Em fevereiro de 2020, Tim Albertsen  sucedeu a Mike Masterson no cargo de CEO global da ALD Automotive, fornecedora de soluções de renting e gestora de frota do grupo Société Général.

Em recente entrevista concedida a Juan Arús, da Fleet People, congénere espanhola da Fleet Magazine, Tim Albertsen considera que a Covid-19 pode representar uma oportunidade para o crescimento do renting para clientes particulares e não antecipa um fim mais imediato de formas de propulsão tradicionais como o gasóleo, entre outros assuntos.

“As nossas prioridades de curto prazo têm-se concentrado em ajudar os nossos clientes a responder ao ambiente económico pós-crise. Isso envolve estudar como podemos oferecer-lhes soluções económicas e mais flexíveis que possam ajudá-los a superar essa fase, bem como outros grandes desafios colocados pela economia em geral”, explica o recém CEO da ALD, que conta com 25 anos de experiência ao serviço da gestora francesa.

“Nesse sentido, acabamos de lançar uma solução de mobilidade flexível, o ALD Flex, para ajudar os gestores de frotas empresariais a atender às suas necessidades de mobilidade a médio prazo”, concretiza Tim Albertsen.

O ALD Flex é um programa de aluguer do veículo com serviços incluídos, para prazos variáveis de um a 24 meses, permitindo a rescisão do contrato, após um mês e com 48 horas de antecedência, sem nenhum encargo adicional. Já está disponível em 19 mercados, incluindo Portugal

“Uma maior flexibilidade na mobilidade é essencial em tempos de incerteza como os atuais, mas também apoia estratégias de longo prazo, permitindo que os gestores de frotas diversifiquem o seu plano de mobilidade e simplifiquem a gestão global de seus recursos através de um único fornecedor, maximizando o uso do veículo conforme necessário”, diz.

Isto inclui um novo programa para carros usados ​​que, depois de revistos e avaliados, podem ser comprados ou novamente alugados, a partir da plataforma online ou pessoalmente. Já disponível em Portugal e Espanha, além de outros mercados europeus.

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Há futuro no gasóleo?

Questionado sobre o futuro dos motores a gasóleo, por enquanto ainda a única solução para muitas empresas conseguirem assegurar a operacionalidade dos seus serviços de longa distância de forma economicamente eficiente, Tim Albertsen acredita que, a longo prazo, “o diesel representará uma pequena fatia do mercado, na maioria veículos comerciais leves; porém, a curto prazo, continuará a desempenhar um papel importante nas frotas das empresas”.

“Gradualmente, mudamos de uma abordagem de tamanho único (diesel) para uma abordagem muito mais específica adaptada ao uso real. Isso permitiu-nos reduzir significativamente a proporção de diesel nas nossas entregas. A nossa intenção não é ‘matar’ o diesel, mas simplesmente recomendar o uso de veículos a diesel quando isso faz sentido. Podem ser viagens de longa distância fora das cidades, quando o custo ou as emissões de dióxido de carbono são melhores do que a gasolina, ou quando os veículos elétricos ainda não são uma opção viável”, explica.

Oportunidade para a mobilidade e para o renting para clientes particulares

Tim Albertsen vê também o atual momento económico como uma oportunidade para a mobilidade.

“Acreditamos que a crise irá impulsionar um reajuste na forma como as empresas e os indivíduos vêem e vivem as suas vidas, dando novo fôlego à análise de soluções de mobilidade mais limpas, nomeadamente no que diz respeito às zonas urbanas. Sabemos que, a longo prazo, continuaremos a observar o surgimento de novas tendências e restrições, e o surgimento de novos players e tecnologias de ponta no setor da mobilidade. Estamos convencidos de que temos a capacidade de acelerar o nosso desenvolvimento no setor de mobilidade, considerando estes elementos e concentrando-nos em como podemos deixar de ser uma empresa de leasing de serviço completo, para nos tornarmos um provedor de mobilidade integrada. A nossa transformação digital é um elemento fundamental de nossa estratégia, e estabelecemos uma série de recursos e plataformas importantes para apoiá-la e fornecer as soluções de mobilidade do futuro”.

Questionado por Juan Arús sobre o papel do renting a clientes particulares no crescimento desse nova ideia de mobilidade, Tim Albertsen responde:

“Embora continue a ser um mercado pequeno na Europa, achamos que o nosso modelo de renting é particularmente adequado às necessidades das concessões, já que propomos uma solução completa para veículos novos e usados. com flexibilidade para poder ajustar os termos de contrato, como a duração ou a quilometragem, entre outras opções.”

Explicando que este mercado não é completamente novo para a gestora, uma vez que há muitos anos que a ALD trabalha a oferta para clientes particulares através das parcerias estabelecidas com muitas marcas automóveis e outros canais de distribuição, Tim Albertsen adianta os valores atingidos e a meta traçada para este segmento de mercado:

“Em 2016, definimos uma meta ambiciosa de três anos de 150 mil contratos de renting privado para impulsionar o crescimento neste segmento e contribuir para a diversificação da receita. Durante esse período de três anos, a nossa frota para esse canal cresceu, em média ,entre 30% e 40% a cada ano, o que nos permitiu alcançar, com sucesso, a meta de 153 mil veículos administrados até o final de 2019.”

Falando sobre o alargamento dos canais de oferta para o consumidor privado, seja em associação com os construtores automóveis, bancos, seguradoras, concessionárias, plataformas de comércio eletrónico e de mobilidade, fornecedores de serviços de energia ou dirigido aos funcionários dos clientes empresariais, o novo CEO da ALD Automotive reconhece o renting privado como um fator-chave para o crescimento geral da frota:

“O renting privado pode acelerar ainda mais após a Covid-19, porque os cidadãos estão a optar por utilizar mais o seu próprio veículo, em vez de usar o transporte público”.

Pode ler aqui a entrevista completa a Tim Albertsen à Fleet People

Tim Albertsen: “El renting privado será clave en el crecimiento de nuestra flota”