Várias razões explicam o facto de o Captur continuar a ser o “crossover urbano” mais vendido na Europa e em Portugal, apesar da quebra nas vendas europeias e de o mercado estar agora dividido entre cada vez mais concorrentes.

Uma delas é o facto de ser um conjunto bastante homogéneo e com linhas desenhadas para agradar, com precisão, o consumidor-alvo a que se dirige.

Outra, motores competentes e económicos, acrescentando a isto soluções de funcionalidade e muitas possibilidades de personalização, assim como equipamento capaz de tornar sedutora a sua lista de preços.

Curioso é que, para atingir o sucesso, não foi preciso muito.

Bastou pegar na mesma base mecânica do actual Renault Clio, em muitos componentes e equipamento que este carro também utiliza e criar um veículo com uma personalidade mais aventureira, dotado de mais espaço interior e de soluções de funcionalidade, mais uma vez cirurgicamente, dirigidas a um tipo de público que deseja algo diferente e demasiado radical.

Continuar a agradar (a liderança comprova-o) explica porque a actualização, feita em meados deste ano, não foi profunda: um alinhamento do design dianteiro com o dos modelos mais recentes da marca, onde o pormenor mais distintivo é a assinatura luminosa em led, um novo nível de equipamento mais elevado e um novo motor a gasolina, com 120 cv, passou a fazer parte da gama que inclui também uma unidade 0.9 a gasolina e o mais que conhecido 1.5dCi.

A qualidade dos materiais e dos acabamentos do habitáculo evoluiu mas não tanto quanto seria de esperar, produzindo, contudo, reflexos positivos sobre a insonorização.

De resto, permanecem as funcionalidades características do Captur, como as capas dos bancos amovíveis, um grande porta-luvas “gaveta” com 11 litros, um pequeno compartimento fechado na parte superior do tablier e a redistribuição de espaços na consola central contribuiu para melhorar a ergonomia.

A habitabilidade conserva a modularidade consentida por um banco traseiro com deslocação longitudinal, que pode ser feita a partir da mala ou do interior, e que dá à bagageira 377 a 455 litros de capacidade com todos os lugares disponíveis.

O Captur faz bom uso da altura ao solo.

Em primeiro lugar, para proporcionar uma posição de condução mais elevada, tão do agrado de alguns consumidores, depois para poder ter alguma segurança quando enfrenta pisos mais irregulares ou se atreve fora do alcatrão.

Não sendo um carro com uma condução entusiasmante, a configuração da carroçaria e o peso reduzido do conjunto (em benefício da eficiência) tornam mais complicado o trabalho de manter o equilíbrio em termos dinâmicos e de conforto.

Mas apesar de algum balanço da carroçaria, a facilidade de condução e os consumos são claramente privilegiados, até mesmo nesta versão XMOD, que acrescenta um sistema de controlo de tração comutável e pneus para todas as estações.

Que, apesar disso, não fazem do Captur um carro apto para todo terreno, dão-lhe apenas um pouco de mais à vontade em pisos de terra firme e uma suspensão mais segura em velocidades mais altas.

Tão suave quanto a condução e o desempenho da suspensão são os preços e aqui reside um dos trunfos mais importantes do Captur e que lhe permitiu entrar em algumas empresas, em vez da carrinha do Clio, em valores facilmente abaixo dos 25 mil euros com o motor 1.5 dCi.

Gama e impressões

Suave, competente e seguro de conduzir, o Captur não é, contudo, o mais estimulante do segmento.

Mas o equilíbrio de outras características, incluindo soluções de funcionalidade que agradam tanto a famílias como a quem o deseja por razões mais radicais, permitem-lhe manter-se na crista da onda.

Oferece por isso duas formas de carroçaria, ambas com 5 portas: uma mais citadina e que passa a dispor de um nível de luxo – Initiale Paris – e a popular XMOD, mais propícia para a aventura.

Outra clara vantagem são os motores utilizados, capazes de estruturar uma gama de preços abrangente, tão económicos quanto pouco potentes, exceção feita ao novo 1.2 TCe com 120 cv.

Contudo, esta novidade pouco acrescenta de novo, além de mais consumos, emissões acima das 119 g/km e de uma caixa manual de seis velocidades ou da transmissão automática.

Por isso vai certamente continuar na sombra do confiável 1.5 dCi que, com 90 cv e caixa de cinco, é o mais equilibrado em termos de versatilidade de uso a sobriedade de consumos.

Para quem deseja a versão de 110 cv deste motor, o construtor dá a possibilidade de escolher os dois tipos de transmissão mais avançados.

Preço:

26 673 Euros*

Rendas:

558,46 €/mês (36m)*
522,21 €/mês (48m)*

Consumos e emissões:

3,7 l / 100Km
98 gCO2/km*

Características motor:

4 / 1.461 cc
110 / 4.000 cv/rpm
240 / 1.750 Nm/rpm

(*) Valores LEASEPLAN. Quilometragem anual contratada: 30.000 – Serviços incluídos: aluguer/iuc/ seguro (franquia 4%)/manutenção/ gestão de frota/ pneus ilimitados/ veículo de substituição – quilometragem técnica máxima: 200.000 kms