Em 2019, o grupo Montepio encetou um movimento de transição energética da totalidade da sua frota automóvel, que deverá estar praticamente concluído no final de 2022. Um trabalho acompanhado e avaliado pela ADENE, que distinguiu o projeto com o Prémio Frota Verde nos Prémios FLEET MAGAZINE em 2021.
Até ao final de 2022, na linha de um percurso iniciado em 2019, o grupo Montepio deverá ter uma frota maioritariamente constituída por viaturas de passageiros 100% elétricas ou híbridas plug-in.
Neste momento, atingir esse objetivo depende, por razões conhecidas, da capacidade de entrega dos modelos destinados a renovar a totalidade das viaturas que ainda funcionam apenas com motor de combustão.
Concluído o processo, o grupo Montepio atinge a intenção inicial, a de se tornar no primeiro grupo financeiro português com um parque automóvel totalmente composto com veículos plug-in ou integralmente elétricos.
“Iniciámos o processo de substituição dos veículos a combustão por veículos 100% elétricos ou plug-in, de acordo com a maturidade dos contratos de renting. à medida que os contratos dos veículos exclusivamente a combustão com que ainda operamos terminarem, a nova viatura atribuída será plug-in ou 100% elétrica, explica Cláudia Monteiro, Head of Procurement no grupo Montepio.
A gestão das viaturas está centralizada na Unidade de Serviços Partilhados, a quem compete também, de acordo com a política de frota do grupo, o acompanhamento de alguns procedimentos de rotina, uma vez que os utilizadores das viaturas dispõem de alguma autonomia para a gestão de serviços inerentes ao uso da viatura, junto de uma rede de parceiros.
O que motivou o grupo Montepio a avançar para a eletrificação?
O nosso posicionamento como instituição no Sector Social acarreta responsabilidades acrescidas perante a comunidade associativa e a sociedade. Temos, desde sempre, preocupações no âmbito da sustentabilidade.
Em 2019, percebemos que tínhamos uma grande oportunidade para fazermos a diferença, com uma “simples” decisão de gestão: alterar a composição da frota automóvel, tornando-a mais amiga do ambiente.
Foi quando decidimos procurar o que o mercado tinha para oferecer, e iniciámos a transição para uma frota mais amiga do ambiente. Deixámos de ter uma frota 100% a combustão e iniciámos a sua substituição com viaturas plug-in e 100% elétricas.
Foi um desafio que nos propusemos realizar entre 2019 e 2022.
Foi necessária muita persistência, pois a oferta de viaturas 100% elétricas, ou mesmo plug-in, não era substancial.
Ou os modelos que nos eram apresentados estavam muito acima dos valores considerados na construção da nossa grelha, ou algumas viaturas não estavam disponíveis para entrega…
Entretanto, o mercado evoluiu consideravelmente ao nível da oferta. Mas em 2019 era um desafio! Não nos desviámos do objetivo. Estabilizámos a grelha e iniciámos as substituições por viaturas mais amigas do ambiente, à medida que os contratos de renting se venciam. Fomos consultando o mercado estabelecendo sempre uma condição: “cotação para viaturas 100% elétricas ou plug-in”. Assim iniciámos a mudança, com o objetivo de contribuir com a poupança de toneladas de emissão de CO2.
Redução de custos e de emissões
Vamos detalhar um pouco as etapas desse processo. Em 2019 começaram por substituir cerca de 70 viaturas… está a correr como previsto?
Como referi, o calendário de substituição está alinhado com o fim do contrato de renting da viatura anterior. O utilizador recebe uma nova viatura da grelha, que é plug-in ou 100% elétrica.
Quando iniciámos o plano de uma frota mais sustentável, em 2019, nesse mesmo ano reduzimos o número de viaturas a combustão de 100% para 82%. Os restantes 18% passaram a ser viaturas plug-in ou 100% elétricas.
Em 2021, 40% da nossa frota já era constituída por viaturas plug-in ou 100% elétricas e, no final de 2022, ano em que temos desde o início previsto renovar o maior número de unidades, estimamos ficar com um valor residual de apenas 8% de viaturas a combustão.
Está a cumprir-se a expectativa quanto ao contributo destas viaturas para a redução de emissões de CO2?
Claramente. Alcançámos uma redução significativa de toneladas de emissão de CO2 e é muito gratificante saber que estamos a contribuir para o futuro do nosso planeta.
E em termos de custos de utilização?
Em termos de custos de utilização, o business case desenvolvido confirmou-se. Registámos uma redução de custos anuais por via da frota.
A pandemia obrigou-nos a adotar novos métodos de trabalho por força dos vários confinamentos impostos pelas autoridades de Saúde, o que acabou por condicionar também a utilização das viaturas pelos nossos colaboradores.
Como decorreu o planeamento no que se refere à atribuição das viaturas, nomeadamente por razões de autonomia ou facilidade de carregamento?
A atribuição e distribuição das viaturas aconteceu de forma gradual, alinhada com a oferta dos pontos de carregamento disponíveis em várias zonas geográficas. O primeiro slot de viaturas foi distribuído nos grandes centros: Lisboa e Porto. Depois decorreu de acordo com a oferta de carregadores existentes nas diversas localidades, sendo que o grupo Montepio investiu na modernização das infraestruturas elétricas dos edifícios centrais equipados com garagens, nas quais é possível efetuar carregamento a partir de dispositivos próprios.
Desde 2019 que a oferta de pontos de carregamento públicos também tem vindo a aumentar, apoiando-nos neste nosso projeto.
Outra preocupação foi privilegiar acordos com parques de estacionamento que ofereçam o serviço de carregamento elétrico nas suas instalações, respondendo assim à distribuição geográfica da nossa rede comercial.
Foi necessária formação dos utilizadores destas novas viaturas?
Os utilizadores recebem formação relativa à nova viatura e a Unidade de Serviços Partilhados mantém acompanhamento regular, de forma a partilhar as melhores práticas para que possam tirar o maior partido do carregamento das suas viaturas.
E que importância tem poder contar com o empenho de uma equipa e com o engajamento dos utilizadores?
A Sustentabilidade deve ser uma responsabilidade de todos e sentimos que estamos a fazer a nossa parte. Este processo de transição energética foi possível porque todos os colaboradores, desde muito cedo, compreenderam a importância do seu contributo para o objetivo da Instituição.
Por isso, quando recebemos o prémio “Frota Verde”, recebemo-lo todos!
A Reportagem à frota automóvel do grupo Montepio fez capa da revista Fleet Magazine de março de 2022. Consulte online a edição completa da revista ou prossiga para a segunda parte da entrevista.
B.I. da frota do Grupo Montepio
- Número de viaturas: cerca de 670 unidades;
- Marcas e modelos presentes na frota atual: constituída integralmente por veículos de passageiros das marcas Renault, Nissan, BMW, Kia, Mercedes-Benz, Volvo e Tesla;
- Distribuição de veículos por tipo de motor: 16% dos veículos são 100% elétricos; 23% dos veículos são plug-in e há 61% de veículos exclusivamente de combustão, a renovar em 2022;
- Idade média da frota atual: inferior a 48 meses;
- Financiamento: exclusivamente renting, 60 meses, 125 mil quilómetros, manutenção e substituição de pneus incluídos;
- Equipamento sempre requerido na consulta ao mercado: Bluetooth, GPS e sensores de estacionamento;
- Utilizadores habituais das viaturas: membros dos órgãos sociais da Associação Mutualista Montepio, do Banco Montepio e respetivas empresas participadas. Diferenciação dos modelos adotados por função desempenhada (quadros superiores, quadros médios e comerciais);
Grelha de distribuição das viaturas híbridas plug-in e 100% elétricas
- Software de Gestão de Frota: desenvolvido internamente com esse objetivo. A gestão das viaturas é acompanhada diariamente pela Unidade de Serviços Partilhados;
- Política de Frota: Existe. O utilizador é responsável pelo cumprimento da legislação em vigor, pela boa utilização da viatura e pelo seu recondicionamento no momento da entrega;
- Sistemas de georreferenciação: não se aplica;
- Frota decorada: não se aplica.