O Plano S detalha os projectos da KIA e do grupo ao qual a marca pertence, tendo em conta as profundas mudanças que o mercado automóvel está a conhecer

Já está em curso a mudança que obriga os construtores a electrificarem os motores de combustão, para poderem cumprir com as regras europeias em matéria de emissões, mas também a acelerarem o lançamento de versões concebidas de raiz para serem 100 elétricas, ou ainda de novas mecânicas (e plataformas) optimizadas para receberem suporte eléctrico híbrido e híbrido “plug-in”.

Apesar de nada disto ser novo para a Kia – afinal, o Niro foi dos primeiros carros concebidos para receber somente soluções eletrificadas e o grupo é um dos mais avançados também na solução “fuel cell” – as exigências colocadas ao nível europeu são de forma exigentes que estão a obrigar todos os construtores a redefinirem o seu plano de negócios e estratégia empresarial.

No que respeita à Kia, balizando numa primeira fase o horizonte de 2025 e, numa segunda, além deste limite temporal, a transição para a mobilidade elétrica e para a oferta de novas soluções perspectiva:

  • Até 2015, lançamento de onze veículos eletrificados, pretendo com isso oobter uma quota de mercado global de 6,6% desta classe de viaturas;
  • Já em 2021, um novo modelo exclusivamente elétrico (o Niro e o Soul, dispõem de outras versões além da solução BEV);
  • Este modelo de estilo crossover proporcionará uma autonomia de mais de 500 quilómetros e disporá de carregamento rápido em menos de 20 minutos;
  • Até final de 2025, 25% das vendas da Kia deverão ser veículos ecológicos;
  • Até 2026, vendas anuais de meio milhão de veículos eletrificados e um milhão de veículos ecológicos;
  • Desenvolvimento contínuo de novos produtos e serviços de mobilidade;
  • Aumento da rentabilidade otimizando os negócios atuais e procurando a liderança em novos negócios
  • Entrada no mercado de comerciais elétricos de distribuição urbana, oferecendo veículos personalizados, adaptados ao modelo do negócio e necessidades do cliente das empresas.

Até 2025, isto deverá exigir um investimento de 25 mil milhões de dólares, estabelecendo como objetivo 6% de margem de lucro operacional.

Em concreto, o que é que isto implica?

A estratégia de médio a longo prazo designada no grupo por “Plano S” estabelece as linhas orientadoras que visam assegurar o futuro das suas marcas automóveis ao nível global, garantindo que as mesmas podem acompanhar as novas tendências do mercado relativamente ao automóvel e enfrentar as obrigações das regras ambientais europeias.

Com a consciência do elevado investimento que tais exigências implicam, bem como de uma previsível redução da margem de rentabilidade até à consolidação do plano.

Torna-se essencial a expansão das marcas para mercados emergentes, onde os produtos e mecânicas já existentes podem ser ainda comercializados (e desta forma rentabilizados), para contrabalançar o forte investimento necessário na Europa, América do Norte e Coreia..

Prevendo a necessidade de novas soluções de mobilidade, mas também de produtos digitais e cada vez mais conectados, ajustados a diferentes necessidade, o grupo tem vindo a investir em diversas start-up que desenvolveram serviços no domínio da partilha (considerado fundamental para popularizar os carros elétricos, ao possibilitar uma primeira experiência a futuros compradores), assim como criadoras de plataformas inovadoras e versáteis, movimentadas através de sistemas eletrificados.

Faz parte deste último domínio a aquisição da Arrival, que permitirá à empresa entrar mais rapidamente no mercado de Veículos com Fins Específicos (PBV), onde a procura deverá crescer, alavancada que está a ser pelo aumento exponencial do comércio eletrónico, e ainda pelo expectável aumento da procura do car-sharing.

A Arrival é responsável pela criação de uma plataforma modular do tipo “skateboard”, na qual a estrutura compacta da bateria e dos motores a torna ideal para a veículos de logística, com piso rebaixado para facilitar as operações de transporte.

Sobre as quais é possível desenvolver carroçarias adaptadas às necessidades dos clientes, incluindo, no futuro, veículos autónomos de entrega urbana ou transporte de passageiros.

Outras soluções a que está atento o grupo coreano:

  • Viabilidade de um modelo de subscrição personalizado que permita a gestão integrada do ciclo de vida do EV;
  • Programa de aluguer/leasing de baterias;
  • Potencial de negócio relacionadas com baterias usadas;
  • Criação da infraestrutura de reciclagem de baterias usadas em sistemas de armazenamento de
    energia (ESS), bem como a aquisição de tecnologias relacionadas;
  • Desenvolvimento de plataformas de mobilidade que concentrem estações de carregamento de EV, centros de manutenção de veículos e diversas instalações de conveniência, incluindo a possibilidade de transferência entre veículos elétricos e veículos com motores de combustão interna;
  • Estas plataformas puderam servir de embrião a futuros centros logísticos para veículos autónomos partilhados.