O Volkswagen Financial Services (VWFS) tem a ambição de crescer no renting e acredita ter condições para se tornar na segunda gestora de frota em Portugal. É para isso que tem vindo a preparar-se e o reconhecimento do júri dos Prémios Fleet Magazine, que lhe atribuiu o Prémio “Gestora de Frota”, acaba por validar o trabalho que começou a desenvolver em 2015.

A entrada de novos acionistas na SIVA, empresa que representa o maior número de marcas do grupo VW, o alargamento da oferta de soluções AOV a outras marcas automóveis, a crescente eletrificação do parque automóvel, os desafios, preocupações e necessidades que essa transição levanta e para a qual o VWFS garante ter respostas, são, para João Paulo Rias, Country Manager da empresa no nosso país, oportunidades que justificam o otimismo com que encara o crescimento da influência do VWFS na decisão de aquisição de um carro novo em Portugal.

Até pelo nome que apresenta, ainda há quem encare o VWFS como a financeira ou fornecedora de soluções exclusivamente para viaturas do grupo Volkswagen. Mas na realidade não é isso que acontece…

No âmbito do VWFS em Portugal temos duas vertentes de negócio bem distintas: o negócio financeiro e o negócio de gestão de frotas. No primeiro, e considerando veículos novos, somos hoje uma empresa que se dedica a apresentar soluções de financiamento apenas para as marcas do grupo VW.

No negócio de gestão de frotas, desde 2019, começámos a oferecer as nossas soluções também para outras marcas. Procuramos com isto responder às necessidades dos nossos clientes que, por contarem com uma grande variedade de tipologias de carros, pretendem ter apenas um único parceiro de gestão de frotas, independentemente da marca.

E que peso tem o renting no total do negócio em Portugal, nomeadamente o dirigido ao canal das empresas?

Em Portugal gerimos uma frota de cerca de oito mil viaturas em aluguer operacional. Mas não somos uma empresa centrada exclusivamente na gestão de frotas. Contamos atualmente com mais de 37 mil clientes e um portefólio de 650 milhões de euros, a maior parte proveniente do canal retalho e do financiamento a particulares e PME. O peso das empresas na globalidade do negócio do VWFS em Portugal é de 35%. Ou seja, a fatia maior do negócio está nos clientes particulares.

No entanto, especificamente no negócio de renting, o peso dos particulares é de 15%. Já é um peso interessante, mas 85% da vertente de aluguer operacional está nas empresas de grande ou de média dimensão.

E existe ambição de crescer no aluguer operacional e no canal corporate?

Faz parte dos nossos objetivos pois, para nós, o aluguer operacional é estratégico. Queremos ser o n.º 2 no mercado em Portugal. É para lá que nos dirigimos! Iniciámos esta jornada em 2015 e já temos um trabalho desenvolvido e reconhecido. O prémio que recebemos foi o culminar de um árduo trabalho desta equipa, mas também dos concessionários parceiros e das marcas do grupo VW. É mais um sinal de que estamos no caminho certo para sermos, em termos de volume, a segunda gestora em Portugal nos próximos anos.

O reforço da SIVA, com a tomada de posição de um operador de dimensão europeia, pode contribuir para aumentar a influência do VWFS enquanto financeira das marcas do grupo e não só?

Sim. Temos como objetivo para 2025 aumentar a nossa aderência nas marcas do Grupo VW para 40%. Para que isto seja possível é necessário reforçar a aposta que fazemos em campanhas conjuntas com as marcas e concessionários do grupo VW.

Os nossos inquéritos provam que os clientes tomam decisões de compra com base na competitividade da oferta. Por exemplo, em 2019, 76% dos nossos clientes que adquiriram o seu veículo através de uma campanha disseram que a proposta tinha sido decisiva para a escolha que fizeram e que 40% comprou um carro melhor ou mais equipado do que inicialmente tinha previsto. Estes números provam que o modelo de negócio que temos vindo a adotar permite vender mais carros das marcas do grupo em Portugal, até porque estamos ainda longe do market share que as nossas marcas têm no nosso país.

vwfsSe considerarmos todas as marcas, incluindo a MAN, Ducati, Bentley, Lamborghini e Porsche, as vendas totalizaram 41 mil unidades. Portanto, existe um universo de 41 mil vendas que podemos financiar, sem esquecer que, ao expandir o negócio do aluguer operacional a outras marcas, podemos chegar ainda mais longe

Gera alguma dificuldade o facto do importador de uma das marcas automóveis estar fora do grupo SIVA?

Penso que se refere à SEAT. São estruturas independentes mas é uma marca do grupo VW e não temos tratamento diferenciado. Trabalhamos as marcas de forma distinta, com posicionamentos e estratégias personalizadas, marca a marca, nomeadamente com campanhas e produtos financeiros personalizados.

II Parte da entrevista publicada na edição de março da Fleet Magazine e realizada em fevereiro de 2020:

João Paulo Rias, VWFS: “a eletrificação pode ser uma oportunidade para o renting” (II)