para permitir um maior controlo das reservas.

Todas as entradas e saídas das viaturas ficam registadas em nome do utilizador, incluindo a data e hora, tanto da entrega como da recolha.

“É essencial manter uma boa comunicação com os condutores, por forma a acompanhar as suas necessidades no dia-a-dia e, até antecipá-las, mas também para os sensibilizar quanto às necessidades de cumprimento dos prazos previstos de utilização de cada viatura. É igualmente necessária uma boa relação com as oficinas, no sentido de ter as viaturas imobilizadas o mínimo tempo possível, de modo a maximizar a disponibilidade e rentabilidade de utilização da frota”, diz Hélder Albuquerque, deste modo destacando a importância de assegurar uma pronta resposta às necessidades dos utilizadores deste serviço.

poolApesar de ser ainda cedo para medir os ganhos totais alcançados com a introdução desta solução, dois factores são evidenciados por este responsável: a mudança de clima na organização por diminuição de conflitos de falta de disponibilidade das viaturas e a significativa redução de custos derivado de um menor recurso a alugueres pontuais de viaturas de rent-a-car.

“A comunicação com os utilizadores é fundamental na gestão de uma ‘pool’, para que um planeamento atempado da entrada e saída das viaturas, assegure a disponibilidade e operacionalidade das mesmas”, reforça. “Porque só deste modo se consegue garantir que todos vão conseguir cumprir com os seus compromissos junto dos clientes”, conclui Hélder Albuquerque.

1.ª Parte da Reportagem

Frota ISQ: eletrificação gera incógnitas na negociação e incertezas nos custos (I)