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Câmara Municipal da Maia: frota mais verde e mais digitalizada

24 de Julho de 2025

Entre 2020 e 2025 o Município da Maia reduziu em 60% o consumo de combustíveis fósseis na sua frota, diminuindo em 45% as emissões de CO2. A maioria das viaturas é agora elétrica ou híbrida plug-in e utiliza eletricidade de fontes renováveis. A gestão partilhada e eficiente da frota melhorou a disponibilidade de viaturas, minimizou conflitos e otimizou a quilometragem anual efetuada por cada unidade. Esta transição é um dos pilares do compromisso da Maia com a neutralidade carbónica até 2050

A Câmara Municipal da Maia iniciou em 2022 a transição da frota tradicional para uma frota elétrica e partilhada, alinhada com os objetivos de neutralidade carbónica. A iniciativa envolveu a substituição por viaturas elétricas e híbridas, implementação de sistemas de gestão com geolocalização e um modelo de autocondução e partilha. Os ganhos mais imediatos foram a redução do consumo de combustíveis fósseis, o aumento da disponibilidade de viaturas, uma maior eficiência e a satisfação dos colaboradores, aspectos que Adelina Rodrigues destacou, em setembro de 2023, na 1.ª Conferência Gestão de Frotas realizada no Porto.

Entre os desafios na altura apresentados destacavam-se alguma resistência interna à mudança, problemas com a plataforma de gestão e questões logísticas com os carregamentos e manutenção das viaturas.

Passados três anos, é o momento de fazer um balanço detalhado do projeto: perceber o que mudou, que metas foram atingidas, que obstáculos persistem e como se projetam os próximos passos, sobretudo nas áreas da gestão, eficiência, satisfação dos utilizadores e sustentabilidade ambiental.

Quais foram os principais objetivos definidos em 2022 com a transição da frota?

Em 2022, definimos como principais objetivos, no âmbito do compromisso da Câmara Municipal da Maia com a neutralidade carbónica e a sustentabilidade energética, em conformidade com o PAES Maia (Plano de Ação para a Energia Sustentável da Maia) e o Pacto dos Autarcas, a redução das emissões de gases com efeito de estufa e do consumo de combustíveis fósseis da frota municipal.

Também quisemos promover a mobilidade elétrica e a partilha de viaturas como novo paradigma de utilização racional, e implementar um sistema digital de gestão de frota, com geolocalização, controlo de consumos, quilometragem, imobilização e rotas.

Outro dos nossos focos foi melhorar a eficiência e a qualidade da frota, substituindo viaturas envelhecidas e com baixa fiabilidade. Além disso, procurámos aumentar a motivação e satisfação dos colaboradores, com maior disponibilidade de viaturas e um regime de autocondução mais flexível.

Por fim, pretendemos servir de exemplo no território, promovendo práticas alinhadas com o desenvolvimento sustentável.

Em que medida esses objetivos foram alcançados até agora?

Três anos depois do início da implementação da nova estratégia de mobilidade os objetivos definidos foram largamente alcançados, com impactos concretos e mensuráveis. Para começar, registámos uma redução muito significativa no consumo de combustíveis fósseis. Em termos práticos, passámos de um gasto anual de cerca de 250 mil euros para apenas 100 mil euros na frota da Câmara Municipal da Maia.

Também conseguimos reduzir de forma muito expressiva as emissões diretas de CO2 associadas à frota, sobretudo graças à introdução massiva de viaturas elétricas. Hoje, estas viaturas com zero emissões representam a esmagadora maioria da nossa frota partilhada.

Outro resultado muito importante foi a substituição e rejuvenescimento da frota. Reduzimos a idade média das viaturas de 18 para apenas 4 anos, o que tem impacto direto não só na fiabilidade e conforto, mas também na segurança e na eficiência operacional.

A nível de gestão, o modelo de bolsa partilhada e de autocondução permitiu aumentar de forma clara a disponibilidade das viaturas. Estamos a utilizar os recursos de forma muito mais eficiente, o que se traduz em mais respostas dadas e tempos de espera mais reduzidos.

Finalmente, melhorámos significativamente a satisfação dos utilizadores. Hoje há mais flexibilidade, mais previsibilidade e, acima de tudo, mais confiança no sistema. Os colaboradores sentem-se mais apoiados e isso reflete-se diretamente na qualidade do serviço prestado.

Quais foram as maiores mudanças observadas na organização desde a implementação da frota elétrica e partilhada?

As mudanças foram profundas e transversais.

Em primeiro lugar, destaco a transformação cultural e digital. A introdução do regime de autocondução, aliada à plataforma de gestão digital, mudou completamente o paradigma da mobilidade interna. Passámos a ter mais autonomia, maior responsabilização por parte dos colaboradores e um novo olhar sobre a forma como nos deslocamos em serviço.

Houve também uma clara melhoria na eficiência operacional. As viaturas estão hoje mais disponíveis, são utilizadas de forma mais racional e conseguem servir um maior número de unidades. Isso permite-nos dar respostas mais rápidas e eficazes às necessidades do município.

Outro aspeto muito positivo foi a valorização dos colaboradores. A previsibilidade nos meios de transporte aumentou a motivação, a confiança e, naturalmente, a produtividade. Que se reflete diretamente na qualidade do serviço que prestamos aos munícipes.

Do ponto de vista económico e ambiental, a mudança representou uma redução de custos e um aumento da sustentabilidade. Conseguimos racionalizar recursos e obter benefícios concretos em várias frentes: ambiental, financeira e organizacional.

Também não posso deixar de sublinhar que esta aposta fez do Município da Maia um caso de estudo. Somos hoje reconhecidos a nível nacional como exemplo de boa prática em mobilidade pública sustentável, algo que muito nos orgulha e nos motiva a continuar neste caminho.

A plataforma de gestão de frota está a funcionar conforme o previsto? Que melhorias foram feitas desde a sua implementação?

Sim, neste momento a plataforma está a funcionar conforme o previsto e tem sido uma mais-valia para a gestão diária da nossa frota. Desde logo, permite-nos acompanhar a geolocalização em tempo real das viaturas, o que facilita muito o planeamento e a gestão de recursos.

Adicionalmente, implementámos o controlo de imobilização remota, que veio melhorar significativamente a segurança e a disciplina na utilização das viaturas.

Temos também acesso à monitorização detalhada dos consumos energéticos e da autonomia, tanto para viaturas elétricas como híbridas, o que é fundamental para garantir a eficiência da operação.

Outra funcionalidade importante é o histórico completo de quilometragem, reservas, avarias e intervenções, que tem sido essencial para fazermos um planeamento preventivo rigoroso.

Como a plataforma e o nosso sistema de carregamento funcionam de forma integrada, isso permite-nos acompanhar os consumos por carregamento e otimizar os turnos de carga. Tudo isto contribui para uma gestão mais eficiente e sustentável da frota.

Finalmente, estes dados também são úteis para ajustar a alocação de veículos, melhorar a eficiência logística e reforçar a manutenção preditiva.

Porque é que a gestão preditiva é um fator decisivo para frotas elétricas

E os sistemas de geolocalização e controlo têm sido eficazes?

Os sistemas de geolocalização e controlo, nomeadamente os imobilizadores remotos, têm-se revelado altamente eficazes e desempenham hoje um papel central na gestão inteligente e segura da frota municipal.

Uma das funcionalidades destacadas como fundamentais é a capacidade de identificação de condutores nas diversas rotas efetuadas pelas suas viaturas.

A instalação de um equipamento de leitura de cartões/tags RFID tornou possível fazer controlo de acessos às viaturas (através dos próprios cartões de colaborador da C.M.Maia) para que, aquando da utilização da viatura por parte de um colaborador, este colaborador tenha de proceder à sua identificação. Caso não o faça, o carro fará soar um alarme que alerta o condutor para a necessidade da sua identificação.

Desta forma, os gestores do sistema passam a ter total controlo e informação sobre que viatura estava a ser utilizada em determinado momento.

Houve impacto na taxa de sinistralidade?

Nos primeiros meses após a transição, entre 2022 e 2023, registámos um aumento na taxa de sinistros. Esse aumento estava essencialmente ligado ao período de adaptação dos colaboradores à nova tipologia de veículos, nomeadamente os elétricos, que têm uma resposta de aceleração diferente. Além disso, o novo modelo de autocondução também exigiu uma curva de aprendizagem.

Também houve situações em que se verificou uma utilização incorreta ou precipitada, muitas vezes devido à falta de familiarização com os veículos ou com o novo sistema de reserva e desbloqueio. No entanto, depois de reforçarmos as ações de formação e sensibilização, e com a implementação dos imobilizadores, começámos a assistir a uma redução sustentada da sinistralidade a partir de 2024. Atualmente, os níveis estão muito próximos dos valores registados antes da transição, e até com uma menor gravidade média por sinistro, o que se deve sobretudo às melhores características de segurança passiva dos veículos mais recentes.

E no que diz respeito à manutenção das viaturas?

A manutenção das viaturas teve e continua a ter um impacto muito positivo. A substituição dos veículos a combustão por viaturas elétricas e híbridas plug-in, juntamente com uma gestão preditiva mais rigorosa, permitiu-nos reduzir em cerca de 35 a 40% os custos médios anuais de manutenção por viatura, comparando os valores de 2020 com a projeção para 2025.

Esta redução deve-se a vários fatores: os veículos elétricos têm menos componentes mecânicos sujeitos a desgaste, conseguimos planear a manutenção com base em dados reais (como a quilometragem, os alertas do sistema ou o padrão de uso) e eliminámos muitas das avarias típicas dos motores de combustão, como as que envolvem caixas de velocidades ou sistemas de escape.

Qual tem sido a evolução da aceitação dos colaboradores à nova lógica de partilha e autocondução?

Ao contrário do que se previa, a taxa de aceitação dos colaboradores à nova lógica de partilha e regime de autocondução foi elevada. Houve uma evolução nas primeiras semanas, com algumas questões aqui ou ali, mas, de uma forma geral, correu muitíssimo bem.

A aceitação dos colaboradores aos princípios de partilha e autocondução representa hoje um dos maiores trunfos do projeto de transição da frota municipal.

Naturalmente, na fase inicial, entre 2022 e o início de 2023, houve alguma resistência. O que é normal sempre que se introduzem mudanças profundas. Houve colaboradores que mostraram algum receio com a retirada das viaturas que estavam permanentemente atribuídas às unidades. Havia também preocupações quanto à eventual falta de viaturas disponíveis, à perda de autonomia e à dificuldade de adaptação à nova plataforma digital e ao sistema de reservas. Além disso, o desconhecimento sobre as características dos veículos elétricos, como a autonomia e os processos de carregamento, também contribuiu para esse ceticismo inicial.

Mas à medida que o sistema foi sendo implementado e estabilizado, já em 2023 e 2024, a perceção mudou completamente. As vantagens começaram a ser evidentes: mais viaturas disponíveis, menos conflitos internos, maior previsibilidade na utilização e um acesso mais justo aos veículos. A formação interna, a comunicação contínua e a capacitação digital ajudaram muito neste processo. Os colaboradores começaram a perceber que o novo modelo não retirava autonomia, antes a reforçava de forma mais equilibrada.

Atualmente, em 2025, a grande maioria aderiu naturalmente à lógica da partilha e da autocondução. Os dados mais recentes confirmam isso: mais de 90% dos utilizadores habituais dizem-se satisfeitos ou muito satisfeitos com o sistema, e mais de 85% dos serviços municipais já o utilizam como prática corrente. A partilha deixou de ser vista como uma limitação para passar a ser percebida como uma mais-valia em termos de agilidade e eficiência.

Sentimos, inclusive, um verdadeiro sentimento de apropriação e responsabilidade coletiva na utilização da frota. Isso representa um ganho cultural importante para toda a organização. E esse impacto não é só interno: aumentou a produtividade dos serviços, melhorou a imagem do serviço público e reforçou o compromisso da autarquia com a sustentabilidade e a inovação.

Que ações específicas de sensibilização e formação foram desenvolvidas junto dos colaboradores?

Desde o início do projeto, desenvolvemos um conjunto de ações estratégicas de formação e sensibilização que tiveram um impacto direto na forma como os colaboradores aceitaram, utilizaram e tiraram partido da nova frota elétrica e partilhada. O nosso objetivo foi garantir que todos se sentissem confortáveis e confiantes com esta mudança.

Por um lado, quisemos capacitar os colaboradores para a utilização correta dos veículos elétricos, desde as questões relacionadas com o carregamento, até à autonomia e à condução eficiente. Por outro, era fundamental sensibilizar para os princípios da partilha, para a racionalização dos recursos e, claro, para a importância da sustentabilidade na operação diária.

Sabíamos que poderia haver alguma resistência inicial, por isso, parte destas ações também teve como foco ajudar a superar esse receio e promover a confiança no novo modelo de mobilidade.

Em termos práticos, implementámos sessões de formação presenciais adaptadas ao tipo de utilizador, fossem eles condutores técnicos, administrativos ou gestores. E, durante os primeiros meses, disponibilizámos também acompanhamento individualizado para apoiar cada colaborador na utilização da plataforma digital e das novas rotinas associadas à frota. Isso fez toda a diferença no processo de adaptação.

Como recolhem o feedback dos utilizadores da frota e de que forma essa informação tem contribuído para a evolução do sistema?

Desde o início da implementação da frota elétrica e partilhada que temos procurado ouvir atentamente os utilizadores. Apostámos, desde cedo, em mecanismos informais mas eficazes de recolha de feedback, porque consideramos fundamental monitorizar o desempenho do sistema e identificar oportunidades de melhoria com base na experiência real de quem o utiliza diariamente.

Temos um canal direto de comunicação com a equipa de gestão da frota, através de um email funcional, e realizamos reuniões periódicas com representantes das diferentes unidades orgânicas. Isso permite-nos recolher impressões, dúvidas, sugestões e até alertas, de forma muito próxima e prática.

Além disso, analisamos também os dados de utilização da própria plataforma, como as taxas de cancelamento de reservas, erros frequentes ou reclamações relacionadas com a geolocalização ou o funcionamento dos imobilizadores.

Do lado dos utilizadores, têm sido reportadas situações como avarias pontuais, sugestões de melhoria do sistema ou questões relacionadas com segurança no acompanhamento e na assistência em estrada. Tudo isso tem sido essencial para fazermos ajustes e evoluirmos o sistema de forma contínua.

O novo modelo traduziu-se também em melhorias no serviço prestado aos munícipes?

Sim, sem dúvida. O novo modelo teve um impacto positivo e mensurável na qualidade do serviço prestado aos munícipes. Embora a mudança tenha sido inicialmente pensada como uma resposta interna a desafios de eficiência e sustentabilidade, os benefícios repercutiram-se de forma muito clara no exterior.

Por exemplo, hoje conseguimos responder com maior rapidez aos pedidos dos munícipes. O facto de termos mais viaturas disponíveis e uma gestão partilhada mais eficiente reduziu significativamente os tempos de espera para intervenções técnicas, inspeções urbanas, apoio social e visitas domiciliárias. Os serviços técnicos, por exemplo, conseguem agora responder a mais solicitações por dia, com deslocações mais curtas e bem planeadas.

Também passámos a ter muito mais previsibilidade e fiabilidade nas deslocações. Com menos falhas de viaturas e um sistema de manutenção preventiva baseado em dados, conseguimos evitar interrupções inesperadas e garantir que estamos sempre em condições de dar resposta. Outro aspeto importante é a sustentabilidade. O uso de viaturas elétricas reduziu a pegada ambiental das deslocações e contribuiu para um ambiente mais silencioso, especialmente em zonas residenciais e escolares.

Este modelo melhorou ainda a gestão do tempo dos colaboradores. Com acesso facilitado a viaturas em regime de autocondução, perdem menos tempo à espera de transporte e passam mais tempo no terreno, o que se traduz em mais produtividade e maior contacto direto com os munícipes.

Tudo isto tem reflexo direto na satisfação das pessoas, que percebem hoje um serviço mais ágil, mais próximo e melhor organizado. E isso também tem reforçado a imagem institucional da Câmara Municipal da Maia, que é hoje vista como uma entidade inovadora e verdadeiramente comprometida com a sustentabilidade.

Além disso, este projeto criou uma cultura de exemplaridade. Ao liderarmos pelo exemplo, estamos também a influenciar positivamente comportamentos na comunidade, desde a adoção da mobilidade elétrica até à valorização da partilha e da descarbonização.

A infraestrutura de carregamento atual é suficiente? Existem planos de expansão?

A infraestrutura de carregamento instalada desde 2022 tem sido suficiente para responder às necessidades operacionais da frota municipal elétrica. Mas, como tivemos uma taxa de adesão muito elevada ao modelo de autocondução e partilha, e também porque prevemos um crescimento da frota de veículos elétricos nos próximos tempos, já tomámos medidas para reforçar a rede. Começámos com 59 pontos de carregamento e atualmente contamos com 72 distribuídos por vários edifícios municipais. A rede cobre as necessidades da frota em regime normal, permitindo um carregamento planeado e escalonado com base em turnos e na monitorização em tempo real das autonomias.

Como já referi, toda a infraestrutura está integrada com o sistema de gestão de frota. Isso permite-nos ter um registo individual dos consumos e do histórico de carregamentos de cada viatura. Evitamos sobrecargas e conseguimos otimizar o consumo energético de forma muito mais eficiente. E sim, estão em curso novos planos de expansão e otimização para dar resposta ao crescimento previsto da frota.

12 boas práticas para uma frota mais eficiente, responsável e sustentável

A iniciativa tem inspirado outras mudanças dentro da autarquia ou no território?

Sem dúvida. A transição da nossa frota municipal para um modelo elétrico, partilhado e inteligente, tem servido de inspiração não só dentro da própria autarquia, mas também no território. Acabou por se tornar uma referência prática de inovação na administração pública e um sinal claro do nosso compromisso com as metas climáticas.

Dentro da autarquia, por exemplo, começámos a replicar o modelo de gestão inteligente noutras áreas. O sucesso da plataforma de gestão de frota levou-nos a analisar a possibilidade de aplicar sistemas semelhantes à gestão energética dos edifícios, à manutenção das infraestruturas e até ao controlo de equipamentos urbanos.

Também começámos a integrar critérios ambientais e energéticos nos processos de contratação pública, seja em contratos de locação, de manutenção ou serviços externos. Ao mesmo tempo, notámos que a sensibilização feita com os colaboradores ao longo deste processo teve um impacto claro na cultura interna. Hoje há mais abertura para práticas como a mobilidade ativa como andar a pé ou de bicicleta entre edifícios, o uso racional de energia e papel, e uma maior participação em iniciativas ligadas à sustentabilidade organizacional.

A própria dinâmica da frota acabou por acelerar outros projetos paralelos, como a instalação de painéis fotovoltaicos nos edifícios municipais, projetos-piloto de telemetria ambiental e energética e até propostas para rever toda a logística interna com base na pegada de carbono.

Mas o impacto não ficou dentro de portas. Começámos a notar um verdadeiro efeito de demonstração junto da comunidade. Há empresas e instituições no concelho que também procuram modelos semelhantes de mobilidade partilhada e de eletrificação das suas frotas, claramente inspiradas naquilo que fizemos.

Além disso, temos recebido muito interesse por parte de outros municípios. A nossa experiência tem sido referida em conferências nacionais, e já acolhemos várias visitas técnicas e pedidos de partilha de boas práticas.

Por fim, este projeto foi também integrado na comunicação do BaZe – Living LAB Maia, como parte do ecossistema de inovação e transição verde. Tem reforçado muito a imagem do nosso município enquanto território laboratório para a sustentabilidade.

Esta iniciativa provou que a mudança não precisa ser apenas funcional e que pode ser cultural e transformadora. Hoje, o Município da Maia não é apenas mais eficiente; é também mais consciente, mais inspirador e mais preparado para liderar o caminho para um território sustentável.

Para terminar: quais são os objetivos e projetos para a frota municipal nos próximos dois a três anos?

O trabalho de transição energética e digital da frota municipal está numa fase de consolidação e expansão e nos próximos dois a três anos, o nosso foco será a melhoria contínua da eficiência, sustentabilidade e inteligência do sistema. Mas também a adaptação às necessidades críticas de determinados serviços operacionais.

Temos cinco grandes objetivos estratégicos traçados para o período 2025–2028: consolidar a plataforma de gestão integrada, agregando dados de frota, carregamentos, manutenção e desempenho ambiental; expandir a rede de carregadores elétricos, com integração de sistemas fotovoltaicos para autoconsumo e carregamento inteligente; renovar todas as viaturas a combustão ainda em operação, dando prioridade a veículos elétricos e ligeiros de carga; adotar tecnologias preditivas baseadas em algoritmos de machine learning para otimizar manutenção, rotas e eficiência; e, finalmente, implementar um sistema de incentivos internos para premiar a utilização eficiente e sustentável das viaturas por parte dos colaboradores.

Mas quero destacar um ponto que consideramos fundamental: a resiliência operacional. Em serviços críticos, como a Proteção Civil ou a Polícia Municipal, vamos apostar em viaturas híbridas plug-in. Esta é uma decisão estratégica que tem a ver com a autonomia e a capacidade de resposta, principalmente em cenários de emergência ou falhas na rede elétrica, como o apagão recente que afetou o país e expôs vulnerabilidades.

Estas viaturas híbridas permitem-nos combinar a mobilidade elétrica no uso urbano com a segurança e a flexibilidade de uma propulsão convencional em situações urgentes ou em zonas mais remotas. Queremos que a sustentabilidade ande lado a lado com a responsabilidade e que os nossos serviços estejam sempre prontos para dar resposta, em qualquer circunstância.

O futuro da frota municipal da Maia continuará a ser sustentável, mas também se quer inteligente e resiliente. Vamos continuar a liderar pela inovação, mas sem nunca descurar a capacidade de resposta às necessidades reais do território e dos nossos munícipes.

*Na fotografia: Adelina Fernanda Magalhães Rodrigues, Chefe Divisão de Energia e Mobilidade da Câmara Municipal da Maia. Desde julho de 2019 que é responsável pela equipa que gere a frota e as diversas necessidades de mobilidade do município

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