O pónei elétrico

Tão ou mais divertido de conduzir do que um MINI “normal”, o elétrico só peca pela fraca autonomia. Porém, há razões para que assim seja.

O MINI ganhou uma versão sem emissões que tenta preservar ao máximo as características que fazem dele um sucesso no universo BMW: formas e linhas compactas e desportivas, um interior único, no limbo entre o retro e o tecnológico, além de um estilo de condução marcado pela agilidade com que se esgueira entre o trânsito mais denso ou enfrenta as estrelas mais sinuosas.

Para manter este ADN nesta versão, a marca foi obrigada a fazer concessões; não sendo um modelo desenvolvido de raiz para ser 100% elétrico, a posição de condução é ligeiramente mais elevada, porque os vários módulos que compõem a bateria distribuem-se pela plataforma, entre os eixos. Mas nem o centro de gravidade, nem o equilíbrio do conjunto saem prejudicados, antes pelo contrário, apesar de, em média, ser 145 kg mais pesado do que versões com motor de combustão e transmissão automática.

BEV já representam 5% das matrículas de ligeiros de passageiros em Portugal. Tesla Model 3 foi o elétrico mais matriculado nos primeiros oito meses do ano

De “Cooper S”, o MINI Electric (E) herda, além do nome, o poder de aceleração e parte do comportamento, tão divertido quanto aquela que oferece a condução de um kart; o seja, o que a marca sempre prometeu. Mas sendo elétrico o Cooper SE possui algumas funcionalidades típicas deste género de viatura, caso da função regeneradora de energia quando se alivia o pedal do acelerador (que pode servir como “travão” na abordagem de curvas), a disponibilidade imediata do binário de um motor com o equivalente a 184 cv ou a velocidade limitada nos 150 km/h, para controlo do consumo e do aquecimento do sistema.

Com quatro modos de condução, do mais ecológico (Green+), que lhe limita os impulsos e a própria climatização, ao modo Sport, mais “Cooper”, mais dinâmico, mais desportivo e não necessariamente muito mais gastador de energia, a dimensão da bateria está dimensionada e equilibrada para não acrescentar peso e ocupar espaço, o que lhe limitaria a desenvoltura e sacrificaria a já de si limitada capacidade de mala.

Além da fraca autonomia, que pode ou não ser uma contrariedade dependendo da forma como é utilizado, o peso obriga a uma suspensão mais firme, capaz de gerar algum desconforto sobre piso irregular. Mas a capacidade de receber carga rápida, através de tomada CCS, é uma vantagem ao encher de energia elétrica 80% da bateria em pouco mais de meia hora. Com uma potência interna de carregamento de 11 kW, ligado a uma MINI Wallbox consegue reabastecer-se de energia em duas horas e meia. Já ligado a uma tomada doméstica através do carregador fornecido com a viatura, precisa de cerca de 15 horas para fazê-lo por completo.

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Impressões

O MINI Cooper SE mantém-se fiel ao espírito da marca e aos princípios dinâmicos de um coupé (é um três portas), jovem e individualista, com doses de tecnologia de conectividade e entretenimento atuais.

O consumo é uma agradável surpresa. O que afinal lhe limita a autonomia é a capacidade da bateria de lítio de 32,6 kWh (na realidade só disponibiliza 29 kWh), uma vez que, quando não se exagera na condução, é possível obter consumos médios abaixo dos 13 kWh/100 km, inferiores ao homologado. Porém, é preciso algum engenho, arte e não ser tentado a conduzi-lo da forma como muitas vezes apetecer fazê-lo, para cumprir mais de 200 km sem precisar de o levar à tomada. A média combinada homologada em WLTP são 234 km. E isto, nos dias que correm, faz ainda confusão a muita gente.

Jovem e dinâmico

Poucos carros de série podem igualar a forma precisa, confiante e divertida como qualquer MINI devora curvas e isso não difere no Cooper SE, apesar de ser um pouco mais alto e mais pesado.

Na combinação entre a desaceleração regenerativa e a pronta resposta do acelerador reside o segredo que torna envolvente e quase viciante o ato de conduzi-lo.

Com 184 cv, o motor é o mesmo utilizado pelo BMW i3s mas, neste caso, tracionando as rodas da frente. Comparativamente ao i3, o MINI tem um interior mais acanhado, sobretudo traseiro, e posiciona-se de uma forma distinta, orientada para espíritos mais jovens. O custo de aquisição indicado para empresas é também muito mais acessível.

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