A pandemia de COVID-19 provocou uma mudança radical na mobilidade urbana portuguesa. Quem o diz é a plataforma TomTom Traffic Index, que monitorizou o fluxo de trânsito em algumas cidades portuguesas entre março e junho.

A plataforma começa por dar o exemplo de 24 de abril, uma sexta-feira. Em Lisboa, houve uma diminuição de 80% na taxa de congestionamento relativamente ao mesmo dia de 2019. No mesmo dia, no Porto, houve uma quebra de 75% no congestionamento relativamente ao dia homólogo. Funchal, Braga e Coimbra, que até à chegada das medidas de contenção resultantes da pandemia apresentavam valores mais baixos relativamente a 2019, caíram abruptamente com diferenças de 68, 67 e 59 pontos percentuais, respetivamente.

Entre 14 de março e 18 de junho, o índice de tráfego de Lisboa nunca ultrapassou os 15%, o que significa que, numa hora de viagem realizada na capital neste intervalo, o condutor nunca demorou mais de nove minutos do que habitualmente demora na estrada, comparativamente a uma situação de trânsito totalmente fluido.

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Começou-se, no entanto, a assistir a uma mudança, ainda que gradual. A partir de 15 de junho, o trânsito retomou algum ritmo, ainda que longe dos valores habituais de 2019.

A mobilidade individual (automóvel) continua a ser uma das formas mais seguras de deslocação no atual contexto de pandemia – permitindo evitar os contactos e possíveis contágios. De acordo com a análise da TomTom, as pessoas têm vindo a retomar alguns dos seus hábitos e os níveis de congestionamento vão ficando, lentamente, mais próximos dos valores do ano passado.

Com o levantamento de algumas das medidas de confinamento mais severas e com o regresso às aulas, as cidades portuguesas têm registado valores diferenciais mais baixos. Dia 14 de setembro, por exemplo, registou 32% menos de congestionamento que no mesmo dia de 2019. Nas restantes cidades analisadas, os valores foram ainda menores (Funchal 31%, Coimbra 26%, Porto 26% e Braga 23%).

Vincent Martinier, diretor de Comunicação da TomTom do Sul da Europa, refere que as mudanças que têm vindo a ocorrer durante os últimos meses podem ser importantes para ajudar os decisores a mudarem o paradigma da mobilidade nas cidades.

Segundo o responsável, “é necessário encontrar soluções de forma a amenizar o frenesim do trânsito e reduzir as filas. Mas a implementação do teletrabalho, mesmo que parcial, pode mudar o estilo de vida das pessoas e democratizar a forma como nos movemos”.

A flexibilidade de horários de trabalho também pode ajudar na quebra das horas de ponto, já que no passado a maioria dos condutores fazia deslocações nos mesmos períodos do dia, o que congestionava o trânsito. “Para os condutores que têm essa facilidade, sair mais cedo de casa e regressar também antes do normal pode significar uma redução significativa do tempo passado em viagem”, refere Martinier.

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Dicas para melhoria da mobilidade urbana

A TomTom acredita que pequenas mudanças nos comportamentos e horários podem reduzir o tempo perdido nas filas de trânsito e melhorar a mobilidade urbana.

Numa situação pré-pandemia, em Lisboa, a taxa de congestionamento média às 8h da manhã é de cerca de 66%. Isso significa que, numa viagem total de uma hora, o tempo perdido no trânsito é de 40 minutos. A TomTom acredita que se essa mesma viagem for feita uma hora mais cedo, entre as 7h e as 8h, o tempo nas filas pode ser reduzido para 17 minutos.
Já no período da tarde, se o condutor iniciar o seu regresso a casa pelas 18h, gastará cerca de 53 minutos no trânsito. Se sair do local de trabalho pelas 17h, esse número baixa para 37 minutos.