A Brisa anunciou a criação da marca Via Verde Eletric, uma rede de 82 pontos de carregamento que estarão em funcionamento nas suas áreas de serviço antes do final de 2021.

Uma das novidades deste novo serviço será a possibilidade de aceder aos pontos de carregamento da rede Brisa e fazer o respetivo pagamento através da aplicação da Via Verde.

Numa parceria com a BP, a Cepsa, a EDP Comercial, a Galp Electric, a IONITY e a Repsol, o investimento global de dez milhões de euros da Brisa no serviço Via Verde Eletric prevê a instalação de novos pontos de carregamento elétricos rápidos e ultrarrápidos nas autoestradas nacionais.

“Um projeto que era fundamental”, disse Vasco de Mello, presidente do Conselho de Administração da Brisa, na abertura da sessão de apresentação do Via Verde Eletric, que contou com a presença de António Pires de Lima, CEO da Brisa, de Diogo Torcato, diretor de Projeto de Carregadores Elétricos Brisa e de João Matos Fernandes, ministro do Ambiente e da Ação Climática.

Mobilidade sustentável nas autoestradas

A Via Verde Eletric será a maior rede de longa distância de carregamentos elétricos portuguesa. Presente de norte a sul de Portugal, a rede permitirá aos condutores de veículos elétricos (VE) viajarem longas distâncias com maior comodidade e conveniência.

Uma rede de carregamentos elétricos que, diz a Brisa, visa enfrentar, por um lado, a tendência de crescimento dos veículos elétricos na frota nacional durante os próximos anos, ao mesmo tempo que procura satisfazer as necessidades de todos os veículos que circulam nas autoestradas nacionais, incluindo os VE.

Mobilidade elétrica: Comissão Europeia tem visão muito distante da realidade atual, diz ACEA

Serão disponibilizadas soluções de carga rápida de 50 kW e ultrarrápida de 150 a 350 kW numa rede de estradas com 1.124 km – um “importante contributo para a mobilidade elétrica nacional”, diz Diogo Torcato.

Espera-se, assim, que no final de 2021 haja em operação:

  • 28 carregadores na A1 Lisboa-Porto
  • 22 carregadores na A2 Lisboa-Algarve
  • 12 carregadores na A6 Ligação Espanha via Badajoz

Os novos pontos de carregamento ficam instalados junto à zona de restauração das áreas de serviço Colibri.

A rede Via Verde Eletric não inclui as áreas de serviço urbanas da rede Brisa (Oeiras, na A5, Coronado-Trofa, na A3 e Águas Santas, na A4), uma vez que estas terão uma oferta diferenciada e adaptada às necessidades do tráfego urbano, com os respetivos projetos atualmente em preparação.

Porquê Via Verde Eletric?

“Porque Via Verde é um serviço que todos conhecemos em Portugal que está ligado à mobilidade, à conveniência e à rapidez”, refere Diogo Torcato.

Via Verde Eletric será uma marca que estará presente de forma transversal numa rede de 40 áreas de serviço em convivência com parceiros.

Banalização da mobilidade elétrica

António Pires de Lima considera que a nova rede Via Verde Eletric será “uma peça fundamental para a transição energética”. O CEO da Brisa diz que a empresa quer contribuir para a construção de uma mobilidade consciente que “dê resposta aos desafios maiores do nosso tempo” e, com isso, tornar as autoestradas nacionais “limpas de carbono”.

Já João Matos Fernantes destacou a importância de um projeto desta envergadura na eliminação da range anxiety ainda sentida por muitos portugueses. “Esta é a desculpa que muitos utilizam” [a do tempo que demoram a abastecer o seu depósito com combustível]. “A desculpa que tinham vai acabar no próximo Verão”, diz.

O ministro do ambiente fez ainda um apelo à compra de VE: “porque a procura é grande, [os portugueses] devem começar já a fazer as suas encomendas se estão a pensar em carros novos”.

Infraestruturas de carregamento não estão a acompanhar a procura de veículos elétricos na Europa, diz ACEA

Parceiros

Pedro Oliveira, presidente da bp Portugal, destaca as décadas de parceria entre a Brisa e a bp, além do objetivo da petrolífera em “ser solução da transição energética” com esta parceria.

Vera Pinto Pereira, administradora executiva da EDP e presidente da EDP Comercial, refere a importância da parceria com a Brisa, que permitirá assegurar mais e melhores opções no carregamento elétrico fora de casa. A responsável diz que os novos pontos de carregamento assegurarão a ligação entre os corredores rodoviários mais importantes em Portugal, e não esconde o desejo da elétrica nacional em “chegar aos mil pontos de carregamento até final de 2021”.

Marcus Groll, managing director e COO da IONITY GmbH, salienta a crescente quota de mercado de VE em Portugal como fator importante do posicionamento da IONITY no nosso país, assegurando que “as viagens de longa distância elétricas serão uma realidade quando a IONITY estiver instalada”.

Rui Romano, diretor da Rede de Retalho da Cepsa Portuguesa, diz que “a urgência climática e a necessidade de redução de emissões coloca o desafio de promover opções energéticas mais limpas e, por outro lado, manter a economia em funcionamento”. O responsável da Cepsa, que mantém uma aliança com a IONITY para cobrir os principais corredores da península ibérica em 35 áreas de serviço Cepsa, diz que as primeiras instalações de carregamento ultrarrápido chegarão em março de 2021.

Sofia Tenreiro, administradora executiva da Galp, foca-se na sustentabilidade e na importância que esta tem tido na estratégia da Galp nos últimos anos. Para a responsável, “a mobilidade elétrica é um passo natural”, e investir na transição energética é ajudar os consumidores de VE a fazerem as suas viagens mais comodamente.

Armando Oliveira, administrador delegado da Repsol Portuguesa, acredita que a presença da Repsol neste projeto vai fazer avançar a mobilidade elétrica em Portugal e permitirá instalar carregadores elétricos que contribuirão para a renovação da frota automóvel no nosso país.