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“As empresas querem soluções que se adaptem a contextos diversos”. Entrevista a Pedro Saraiva, CEO/Administrador da KINTO

17 de Julho de 2025

Em entrevista à FLEET MAGAZINE, Pedro Saraiva, CEO/Administrador da KINTO, explica a estratégia da empresa para alcançar as mais de 20 mil viaturas em gestão

A mobilidade das empresas tem vindo a mudar. Flexibilidade, sustentabilidade e digitalização são palavras na ordem do dia e a KINTO tem estado a valorizá-las. Enquanto outros operadores mantêm o foco no renting tradicional, a empresa de soluções de mobilidade tem vindo a alargar o campo de ação, posicionando-se como parceira estratégica de mobilidade para empresas com necessidades em constante mutação. Mas a mudança não foi apenas de discurso: traduziu-se em produtos, plataformas, parcerias e números que comprovam uma trajetória de crescimento firme e sustentada.

A conversa com Pedro Saraiva, CEO/Administrador da KINTO Portugal, revela uma empresa em transformação. Mais do que os números, transparece um reposicionamento claro da marca: da gestão tradicional de frotas para uma visão integrada de mobilidade, com soluções flexíveis, digitais e orientadas para os desafios práticos das empresas. “Deixámos de ser apenas uma empresa de renting para passar a oferecer soluções completas de mobilidade, com resposta a curto, médio e longo prazo”, sublinha o líder da KINTO. A aposta na economia circular, a resposta ativa à transição energética e a criação de novos produtos como o KINTO Share e KINTO Flex são alguns dos pilares desta estratégia.

Hoje, a KINTO gere mais de 20 mil viaturas em Portugal, servindo um universo diversificado de clientes, desde grandes grupos empresariais a pequenas e médias empresas. Pedro Saraiva explica como esta transformação tem sido feita e quais são os caminhos futuros para a mobilidade empresarial.

Nos últimos anos, a KINTO passou por algumas mudanças estratégicas relevantes. O que é que esteve na base dessas mudanças e qual foi o impacto na operação da empresa?

A transformação da KINTO tem sido estrutural. Tudo começou com a entrada da KINTO Europe na estrutura acionista maioritária (51%), o que nos deu acesso direto à liquidez do grupo Toyota. Isso permitiu-nos reagir com rapidez em momentos críticos, nomeadamente durante a pandemia, e adotar uma postura comercial mais ágil quando muitos operadores estavam a retrair-se. Nessa altura conseguimos captar novos clientes, apoiar os que já trabalhavam connosco e, posteriormente, acelerar o nosso crescimento lançando novos produtos e serviços.

O que motivou a transição de uma empresa de renting tradicional para uma fornecedora de soluções integradas de mobilidade?

Essa mudança foi uma resposta natural às exigências dos clientes. As empresas hoje precisam de muito mais do que um contrato de renting para servir a mobilidade das suas pessoas. Querem soluções modulares, flexíveis e que se adaptem a contextos muito diversos. Foi com isso em mente que lançámos produtos como o KINTO Flex, com flexibilidade total, e o KINTO Share, de aluguer diário. Assim, respondemos à liberdade de mobilidade desde horas até vários anos.

Como é que o mercado tem reagido a estas soluções flexíveis?

Neste momento, representa já cerca de dez por cento do nosso negócio. Em conjunto com o renting tradicional, dá muita flexibilidade aos clientes para cobrir picos de atividade, projetos especiais, entre outros casos de uso. Uma grande percentagem destes produtos já resultam da reutilização de viaturas de renting, uma estratégia muito importante até numa ótica de economia circular. Era um negócio que, tradicionalmente, estava servido pelas rent-a-car tradicionais. Estamos a crescer, todos os anos, nestes produtos a dois dígitos. Portanto há muita apetência e não apenas em veículos comerciais.

E como é que a digitalização entrou neste processo de transformação?

A digitalização não é um acessório, é uma peça central da nossa estratégia. Lançámos uma aplicação para carregamento de veículos elétricos (o KINTO Charge), plataformas para contratação 100% digital, marcação de serviços online também 100% digital ou por QR Code, com confirmação automática – tudo isto pensado para que o cliente tenha uma experiência fluida, eficiente e autónoma. Cerca de 80% a 90% dos nossos clientes já utilizam esta última plataforma, nem nós estávamos à espera de uma adesão tão elevada.

Como é que estão a integrar os critérios ESG na operação da empresa?

É um tema incontornável. O ESG já não é uma opção, é uma exigência, até regulamentar. Trabalhamos com os nossos clientes para analisar o Custo Total de Utilização (TCO), avaliar emissões, e desenhar frotas mais sustentáveis. Estamos a lançar um produto que permite quantificar a poupança em CO2 quando os colaboradores das empresas optam por modos alternativos de mobilidade. E isto não é apenas para os clientes: também internamente temos metas claras de descarbonização. E os veículos elétricos vão ter um papel fundamental, mas não só. Acreditamos que será a combinação de tecnologias alternativas que irá contribuir para termos soluções de mobilidade mais sustentáveis (também economicamente).

Como é que tem evoluído o comportamento dos valores residuais nos veículos elétricos, dado o seu impacto no valor das rendas?

Desde inicio de 2023 vimos uma correção muito forte nos preços das viaturas elétricas após um período de forte inflação. Naturalmente este efeito teve e continuará a ter impacto na definição de valores futuros. Agora, com o mercado a estabilizar, já conseguimos projetar com maior rigor os valores residuais, mas não é o momento para tomarmos riscos, até porque a própria evolução tecnológica também terá o seu papel na definição de preços. Isso é crucial para manter as rendas competitivas. Continuamos a acreditar que a eletrificação vai acelerar, mas com realismo – não será uma transição homogénea nem imediata.

kinto

E os concursos públicos? São um foco estratégico para a KINTO?

Absolutamente. Temos uma equipa dedicada exclusivamente a esta área. Conhecemos bem os procedimentos, os critérios e os ritmos próprios da contratação pública. Já temos uma presença significativa neste segmento e queremos continuar a crescer. O desafio aqui é combinar eficiência com cumprimento rigoroso das exigências legais, e é isso que a nossa estrutura consegue assegurar. No entanto, pensamos que há uma necessidade de atualização material na forma como a contratação pública em vindo a ser feita. O mercado automóvel evoluiu muito desde a COVID-19. É frequente vermos concursos que ainda estão numa realidade anterior a esse período.

Quais foram os maiores desafios operacionais associados à introdução de soluções mais curtas e flexíveis?

O principal desafio foi adaptar a nossa logística. Precisámos de rever toda a nossa cadeia de preparação e recolocação de viaturas. Felizmente, a ligação ao grupo Salvador Caetano deu-nos acesso a plataformas e estruturas que tornaram essa transição muito mais fluida. Hoje conseguimos operar essas soluções com a mesma qualidade de um renting tradicional.

Quais são os próximos passos para a KINTO, em Portugal?

Vamos continuar a apostar na mobilidade flexível, aprofundar o papel da digitalização na experiência do utilizador e avançar com produtos que ajudem as empresas a cumprir os seus objetivos de transição energética. Mas mais do que isso, queremos consolidar a nossa posição como parceiro de mobilidade de longo prazo, com foco na qualidade de serviço – que para nós continua a ser absolutamente inegociável.

KINTO implementa Inteligência Artificial no atendimento ao cliente

Parceria estratégica com a Nissan

A KINTO e a Nissan reforçaram recentemente a parceria estratégica em Portugal através do programa Nissan Renting Pro.

Pedro Coutinho, Diretor Comercial da KINTO Portugal, sublinha a importância desta parceria afirmando que a combinação da experiência em gestão de frotas da KINTO com o posicionamento inovador e sustentável da Nissan assegura uma oferta diferenciada, capaz de antecipar as necessidades futuras do mercado. Já Pedro Sá, COO da Nissan Portugal, destaca que o Nissan Renting Pro representa um avanço significativo na estratégia da marca para o sector empresarial, fortalecendo a sua presença através de soluções eficientes e alinhadas às exigências atuais.

Universo KINTO

  • Crescimento global: 21,12%
  • Crescimento em soluções flexíveis (KINTO Flex): 51%
  • Crescimento em soluções digitais (KINTO Share): 133%
  • Crescimento no aluguer de veículos usados: 40%
  • Viaturas reutilizadas: 1.800
  • Crescimento frota elétrica e híbrida: 38%
  • Frota total sob gestão: ~20.000 viaturas
  • Crescimento viaturas ligeiras mercadorias: 22%

Renting e Leasing dos principais operadores

Fleet Market

Evento profissional do setor das frotas empresariais

Conferência Gestão de Frotas

Melhores práticas, produtos e empresas do setor automóvel

Fleet Awards Portugal

Formações de gestão de frotas, fiscalidade e mais

Workshops