“Hoje, o Município da Maia é um caso de estudo, reconhecido a nível nacional como exemplo de boa prática em mobilidade pública sustentável. Algo que muito nos orgulha e nos motiva a continuar neste caminho”. Adelina Rodrigues, Chefe Divisão de Energia e Mobilidade da CM Maia, resumia, em entrevista à FLEET MAGAZINE, o percurso que o município tem traçado no capítulo da mobilidade sustentável.
Fique a conhecer a frota do município e saiba como está a correr o projeto de transição energética, bem como quais os principais indicadores económicos e ambientais no trajeto para a meta de neutralidade carbónica que a própria CM definiu: até 2050.
B.I. da frota da CM Maia
- Número de viaturas: 134, das quais:
– 62 ligeiros de passageiros
– 24 viaturas cabine dupla, incluindo pick-up
– 19 comerciais ligeiros de Tipo I
– 7 comerciais ligeiros de Tipo II
– 9 veículos de 9 lugares
– 5 veículos pesados (camião)
– 4 autocarros até 30 lugares
– 3 jipes e monovolumes - Por tipo de Energia: 64 BEV (VLP e VCL), 36 com motor de combustão (ligeiros e pesados) e 5 híbridos plug-in.
- Marca(s) com maior expressão: smart, Volkswagen e Renault.
- Modelo mais presente: smart forfour EQ, Volkswagen ID.3 e Renault Kangoo.
- Idade média da frota: 4 anos.
- Modelo de aquisição mais utilizado: locação operacional.
- Geolocalização e Gestão de Frota: plataforma Cartrack e Municipia, empresa de Cartografia e sistemas de Informação. Todas as viaturas estão equipadas com sistemas de geolocalização e possuem um imobilizador que só permite que as viaturas iniciem a marcha com a identificação de condutor.
- Política interna de frota: saber quem é o condutor associado a cada viatura permite controlar eventuais danos que surjam nas mesmas. Um regulamento de utilização de veículos municipais aguarda aprovação superior.
- Frota decorada: todas as viaturas com a identidade corporativa do Município.

Indicadores económicos e de eficiência que mostram a evolução do projeto
| Indicador | 2020 | 2023 | 2025 | Estágio atual |
|---|---|---|---|---|
| % de viaturas elétricas frota | 0 | 52% | 52% | Estabilização após expansão inicial |
| Idade média da frota ALD (anos) | maio de 2018 | 2 | 4 | Renovação contínua contratual |
| Consumo combustível frota ALD (€/ano) | 250.000 euros | 100.000 euros | 50.000 euros | Substituição quase total por veículos elétricos e uso racional |
| N.º de carregadores instalados | 0 | 59 | 72 | Crescimento moderado, seguindo procura |
| Taxa de utilização média da frota | - | Estimada 50% | Superior a 85% | Maturidade do sistema de autocondução |
| Índice de satisfação dos utilizadores | - | Média (sem número) | Igual ou superior a 90% | Dados de inquérito interno de 2025 |
“Há evidências claras e quantificáveis de que a transição para uma frota elétrica e partilhada resultou num aumento significativo da eficiência da frota municipal da Maia em várias frentes”, refere Adelina Rodrigues.
“Em 2020, tínhamos uma frota claramente insuficiente e organizada de forma muito rígida, com viaturas atribuídas a serviços específicos. Isso levava a baixas taxas de utilização e a redundâncias internas. Com a introdução do modelo de bolsa partilhada e do regime de autocondução, conseguimos aumentar substancialmente a taxa de utilização média das viaturas. Mais colaboradores passaram a ter acesso aos veículos apenas quando realmente precisavam, e isso aumentou bastante a disponibilidade e partilha”, explica a responsável pela Divisão Municipal de Energia e Mobilidade da Maia.
“Hoje, em 2025, podemos dizer que a frota está mais disponível e mais acessível. Isso teve efeitos muito positivos, como a redução de conflitos internos e menos tempos mortos nas operações. A quilometragem total também se tornou mais racional. Embora o número de viaturas tenha aumentado, a quilometragem média anual por viatura diminuiu de forma muito significativa. Em 2020, uma viatura em locação percorria, em média, 66.000 km por ano. Atualmente, essa média desceu para 19.150 km por viatura”, destaca a entrevistada.
“Isto demonstra que passámos de um modelo subutilizado e centralizado, para um modelo descentralizado, digital e eficiente. Este aumento de eficiência foi possível graças à introdução de uma plataforma digital de gestão, com funcionalidades como geolocalização, reservas e imobilização. E não só, também com a implementação de regras de utilização claras e de um regulamento interno, ao investimento feito na sensibilização e formação dos colaboradores e no alargamento estratégico dos pontos de parqueamento e de carregamento”, sublinha Adelina Rodrigues, para de imediato sintetizar numa única frase o resultado: “tudo isto contribuiu para uma utilização muito mais eficiente da frota”.
Indicadores ambientais no trajeto para a meta de neutralidade carbónica definida
| Meta (Pacto dos Autarcas) | Situação atual (2025) |
|---|---|
| Redução de 55% de GEE (Gases de Efeito de Estufa) até 2030 | Em mobilidade municipal: mais ou menos 60% já atingido |
| Atingir neutralidade carbónica até 2050 | Trajetória positiva, com base sólida nos transportes e energia |
| Inspiração para a comunidade | Modelo de frota como exemplo replicável a outras entidades e empresas locais |
O Município da Maia tem feito progressos significativos e estruturais rumo à meta da neutralidade carbónica antes de 2050, assumida no Plano de Ação para a Energia Sustentável (PAES) e no Pacto dos Autarcas.
A transição da frota automóvel municipal foi um dos pilares operacionais mais impactantes desta estratégia e pode ser resumido em três etapas:
- Redução substancial das emissões de GEE associadas à mobilidade interna: comparando 2020 com 2023, os dados demonstram uma redução superior a 60% no consumo de combustíveis fósseis e, por consequência, uma redução de mais de 45% nas emissões diretas de CO₂ da frota; Com a eletrificação crescente e uso racional, em 2025 essa redução chega já aos 60% face ao ano base de 2020.
- Substituição de viaturas a combustão por viaturas elétricas ou híbridas plug-in: em 2020, a frota era maioritariamente térmica; em 2025, a maioria das viaturas são elétricas, com zero emissões diretas, ou híbridas eficientes; A emissão média de CO₂ das viaturas desceu de valores entre 130-180 g/km para valores médios reais inferiores a 50 g/km (quando incluídos híbridos).
- Uso de eletricidade com origem em fontes renováveis: a infraestrutura de carregamento foi implementada com gestão de consumos e otimização da carga; quando conjugada com contratos de fornecimento com origem renovável (ex: via agregadores certificados), isso traduz-se numa pegada nula ou quase nula nas deslocações internas.

Parcerias foram fundamentais para os resultados alcançados
“Desde o início que temos contado com parcerias estratégicas, tanto com entidades públicas como privadas”, explica Adelina Rodrigues.
“Essas parcerias foram fundamentais para potenciar o impacto ambiental, operacional e tecnológico da transição da nossa frota municipal. As marcas fornecedoras de viaturas e a empresa responsável pela locação operacional, por exemplo, têm tido um papel absolutamente central em todo este processo”.
Uma das áreas mais relevantes tem sido o apoio contínuo por parte das marcas que representam os veículos, explica a Chefe Divisão de Energia e Mobilidade da Câmara Municipal da Maia.
“Desde o arranque do projeto até à fase de operação diária, têm estado connosco a cada passo. Disponibilizaram equipas técnicas especializadas para dar resposta rápida a qualquer problema, seja uma avaria, uma dúvida operacional ou uma atualização necessária. E isso tem feito toda a diferença na manutenção da frota sempre operacional”.
O município também tem organizado sessões práticas de formação, tanto para os utilizadores como para os gestores da frota sectoriais, com enfoque nas especificidades dos veículos elétricos e híbridos plug-in, nomeadamente aspetos relacionados com a autonomia, modelos de carregamento e modos de condução ideais.
Adelina Rodrigues destaca ainda a excelente colaboração com os fornecedores ao nível da manutenção e da disponibilidade de peças, nomeadamente em situações de sinistro ou avaria: “a resposta tem sido célere e eficaz, o que nos permite evitar tempos de paragem prolongados”.
“Outro ponto muito importante”, realça a entrevistada, “foi a colaboração no ajustamento e afinação da própria plataforma de gestão de frota. Foi graças a esse trabalho conjunto que conseguimos garantir que todos os dados dos veículos fossem corretamente integrados no sistema, assegurando uma gestão muito mais precisa e eficiente. Estas relações de parceria permitiram consolidar um modelo de confiança mútua, centrado em soluções, e têm sido um fator crítico de sucesso para manter a eficiência e continuidade do modelo de frota elétrica e partilhada”.


























