Os mercados de usados da Alemanha e da Áustria estão a recuperar para 90% e 80% dos volumes de março, respetivamente; Estas são algumas das conclusões de um relatório do Observatório INDICATA.

À medida que a Europa está a sair do bloqueio total causado pelo novo Coronavírus (COVID-19), as tendências registadas na Alemanha e na Áustria são “muito positivas”, refere o relatório.

Ainda assim, o INDICATA explica que estas tendências não podem ser extrapoladas para outros mercados uma vez que estes dois países “são países com economias resilientes e com grandes reservas financeiras”.

Por isso, ainda é cedo para tirar conclusões quanto à recuperação do mercado de usados em Portugal, dado o comércio automóvel ter reaberto mais tarde (comparativamente à Alemanha e Áustria, por exemplo).

No entanto, é possível assistir a alguns sinais de retoma da procura, ainda que lenta, sustentada pelos canais online e pelas redes de contacto dos comerciantes.

observatório INDICATA
Gráfico 3: Bélgica (laranja), Polónia (azul escuro) e Portugal (azul claro)

Andy Shields, diretor global do INDICATA, diz ainda que não consegue precisar como vão recuperar os grandes mercados de usados europeus – casos do Reino Unido, França, Espanha e Itália.

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Gráfico 4: Espanha (azul escuro), França (laranja), Reino Unido (roxo) e Itália (azul claro)

Países como a Holanda, Suécia e Dinamarca também registaram respetivamente um retorno para 90%, 98% e 102% dos volumes de vendas pré-bloqueio do comércio automóvel presencial.

INDICATA: comportamento do mercado de usados face ao Covid-19

Comportamento das compras: tipo de viatura e motor

Outro dado referido no relatório diz respeito à definição das compras.

No final da última recessão, os consumidores europeus aproveitaram os valores residuais mais baixos e começaram a comprar carros desportivos e grandes SUV, o que fez com que os preços aumentassem.

Agora, depois de um período de confinamento, regista-se a tendência de há dez anos na Alemanha e na Áustria – os principais mercados em recuperação, com particular destaque para os veículos de caráter desportivo.

O documento mostra ainda que os carros usados a gasolina, híbridos e elétricos estão a ganhar terreno ao gasóleo.

De facto, todos os países em fase de recuperação viram a quota de automóveis usados a gasolina crescer.

Na Alemanha, a oscilação do gasóleo para a gasolina foi de 6,2%. Na Polónia, a oscilação foi de 9,8%. A Suécia regista atualmente um crescimento de 30% nos volumes híbridos e elétricos, contra uma redução de 2% nas vendas totais do seu mercado.

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Gráfico 5: Áustria (azul escuro), Países Baixos (vermelho), Alemanha (verde), Dinamarca (roxo), Suécia (azul claro) e Polónia (laranja)

Analisando em detalhe todos os mercados atualmente em recuperação, a quota dos híbridos passou de 2,6% para 3,1% (aumentou 18%).

O gráfico anterior mostra ainda que na Suécia, o país onde foram impostas menos medidas de confinamento social e menos restrições ao comércio e à circulação, o mercado do diesel perdeu 5,7%, com a gasolina a ganhar 3,6% (uma variação de 9,3%). Registou, além disso, um aumento de 33% no volume de veículos elétricos e um aumento de 32% no volume de híbridos.

A Polónia registou uma variação maior de 9,8%, com a quota do diesel de 6,0%. A Dinamarca e a Alemanha também mostram uma oscilação de 6,5% e 6,2% de diesel para gasolina, respectivamente.