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Frota Grupo Futebol Clube do Porto: descarbonização e compromisso climático

29 de Julho de 2025

O FC Porto assumiu o compromisso de alcançar a neutralidade carbónica até 2030 e já deu passos concretos nesse sentido. Com as comunidades de energia, o clube consegue atualmente evitar a emissão de 376 toneladas de CO2 por ano e estima poupar cerca de dois milhões de euros nos próximos 15 anos. A sustentabilidade está no centro da sua estratégia, com apostas consistentes na mobilidade elétrica e na eficiência dos edifícios. Mas há também um foco especial, nem sempre devidamente realçado, na sensibilização dos adeptos e participantes de eventos — responsáveis por 85% da pegada carbónica do clube — através de campanhas e ações de consciencialização ambiental

Em 2023, o FC Porto e a Greenvolt criaram duas Comunidades de Energia Renovável, localizadas no Estádio do Dragão e no Centro de Treinos do Olival, com mais de 2.000 painéis solares e capacidade para gerar mais de 1.500 MWh por ano. Esta iniciativa permite reduzir 420 toneladas de CO2 por ano, promovendo a autoprodução e partilha de energia limpa entre instalações do clube e a comunidade local.

No total encontram-se instalados 24 carregadores para viaturas elétricas, contribuindo para a descarbonização da frota.

Ao subscrever o Pacto do Porto para o Clima, o FC Porto reforçou o seu compromisso com a sustentabilidade e a neutralidade carbónica. Passados praticamente dois anos desde o lançamento do projeto, Ricardo Carvalho, diretor de Gestão de Infraestruturas do Futebol Clube do Porto, fez um balanço da iniciativa na recente Conferência Gestão de Frotas realizada a 7 de maio no Porto.

No evento promovido pela FLEET MAGAZINE, foram apresentados em detalhe os caminhos percorridos e os resultados obtidos pelo clube nas áreas da energia, mobilidade e redução da pegada carbónica. A sessão deu ainda a conhecer os impactos concretos dessas medidas na sustentabilidade do FC Porto e da comunidade envolvente, bem como os próximos passos que a instituição pretende dar para acelerar a descarbonização em todas as suas áreas de atuação.

Uma abordagem que este texto agora aprofunda, em formato de entrevista.

O FC Porto aderiu ao Pacto do Porto para o Clima. Quais são os principais compromissos assumidos e que progresso foi feito desde então?

O grande compromisso passa pela descarbonização da cidade do Porto e torná-la neutra até 2030. É algo ambicioso, com uma fasquia muito elevada e que requer empenho e foco.

As medidas implementadas pelo Futebol Clube do Porto passam pela implementação de equipamentos e sistemas de maior eficiência energética e pelo fomento da utilização de energias renováveis na sua operação quotidiana.

Que impacto concreto tiveram as Comunidades de Energia do Dragão e do Olival na redução das emissões de CO₂ até agora?

Com o que é produzido à data dentro das nossas comunidades, estima-se uma poupança anual de 376 toneladas de CO₂.

De que forma estes projetos se integram na estratégia ambiental mais ampla do clube?

A estratégia ambiental do Futebol Clube do Porto existe desde 2007 e foi-se adaptando às tendências e às melhores práticas de cada momento. Como acontece em qualquer organização, os recursos humanos e financeiros disponíveis obrigam a tomar decisões e a definir quais as prioridades.

As Comunidades de Energia Renováveis foram o game changer e tornaram o projeto dos painéis fotovoltaicos, que desejávamos implementar há muito tempo, em algo que passou a ser uma prioridade. O aparecimento em cena da Greenvolt como nosso parceiro foi, acima de tudo, um facilitador e um motor deste processo, que nos permitiu, com um esforço muito reduzido, iniciar algo que, cremos, não tem um final previsto.

Que mudanças ou investimentos foram feitos para reduzir os consumos energéticos nas várias instalações do clube?

Os novos edifícios foram todos construídos após 2002, pelo que já incorporam excelentes soluções construtivas e energéticas.

Desde lá, foram surgindo novas tecnologias, como a iluminação LED ou sistemas de automatização, que nos permitiram ganhos imediatos e com investimento reduzido. A juntar a isto, temos implementadas rotinas bastante agressivas no que diz respeito ao controlo da operação e dos consumos energéticos, o que nos permite identificar mais facilmente anomalias e pontos de otimização.

Os dados operacionais indicam que a energia produzida e partilhada está a responder às metas iniciais?

Sim, antes de avançarmos com o projeto das Comunidades de Energia Renovável, houve um momento de análise técnica e financeira muito detalhado, o que nos permitiu avançar com segurança para os passos seguintes.

Em termos financeiros, que benefícios já foram alcançados com a autoprodução de energia, como, por exemplo, poupanças estimadas para os próximos anos?

O primeiro benefício é direto e deriva da poupança associada ao custo das redes.

O segundo benefício, apesar de ser o mais relevante é o de maior dificuldade de cálculo, está associado à estabilização do preço da energia, o que nos permite reduzir o impacto de fatores exógenos tais como guerras, extremos climatérios ou problemas em cadeias de abastecimento.

A nossa expectativa é uma poupança de cerca de dois milhões de euros a 15 anos, mas queremos superá-la.

Os carregadores instalados no Estádio do Dragão (22 de 20kW e 2 de 50kW) servem apenas a frota do clube ou também estão acessíveis a colaboradores e visitantes?

Neste momento servem apenas a frota interna e os colaboradores.

Estão em curso estudos ou projetos para ampliar esta infraestrutura?

Sim, não só apenas em tipologia de utilizadores, mas também no alargamento das instalações e quantidade instalada.

De acordo com os vossos dados, 85% da pegada de carbono está associada aos adeptos. Que medidas estão a ser estudadas para reduzir o impacto desta pegada carbónica? Nomeadamente como estão a ser geridos os grandes eventos no estádio em termos de sustentabilidade e emissões?

Os eventos considerados como regulares, nomeadamente os jogos do Futebol Clube do Porto, são suportados obrigatoriamente nos recursos utilizados quotidianamente pelos espectadores, visto que não podemos ser um fator de desequilíbrio ainda maior para a rede de mobilidade da cidade.

Eventos não regulares, como concertos ou grandes torneios, são sempre analisados e avaliados de acordo com o perfil de quem nos visita. O adepto inglês escolhe um transporte que o deixa junto da porta do Estádio, enquanto que um holandês terá sempre a sua tradicional parada desde o centro da cidade até ao Estádio.

Quais foram os principais desafios durante a implementação destas iniciativas do ponto de vista técnico, cultural ou financeiro? Porque sentiram necessidade de estabelecer parcerias com entidades externas nas áreas da mobilidade (transportes públicos, por exemplo), da segurança e até com entidades municipais?

O Futebol Clube do Porto é uma instituição que está implementada numa área metropolitana onde existe já uma rede de transportes que serve as necessidades da população. Apesar da dimensão do seu edifício, há uma sazonalidade na sua utilização que dificulta o aumento de alguns recursos dos transportes públicos que se associam à nossa atividade.

A severidade dos horários dos jogos e o perfil de vida e consumo dos nossos utilizadores é também algo que nos limita a ação.

Ora, neste contexto muito desafiante, resta-nos a integração nos grandes projetos de mobilidade que o município está a desenvolver e a associação dos diversos players, visando a utilização plena dos recursos da cidade e a adequação dos meios existentes aos picos.

12 boas práticas para uma frota mais eficiente, responsável e sustentável

E que ações de sensibilização têm sido feitas para envolver os adeptos e promover comportamentos sustentáveis?

Desde 2007 que temos vindo a desenvolver campanhas junto dos adeptos para promover aquilo que no início designávamos como Boas Práticas Ambientais e que hoje é conhecido como Sustentabilidade Ambiental.

Desde os resíduos à energia, passando pelo consumo de água, temos já um vasto conjunto de ações diretas com os nossos adeptos, ao qual juntamos as parcerias com as instituições e empresas que nos acompanham nesta nossa jornada.

Aproveitamos a força de comunicação do Futebol Clube do Porto e com isso conseguimos fazer chegar a mensagem ainda mais longe.

Não podemos esquecer que dentro do perímetro da sustentabilidade temos ainda a responsabilidade social, onde, orgulhosamente, temos projetos de inclusão como a nossa Sala Sensorial ou as medidas de inclusão para os adeptos que têm algumas dificuldades em desfrutar integralmente de um jogo de futebol.

Quais são os grandes objetivos do FC Porto para os próximos 2 a 3 anos na área da sustentabilidade? Que novos projetos estão atualmente a ser desenvolvidos para reforçar a estratégia energética e ambiental do clube?

Os grandes projetos já se iniciaram, sendo o mais relevante aquele que envolve as Comunidades de Energia Renováveis. Pelas suas características, é algo que irá depender sempre das zonas vizinhas onde nos encontramos e da evolução tecnológica que nos irá entregar novas soluções ou, tão ou mais importante, apresentar soluções a preços que justifiquem o investimento.

Em contínuo, temos um plano de renovação do parque de equipamentos que, de uma forma natural, nos tem vindo a permitir melhorar o desempenho energético dos nossos edifícios.

Armando Rodrigues é gestor de frota do FC Porto desde outubro de 2014

B.I. frota Futebol Clube do Porto

  • Número de viaturas: 153 Ligeiros de Passageiros, Ligeiros de Mercadorias e Autocarros
  • Marca com maior expressão: Mercedes-Benz
  • Modelo mais presente: Mercedes-Benz Classe C
  • Viaturas Elétricas: 1 VLP e 1 VCL
  • Híbridos Plug-in: 119 unidades VLP
  • Idade média da frota: 3 anos
  • Modelo de aquisição mais utilizado: Renting
  • Software de gestão de Gestão de Frota: Tflow (Themis)
  • Política Interna de Frota: todos os utilizadores obrigados a assinar um termo de responsabilidade
  • Frota decorada: apenas nos autocarros

*Na foto, Ricardo Carvalho, diretor de Gestão de Infraestruturas do Futebol Clube do Porto, na Conferência Gestão de Frotas que decorreu a 7 de maio no edifício da Alfândega do Porto

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