Com uma queda superior a 7%, a venda de carros novos em Portugal afunda-se e está praticamente ao nível dos valores de 2020.

Se os valores de dezembro deste ano forem iguais ou semelhantes aos de novembro, o volume de matrículas de automóveis ligeiros, no final de 2021, pode mesmo ficar abaixo de 2020, ano em que a atividade comercial foi alvo de diversos confinamentos prolongados.

A queda é generalizada a praticamente todos os mercados europeus.

Alemanha, Espanha, e França, três dos maiores mercados da União Europeia, registaram igualmente quebras importantes no segmento dos ligeiros de passageiros:

  • Na Alemanha, o registo mensal de 198.258 automóveis de passageiros representou menos 31,7% do que no mesmo mês do ano anterior. No mercado alemão, sistematiza a agência KBA, as matrículas para empresas recuaram 30,6% (61,5% do mercado), enquanto as matrículas para particulares caíram 33,4%. Com 6.232.061 matrículas efetuadas entre janeiro e novembro de 2021, o segmento dos ligeiros de passageiros está a perder 4% face ao mesmo período de 2020;
  • Em Espanha, as 66.399 matrículas de VLP revelam uma descida de 12,3%, quando comparado com novembro de 2020. Mesmo assim, uma ligeira recuperação em relação aos números dos últimos quatro meses, rmostram os dados da ANFAC, que contabiliza um crescimento anual do mercado VLP de apenas 3,8%. Em novembro, o Dacia Sandero voltou a ser o modelo mais matriculado em Espanha;
  • Em França, as 121.995 matrículas de novembro de 2021 representam uma queda homóloga dos registos anuais de 3,21%. Com 1.500.887 matrículas de ligeiros de passageiros, o mercado francês cresce 2,53% no total das vendas acumuladas nos primeiros 11 meses deste ano.

De acordo com os dados fornecidos pela ACAP, até ao final de novembro de 2021, este foi o comportamento do comércio de carros novos em Portugal:

mercado carros novembro 2021

A razão desta queda contínua do mercado, como é sabido, está na falta de capacidade de entrega de carros novos por parte das marcas, devido à escassez de alguns componentes para os produzir.

Neste artigo publicado na edição de novembro da Fleet Magazine e aqui atualizado explicamos o cenário atual:

Dossier: A tempestade perfeita para a indústria automóvel (I)

Este é o TOP 12 das marcas no segmento de ligeiros de passageiros:

Marca Jan/Nov 2021 Variação anual
1.º Peugeot 15 761 8,6 %
2.º Renault 13 958 -13,8 %
3.º Mercedes-Benz 10 655 -17,5 %
4.º BMW 10 627 10,9 %
5.º Citroën 8 117 8,2 %
6.º Toyota 7 220 28,4 %
7.º Hyundai 6 974 45,5 %
8.º Volkswagen 6 952 11,3 %
9.º Seat 5 999 -4,6 %
10.º Nissan 5 460 -18,2 %
11.º Kia 4 849 57,8 %
12.º Opel 4 801 13,4 %

Destaque para a resiliência da Peugeot, uma marca que tem sido menos afetada pelos problemas na indústria e que está a ser a solução para algumas empresas conseguirem renovar a sua frota de carros.

A Peugeot tem, além de mais, crescido na oferta de modelos elétricos e híbridos plug-in.

Duas outras marcas do grupo PSA fazem também parte desta lista e estão a crescer face a 2020: Citroën e Opel.

Em evidência também o forte crescimento da Hyundai e da Kia. O grupo coreano tem igualmente resistido à escassez de oferta de carros novos e também aumentado a sua presença no sector dos veículos elétricos e híbridos plug-in.

Crescimento da quota de mercado da BMW que se aproxima dos valores da Mercedes-Benz que está em queda.

Crescimento da força da Toyota no mercado português e recuperação contínua da Volkswagen.

Este é o TOP 10 das marcas no segmento de ligeiros de mercadorias:

Marca Jan/Nov 2021 Variação anual
1.º Renault 4 691 38,5 %
2.º Peugeot 4 667 -5,4 %
3.º Citroën 3 003 -12,3 %
4.º Fiat 2 262 3,3 %
5.º Toyota 2 089 38,1 %
6.º Ford 1 681 -0,2 %
7.º Opel 1 485 -13,2 %
8.º Volkswagen 1 050 7,8 %
9.º Mercedes-Benz 1 033 2,6 %
10.º Iveco 941 15,6 %

Em contraste, as três marcas do grupo PSA que produzem o modelo mais importante na fábrica em Portugal estão em queda: Peugeot (Partner) Citroën (Berlingo) e Opel (Combo).

A Renault sobe muito impulsionada pela nova Renault Kangoo, mas também pelo anterior modelo que se mantém em stock e que, ao contrário da nova geração, ainda é Classe 1 nas portagens nacionais (mesmo sem dispositivo automático de cobrança).

A Toyota sobe igualmente no sector dos ligeiros de mercadorias, empurrada pelo sucesso da Hilux e pelo aumento da presença, neste segmento, através das Proace.

A Volkswagen está igualmente a crescer e deve parte deste resultado à nova Volkswagen Caddy que venceu o Prémio Fleet Magazine destinado aos veículos comerciais.

Volkswagen Caddy 2.0 TDI é “Carro Comercial de Empresa” nos Prémios Fleet Magazine 2021

Consulte as tabelas da ACAP relativas a automóveis ligeiros