A Dacia tem revelado um crescimento a nível europeu e em Portugal que só pode ser surpresa para os mais distraídos. Outrora considerada marca “low-cost” por muitos, “marca racional” pelos próprios, hoje há mais empresas que a procuram por dispor de oferta GPL
Enquanto o mercado automóvel anda absorto no crescimento das vendas de viaturas elétricas, uma outra solução mecânica tem adquirido protagonismo no mercado português: os motores bi-fuel, que trabalham simultaneamente a gasolina e a GPL, Gás de Petróleo Liquefeito.
Para ser mais concreto, esta solução mecânica valeu, no final de 2023, sensivelmente metade das vendas de automóveis ligeiros de passageiros com motor a gasóleo (5,6% vs 12%).
Contudo, no final do passado mês de fevereiro, as matrículas de viaturas bi-fuel representavam já 7,3% das vendas do segmento, enquanto a quota de mercado dos ligeiros de passageiros, com motor a gasóleo, encurtavam para 8,5%.
Outro fator que desperta interesse por estes números, é o facto de ser obtido por apenas duas marcas: Dacia e Renault. A primeira com 70% das matrículas asseguradas por versões bi-fuel, a Renault com pouco mais de 22%, dados dos primeiros dois meses deste ano.
A Dacia está consciente da importância desta solução mecânica para empresas e, sobretudo, da oportunidade que ela representa para a marca crescer em Portugal e para colocar automóveis Dacia nas frotas das empresas. Não por acaso, em outubro do ano passado, num encontro com os jornalistas para falar precisamente sobre os motores bi-fuel, José Pedro Neves, diretor da marca em Portugal, afirmava que, em 2024, o mercado das empresas poderia ser mais importante para a Dacia do que o particular. Porém, ele já foi importante em 2023, com a entrada em muitas empresas, precisamente com versões bi-fuel, como aconteceu na Prosegur.
Paulo Sobral, responsável de frota da Prosegur Portugal, explica que as razões que motivaram a sua empresa a adquirir 52 Dacia Sandero e 14 Dacia Duster com mecânica bi-fuel foram essencialmente o custo de utilização (TCO reduzido por via da dedução do IVA das viaturas e o menor custo do combustível) e o fator ambiental (emissões mais reduzidas): “A opção pelo GPL, em substituição de automóveis com motor a gasóleo, não coloca problemas de autonomia, ou com os tempos de carregamento, já que estas viaturas têm uma utilização intensiva. E os utilizadores estão bastante satisfeitos com o desempenho dos carros, tendo-se adaptado com facilidade ao uso da pistola de abastecimento do GPL”.
Dacia Portugal quer aumentar presença nas frotas das empresas em 2024
Em 2022, a Dacia foi a quarta marca com mais matrículas em Portugal, repetindo a posição, em 2023, mas a apenas sete unidades do terceiro classificado. “A Dacia tem feito um percurso único na Europa e em Portugal. Considerando as características particulares do nosso mercado, a ambição de crescimento da Dacia passa, forçosamente, por ter uma presença mais significativa no mercado empresarial. Desde logo, porque a nossa gama tem os argumentos certos para se afirmar também no mercado frotista”, refere José Pedro Neves.
O diretor da marca em Portugal concretiza os argumentos: “a melhor relação preço/qualidade do mercado, que permite valores residuais de referência e um muito competitivo TCO são fatores que se traduzem em rendas muito competitivas”.
Um “case study” de sucesso
O Sandero e o Duster contribuíram bastante para a posição que a Dacia ocupa atualmente. O primeiro por se tratar da compra de um automóvel mais racional que podia ser feita: as versões base eram as mais acessíveis em termos de preço, mas não havia supérfluos, apenas o essencial para o cliente poder deslocar-se em segurança da forma mais económica possível. O que mais quisesse, teria de pagar.
Até à chegada da versão Stepway, que veio despertar um novo interesse. Embora o anterior Sandero, muito por culpa desta versão com imagem mais radical, tenha sido um sucesso de vendas junto de clientes particulares, também conseguiu entrar em algumas empresas e autarquias.
Porém, foi a chegada do modelo atual que contribuiu grandemente para a projeção da Dacia junto de todas as franjas de clientes. Por força das exigências europeias em matéria de segurança, foi concebido sobre a mais recente plataforma do grupo Renault para este segmento. O Sandero conta com atuais motores da gama Clio, exceto a gasóleo e full hybrid. Não será só a questão estrutural a justificar o sucesso, também a aposta feita no design, na melhoria da qualidade do habitáculo e na oferta de tecnologia mais atual. Apesar de o cliente poder continuar a optar pela versão “Essential” (o nome fala por si), ela surge menos despida de equipamento e com uma vasta lista de acessórios.

Uma legião de fãs
O Duster é responsável pela existência de grupos de admiradores e defensores da marca Dacia. Para alguns, é a forma mais acessível de ter acesso a um SUV, com capacidade para superar, fora de estrada, vários “todo-o-terreno” conceituados. Mesmo com versões do Duster sem tração integral, já que o peso, a simplicidade da estrutura e a robustez mecânica jogam a seu favor.
A popularidade e aceitação deste modelo contribuiu para a retenção do valor da marca. E o novo Duster, que está a chegar ao mercado, vem juntar a estes argumentos uma modernidade conferida por uma esquadria mais atual e por mais tecnologia a bordo. Embora a novidade mecânica seja o motor híbrido, por culpa da carga fiscal que incide sobre a sua cilindrada, a aposta das empresas vai certamente continuar a ser o bi-fuel, com 100 cv, cuja gama de preços começa abaixo dos 20 mil euros.
Tem entrado em empresas, sobretudo nas que precisam de o utilizar em maus caminhos ou de forma intensiva. Esteve também disponível como comercial de dois lugares na anterior geração.

Jogger, uma aposta ganha
O Jogger veio colmatar o espaço anteriormente ocupado pela geração do Logan MCV que dispunha de sete lugares.
E se é um carro ideal para famílias alargadas, ou para pequenas empresas, como as de limpeza a escritórios, que deslocam pessoal diariamente entre vários destinos, tem também projeção juntos dos operadores TVDE. Para não “colar” demasiado a imagem do carro à atividade e dar mais uma opção a este canal, 2024 marca o regresso de um novo sedan Logan.
O Dacia Jogger é um automóvel único. Com dois lugares adicionais, que permitem transportar dois adultos com mais habitabilidade do que alguns SUV maiores (mas também existe em versão de cinco lugares) é um modelo alinhado com o espírito de versatilidade da marca: oferece espaço para sete ocupantes mas, rebatida uma ou as duas filas de bancos, também pode transportar material de trabalho ou simples pranchas de surf. E até um colchão, pelo que existe uma versão adaptada para camper. Tem PVP que começa nos 19 mil euros.

Um comercial elétrico
Os primeiros dois meses do ano contabilizam 32 matrículas Dacia no segmento dos ligeiros de mercadorias, vinte das quais pertencem a modelos elétricos. É que, embora o GPL seja uma peça chave na estratégia imediata para conquistar empresas, na gama também já há uma versão elétrica pensada especificamente para este canal: o Dacia Spring Cargo.
Derivado do anterior modelo de passageiros, o Spring Cargo, com dois lugares e 1.100 litros de espaço traseiro, pode transportar até 325 kg de carga. O piso plano da mala, separa- do do habitáculo por uma rede metálica, tem cerca de um metro de profundidade. Com motor de 45 cv e autonomia até 230 km, por se tratar de um veículo comercial, é elegível para o apoio do Fundo Ambiental. A geração que está a chegar a Portugal vai também dispor de uma versão Cargo.

























