As vendas de usados cresceram 31,1% em outubro (depois de, em setembro, terem verificado um crescimento de 36,2%). Portugal perfila-se no cenário europeu como um “grande importador de usados”, diz o relatório INDICATA.

Com as vendas de usados a registarem bons desempenhos na Europa e os níveis de stock a cair em relação aos níveis de junho, “era invetivável que os níveis de stock pudessem atuar como um constrangimento às vendas, especialmente em Portugal”, diz o relatório INDICATA.

É claro, no entanto, que os retalhistas têm aumentado os níveis de stock para fazerem frente à procura, embora tal tenha acontecido no período anterior às restrições adicionais para fazer face à pandemia. Esta realidade pode significar que a oferta venha a ultrapassar a procura até ao final deste ano.

A oferta continua condicionada em Portugal. As vendas, diz o relatório INDICATA, estão a ser alimentadas a partir de stock que o mercado está a ter dificuldade em reabastecer. Um cenário que se traduz numa queda dos níveis de stock de usados, em termos mensais, de 4% em setembro e mais 2,5% em outubro.

BEV (+117%) e híbridos (+91%) viram as suas vendas crescer exponencialmente, uma vez que foram impulsionados pela baixa rotação de stock. As vendas de gasolina, por seu turno, aumentaram 85% e, juntamente com a rotação de stock elevada, revelam o condicionamento desse segmento.

O sector dos veículos com 1-2 anos de idade continua a ser o que apresenta maiores oportunidades, conclui ainda o observatório INDICATA. As vendas de veículos com esta idade aumentaram 81% e o stock está a rodar em 7,4x, o que significa um aumento de 56% face a 2019. Pese embora a existência de uma elevada procura e crescimento nas vendas, a importação de automóveis tem ajudado a estabilizar os preços, “embora isso signifique que os preços estejam agora a superar o declínio natural do ciclo de vida do produto, esperado para a nossa amostra constante e consistente de veículos”, refere o INDICATA.

O caso europeu

O resultado combinado de procura por usados durante o mês de outubro nos mercados europeus foi positivo: +12,45%. Ainda assim, a taxa de crescimento anual abrandou, uma vez que as vendas totais caíram -1,0% face a setembro.

Quem o diz é o INDICATA, que conclui, no seu relatório mensal, que a segunda vaga da COVID-19 – em ascenção desde final de agosto até outubro – e os consequentes bloqueios e medidas restritivas dos diferentes governos europeus levam ao abrandamento da procura por veículos usados.

E embora a maioria dos executivos europeus tenha permitido aos retalhistas de automóveis manterem as suas atividades, alguns, como é o caso do Reino Unido e da França, fecharam mesmo os stands automóveis. Ainda assim, diz o INDICATA, os retalhistas relatam que mesmo nos países onde os clientes ainda podem entrar num stand e comprar um automóvel, o número de clientes está a diminuir devido às preocupações com o aumento de infeções da COVID-19 e à pressão exercida pelos Governos nacionais para evitar viagens não essenciais.

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ICE ainda têm peso no mercado de usados

As motorizações alternativas continuam a superar os seus equivalentes tradicionais ICE com BEV e híbridos (aumentaram as suas vendas mais de 100% relativamente a outubro de 2019), mas olhando para o panorama geral, a rotação de stock mantém-se lenta em 4,5 vezes para os BEV, o que vem representar uma melhoria de 6% relativamente ao mesmo período do ano passado e praticamente constante relativamente aos 4,4x de setembro. Embora os híbridos tenham registado uma estagnação na rotação de stock em outubro (5,3x), estes apresentam um aumento de 18% em termos homólogos.

Considerando a procura por veículos ICE, esta diminuiu relativamente a setembro, com a rotação de stock do gasóleo a 7,4x e a gasolina a 6,7x – aumento 25% em termos homólogos para o diesel e 29% para a gasolina.

Resultado? Maior variedade de veículos de motorizações alternativas disponível para satisfazer a procura que ficam em stock nos retalhistas por mais tempo do que os tradicionais ICE – onde a oferta fica aquém da procura em outubro.

A COVID-19 mantém o seu impacto na procura de usados e afeta o mercado em todas as idades. O abrandamento da taxa de crescimento das vendas de usados é consistente em todas as idades de veículos. A redução de vendas em termos homólogos para veículos com menos de um ano continua a ser motivada pela menor atividade nas viaturas de demonstração dos concessionários e do mercado de Rent-a-Car, que se perfila como uma das principais fontes deste segmento, diz o INDICATA.

Os níveis de stock

Durante o mês de outubro houve um aliviar dos níveis de stock à medida que a oferta aumentou através das retomas e veículos de aluguer. Ainda assim, a desaceleração no crescimento das vendas pode significar que os retalhistas podem ter comprado stock a mais para novembro, à medida que se assiste ao crescendo de restrições generalizadas sobre os movimentos dos consumidores – aliadas ao facto de dezembro ser tradicionalmente um mês menos ativo para os os retalhistas de automóveis.