A Deloitte desenvolve processos de consultoria para empresas na área de gestão de frota, na assessoria a questões de índole fiscal, e no apoio à tomada de decisões que podem alterar a exposição das empresas aos riscos derivados do uso ou propriedade do automóvel.

No mais recente estudo da consultora – “2020 Deloitte City Mobility Index” é realçado o papel que as cidades estão a ter na transformação dos hábitos de mobilidade.

Isso acontece devido ao aumento das restrições e à criação de nova regulamentação para a circulação de determinados tipos de veículo, o que acelera os processos digitais de seleção do transporte.

Que, de acordo com o documento, deverão prosseguir e podem ser estimulados pelas atuais contingências da COVID-19.

Diz Diogo Santos, Partner da Deloitte a este respeito:

“Esta transformação decorre naturalmente das novas tendências que passam sobretudo pela necessidade da descarbonização dos transportes, incluindo a eletrificação das frotas, conjugada com as expetativas das novas gerações sobre a sua mobilidade.”

“Por exemplo, de acordo com as nossas projeções, em meios urbanos, mais de 10% dos quilómetros percorridos em 2025 serão em veículos partilhados, mas, em 2040, a mobilidade partilhada poderá já representar 80% dos quilómetros percorridos em meio urbano”.

Movimentações que naturalmente desencadeiam reflexos ao nível das frotas das empresas.

“A gestão das frotas está nos dias de hoje a sofrer a mais ímpar das transformações desde o início da sua ascensão como área específica da gestão”, resume o responsável da Deloitte.

ADAS é amigo da gestão de frota

Que riscos relacionados com uma frota automóvel consideram que uma empresa deve olhar com atenção?

Em termos de riscos que, no contexto atual, assumirão importância acrescida, destacamos os ambientais.

Os quais poderão resumir-se, de forma simples, como a dimensão da pegada ambiental, a qual, em alguns casos, é extremamente relevante.

Depois, a satisfação de colaboradores. A proposta de valor que as empresas têm para os seus colaboradores, ao nível de frota, pode não responder às expetativas das novas gerações.

Por isso, deve evoluir cada vez mais no sentido da mobilidade e não exclusivamente do automóvel.

E ainda os riscos reputacionais ou sociais.

Estes estão associados à projeção das suas marcas e dos valores empresariais que pretendem promover.

Por isso, as opções por frotas mais sustentáveis podem projetar hoje uma reputação assinalável no tema da sustentabilidade empresarial.

Avaliação permanente

Nesse sentido, em que medida é importante desenvolver um trabalho contínuo de avaliação da frota, para prevenir riscos e aumentar a eficácia da ação de gestão?

A avaliação da eficiência e eficácia das operações em termos da gestão de frotas é já hoje um processo regular e cíclico em boa parte das organizações.

A sua importância está diretamente relacionada com a dependência que o seu produto ou serviço tem associado à própria frota.

A dimensão dessa mesma frota poderá representar, em si mesmo, uma dimensão económica que carece de avaliações permanentes, incluindo comparações entre pares e de melhores práticas.

Devem abranger análises quantitativas e qualitativas que permitam sustentar o seu nível de maturidade e identificar alternativas nos seus percursos de melhoria contínua.

Deloitte

E que instrumentos podem ser utilizados nos processos de avaliação?

As soluções/ferramentas de gestão da frota são um contributo essencial no caminho da otimização.

Pois não só suportam a operação da frota, mas igualmente sustentam as análises necessárias com vista a incrementar os níveis de eficiência das operações.

A utilização destas ferramentas de suporte à gestão de frota pode contemplar variações distintas, que passam, entre outras, por:

  • Soluções específicas de gestão dos ativos;
  • Otimização de rotas e cargas;
  • Tracking, GPS, sistemas de telemática (análise de comportamento dos condutores).

Ou simplesmente por soluções inovadoras que permitam alterações de comportamento dos indivíduos, como sejam por exemplo as soluções de mobilidade integrada – Mobility-as-a-Service (MaaS).

As MaaS terão, no futuro próximo, um enorme impacto na mobilidade individual de cidadãos, os quais são também parte integrante do mundo empresarial, se vistos nessa mesma ótica e não como particulares.

Flexibilidade para gerir períodos mais complicados

Mais uma vez, no contexto atual, que importância tem dispor de alguma flexibilidade organizativa e de gestão?

A relevância da gestão da frota automóvel estará sempre relacionada com a criticidade desta variável em cada negócio, havendo naturalmente realidades distintas.

A ideia fundamental é que a função de gestão de frota deve transformar-se.

Se tal acontecer, conseguirá assumir-se como relevante nas empresas, na medida em que acrescenta valor, respondendo aos desafios dos desafios de hoje com novas soluções.

A flexibilidade organizativa e de gestão é absolutamente crítica pois esta função tem de tornar-se mais multidimensional, não se limitando ao automóvel e à sua gestão.

Mesmo na perspetiva restrita da frota automóvel, caberá a esta função procurar novas soluções de gestão e incorporar, nas suas soluções, variáveis como sejam a flexibilidade de utilização e a preocupação ambiental.

Eletrificação e tributação em IRS

Nesse âmbito, como deve ser encarada a integração de viaturas plug-in e elétricas na frota?

O crescimento das viaturas plug-in e elétricas na frota é hoje uma realidade indesmentível.

Está alicerçado sobretudo no forte alargamento da rede de carregamentos, nos benefícios fiscais proporcionados e na promoção da redução de gases nocivos para a atmosfera.

Não excluindo, claro, a importante redução do custo com combustível.

A conjugação destes três fatores, e permanecendo o quadro de enorme pressão para a descarbonização das frotas, garante que este movimento irá manter nos próximos anos.

Será incrementado ainda pelas futuras opções de hidrogénio, por enquanto ainda numa fase embrionária de concepção e desenvolvimento.

Regista-se ainda que as marcas automóveis têm, nos últimos anos, lançado modelos híbridos, PHEV e BEV a um ritmo acelerado.

Também as ofertas são cada vez maiores nas Gestoras de Frota, pois estas têm objetivos ambiciosos no que diz respeito à redução dos combustíveis fósseis.

Acresce a estes fatores a maior preocupação ambiental por parte dos consumidores, que aceleram este movimento e obrigam as suas empresas a disponibilizarem este tipo de oferta.

E naquilo que se relaciona com a transferência da tributação dos encargos com a viatura para a esfera do colaborador?

Em muitos casos, esta possibilidade constitui uma vantagem para as empresas.

Esta opção permite eliminar a tributação autónoma em IRC, agravada ao longo dos últimos anos, que incide sobre os encargos com as viaturas que se encontram a ser utilizadas em termos pessoais pelos colaboradores.

Naturalmente desde que exista acordo escrito entre estes últimos e a sua entidade patronal.

Naturalmente que a transferência de tributação em apreço implica um ónus para o colaborador, que vê agravada a tributação em IRS em virtude do rendimento em espécie decorrente da utilização pessoal da viatura.

Ainda assim, e sem prejuízo da atenção que deverá ser dada ao agravamento da tributação na esfera do colaborador, em termos agregados colaborador/empresa, verifica-se em muitos casos ganhos de eficiência.

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Apoio às empresas

A Deloitte pode ajudar a criar/implementar uma política de frota assertiva?

Podemos com certeza apoiar os diversos clientes na criação de políticas, regras e procedimentos, quer ao nível mais estratégico, como igualmente a nível operacional.

Incluindo a identificação de boas práticas de gestão da operação de gestão de frotas, nomeadamente “benchmarking”.

Estas poderão passar pela fixação de normativos para os condutores, por linhas de orientação par a manutenção das viaturas e pela operacionalização de dashboards de indicadores que permitam um acompanhamento das operações.

Neste contexto, consideramos crítico que quaisquer políticas devem ser acompanhadas da implementação de soluções tecnológicas que capitalizam a utilização dos dados e informação disponíveis.

Contudo, entendemos que, no contexto atual, quaisquer definições em sede de gestão de frota deverão ser enquadradas numa reflexão mais abrangente sobre a mobilidade.