A frota do grupo CTT é predominantemente operacional e afeta às áreas do transporte e distribuição postal.

Mas o incremento do comércio eletrónico tem gerado novos desafios na procura de soluções capazes de cumprirem os requisitos de eficiência, operacionalidade e segurança, bem como para aumentar o uso eficiente da frota, desse modo, contribuindo para a sua maior sustentabilidade energética.

Sobre isto trata a primeira parte desta entrevista, publicada na íntegra na Fleet Magazine de março de 2020, destacando-se nesta segunda parte o trabalho que o grupo CTT tem desenvolvido no domínio da redução da sinistralidade, pelo qual é reconhecido internacionalmente.

Vectores que valeram a José Coelho e José Guilherme a distinção “Gestor de Frota” dos Prémios Fleet Magazine 2019.

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Prevenção Rodoviária no topo das preocupações dos CTT

O rosto mais visível dos projetos do grupo CTT no domínio da prevenção rodoviária é o de José Guilherme, pelo seu papel interventivo na prevenção da sinistralidade nas frotas das empresas.

Na entrevista concedida à Fleet Magazine, é ele quem começa por recordar como esse trabalho tem vindo a ser desenvolvido há muitos anos nos CTT.

“Em 2015, quando implementámos um programa de prevenção rodoviária, quisemos fazer algo diferente. Já havia ações nesta área, mas nessa altura decidimos pegar no problema de outra forma, começando desde logo por colocar tudo em questão. Até mesmo o modelo de formação em condução defensiva que há vários anos era dado do mesmo modo. Começámos a construir um modelo que envolvia o condutor, a viatura, as rotas, a formação, a comunicação, a responsabilização de todos, a forma de agir face aos sinistros”.

“Um conjunto de questões para as quais era necessário envolver vários departamentos da empresa”, prossegue José Guilherme.

“E foi isso que fizemos, criámos um grupo de trabalho com várias áreas: recursos humanos, recursos físicos, operações, formação, higiene e segurança no trabalho, comunicação… estudámos os acidentes para diagnosticar as causas, as consequências físicas e materiais, os danos laborais, recolhemos toda a informação possível para tentar perceber se havia padrões de acidentes ou causas mais comuns, para dirigir a ação e a formação de forma mais concreta”.

Com um número tão elevado de veículos de duas rodas, não demorou a concluir que este era um dos grupos mais exposto à sinistralidade.

“Analisámos em pormenor o tipo de lesões e procuramos melhorar equipamentos e veículos no sentido de reduzir o impacto da sinistralidade laboral, em especial no caso dos motociclos. É importante que as pessoas também se sintam protegidas pela empresa”.

José Guilherme reforça com números: “em relação ao absentismo laboral com causa em acidentes rodoviários, até 2019 e desde o início do projeto, conseguimos reduzir essa sinistralidade em mais de 50 mil dias de trabalho”.

José Coelho intervém para realçar a necessidade de um trabalho contínuo de sensibilização dos condutores.

“Por vezes deparo-me com situações em que tenho de alertar os utilizadores. Por exemplo, em relação aos pneus, aos cuidados que devem ter com a pressão, com o desgaste que apresentam. Por vezes, isso gera algum desconforto, implica ter de imobilizar a viatura e isso tem impacto no ritmo de trabalho. Mas temos a obrigação de tornar estas preocupações numa questão cultural, porque elas têm impacto, acima de tudo, na vida das pessoas e na imagem da empresa”.

CTT: E-commerce e os desafios à gestão de frota (Parte I)

Áreas de intervenção no domínio da Prevenção Rodoviária

  • Diagnóstico e análise de acidentes: tipologia de acidentes mais requentes e ações direcionadas
  • Diferenciação da formação: formação inicial, formação para condutores habituais, formação para condutores com maior índice de sinistralidade
  • Seleção de veículos e equipamento de segurança mais adequados: nos veículos de duas rodas, proteção para as mãos e proteção lateral. Nos veículos ligeiros, sistemas de chamadas em mãos livres, sensores de estacionamento, limitação da velocidade máxima, cruise control adaptativo em determinados segmentos, sistema de imobilização na deteção de peões em veículos e elevada dimensão (Tail Guard)…
  • Monitorização permanente e reconhecimento das melhores práticas: entre outras, o Drivers Challenge, que promove e divulga as melhores equipas e condutores, ao avaliar indicadores correlacionados com a gestão da sinistralidade (custos, absentismo)
  • Comunicação: do apoio à promoção da cultura de formação à comunicação de resultados

Reconhecimento internacional

Os CTT foram ainda organizadores do Workshop da Carta Europeia de Segurança Rodoviária, em Portugal. A Carta Europeia considera os CTT um dos focal point em Portugal para o desenvolvimento dos seus objetivos no país.

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Frota CTT com nova imagem

A decoração das viaturas mais recentes já reflete o novo posicionamento de marca dos CTT.

Este rebranding pretende transmitir a adaptação da empresa a uma nova realidade do negócio.

A arquitetura atual mantém o cavalo na comunicação institucional e nos produtos filatélicos, mas a simplicidade do símbolo conjuga-se melhor com a transversalidade de todas as atividades onde a marca CTT está presente, da distribuição postal ao sector financeiro, dos produtos à oferta de soluções de publicidade, de logística, de outsourcing de processos e de apoio à presença no mundo do comércio eletrónico.

Por isso, a nova assinatura de marca – “Os CTT são um operador de entrega total” – surge acompanhada de mensagens que refletem esta abordagem: “de uma encomenda ao que quiser”, “de uma encomenda ao que deseja” e “de uma encomenda ao que sonha”.