Conduz-se com um pedal e não tem ingnição

A segunda razão do título parece óbvia: sendo o Volvo XC40 Recharge um elétrico puro, não tem motor de combustão, logo não existe ignição. Então, por que motivo falamos disso e que história é esta de se conduzir só com um pedal?

A designação “Recharge” significa que este Volvo é um carro que se liga à corrente.

Neste caso, precisa mesmo de o fazer para se deslocar, uma vez que é 100% elétrico.

É o primeiro modelo exclusivamente elétrico da marca sueca, numa gama desenvolvida desde o início para conter todos os tipos de motorização, incluindo “plug-in”. A gasóleo, novo, já não existe, mas há ainda com dois motores a gasolina de 129 ou 163 cv.

Sem grande surpresa, o XC40 é a gama mais vendida da marca. E no que toca às versões eletrificadas há razões para acreditar num sucesso ainda maior, uma vez que já está disponível uma versão com preço mais acessível, equipada com apenas um motor elétrico e bateria de menor capacidade.

E se para a gama contar também a versão Coupé do XC40 (que perde por isso o X e passando a designar-se apenas C40), o êxito da gama pode vir a crescer.

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A dinâmica de condução é seguramente um dos aspetos que melhor define o XC40 P8.

Ainda assim, é um modelo que se deixa conduzir em dois tempos: um, de modo mais sereno e eficiente, usando de forma quase exclusiva o pedal do acelerador; numa condução mais descontraída, que permita antecipar a necessidade de reduzir a velocidade (por exemplo, na aproximação de obstáculos ou cruzamentos), o doseamento correto da força exercida sobre este pedal permite ao condutor servir-se do motor como travão, de forma mais ou menos progressiva consoante é feito o alívio da pressão do pé direito.

O pedal de travão está disponível em caso de necessidade ou de emergência, mas a habituação a este modelo de condução contribui para recuperar autonomia, dado que o motor é utilizado para regenerar a energia que provém da desaceleração.

O condutor pode optar por desligar esta solução para obter uma condução mais fluída.

Seguramente esta será a melhor forma de tirar partido dos 408 cv que resultam da ação combinada dos dois motores elétricos presentes na versão P8, que possibilitam uma capacidade de aceleração tão surpreendente (4,9 segundos dos 0 aos 100 km/h) quando dispendiosa de energia.

Por causa destes dois motores, 204 cv sobre cada eixo, o XC40 P8 pode reivindicar tração integral, útil fundamentalmente para transmitir uma confiança ainda maior sobre pisos mais escorregadios.

xc40

Interior “simples”

Apesar de concorrer a um segmento premium, existe uma certa simplicidade interior no XC40. A “simplicidade” começa na ausência de botão de arranque, o que até faz sentido, uma vez que podemos aceder ao interior através do sistema de abertura de portas sem chave e, para colocar o carro a andar, é preciso pressionar o pedal do travão e só depois manobrar o manípulo que comanda o sentido da marcha.

Além da pureza do traço do tablier, a mesma ideia de “simplicidade” está na ausência de comandos físicos ou até nas aplicações disponíveis no painel digital.

A tecnologia digital controlável a partir deste ecrã tátil de nove polegadas funciona sobre a plataforma da Google, tronando bastante familiar o funcionamento do sistema. Com a integração do telefone e o Google Maps a servir de equipamento de navegação, passamos também a contar com informações extremamente úteis à mobilidade elétrica: a percentagem de bateria com que o carro chegará ao destino escolhido no mapa (de uma forma surpreendentemente precisa), ou ainda a localização dos carregadores mais próximos ao longo do trajeto.

Esta acaba por ser a única informação de autonomia em termos de quilómetros que existe. A outra, disponibilizada no painel digital de 12 polegadas atrás do volante, revela apenas a percentagem de bateria ainda disponível.

O facto de este XC40 ser um carro “pesado” e bastante potente obriga-o a ter uma suspensão mais firme.

Porém, isso não é impeditivo de conforto e, a menos que o piso seja profundamente irregular, também mostra ser um carro bastante bem insonorizado.

À frente garante boa habitabilidade e atrás a posição do banco facilita no que ao conforto diz respeito.

Mas a capacidade de bagageira ressente-se com a presença do motor traseiro e, por essa razão, disponibiliza apenas 413 litros. Uma perda de 37 litros face às restantes versões, compensada com um compartimento impermeável à frente, sob o capot: coberto por uma tampa, existe espaço suficiente para recolher um fato de mergulho e as barbatanas, ou toda a tralha que os miúdos gostam de levar para a praia e que quase sempre regressa cheia de areia. Mas também útil para transportar os cabos utilizados para carregar a bateria.

Impressões

Com uma autonomia superior a 400 km em cidade, em estrada é mais razoável esperar algo em torno dos 300 km.

Ou um pouco mais, se nos dispusermos a fazer uso da função regeneradora do pedal do acelerador.

Se assim for, é possível alcançar médias de consumo entre os 18 e os 19 kWh/100 km, abaixo do valor de homologação WLTP.

Mas sempre que se imprimiu um andamento mais ágil (e com as capacidades dinâmicas que revela, fazê-lo é uma tentação…), rapidamente as médias treparam para os 24 kWh/100 km, na linha daquilo que a marca anuncia.

Uma das vantagens do XC40 está na rapidez de carregamento, dado que o sistema pode receber até 150 kW de corrente contínua.

Isto permite-lhe recuperar 80% dos 75 kWh em apenas meia hora (esta é a capacidade útil da bateria), mas a tarefa mais difícil ainda é encontrar disponível um posto com esta velocidade de carregamento.

Existe uma função no painel de bordo que permite limitar o carregamento da bateria (impedindo-a de carregar por completo), como forma a aumentar a sua longevidade.

Ligado a uma wallbox de corrente alterna, que permita tirar partido dos 11 kW de potência máxima de carregamento interno, precisa de sete horas e meia para recarregar totalmente, ou menos duas horas se for até 80%.

Ligado a uma vulgar tomada doméstica com o adaptador da viatura pode demorar mais de um dia a fazê-lo; daí que seja de todo recomendável a instalação de uma wallbox.

Para empresas, o XC40 P8 Recharge é proposto dentro do limite dos 62.500 euros (mais IVA) que permite aceder aos benefícios fiscais que vigoram para veículos exclusivamente elétricos.

E passou a haver uma versão mais acessível do XC40 Recharge em Portugal: com apenas um motor de 231 cv instalado sobre o eixo da frente, o XC40 P6 difere ligeiramente nas características de carregamento e autonomia, uma vez que possui uma bateria com 69 kWh (67 kWh de capacidade útil).

Mas custa uns bons milhares de euros a menos.