As perspetivas para o sector automóvel, e em particular para a gestão de frotas empresariais, permanecem muito desafiantes, destacando-se, entre os principais constrangimentos, o alongamento dos prazos de entrega, o aumento dos preços de venda dos veículos e ainda algumas barreiras por transpor para prosseguir o caminho da transição para a mobilidade elétrica.

Igualmente o impacto nefasto do conflito militar a leste, cujos efeitos, seguramente duradouros, mas ainda difíceis de quantificar, representarão, no curto prazo, um fator desestabilizador dos índices de confiança de empresas e particulares quanto a decisões de investimento.

Insuficiência na oferta de veículos

A insuficiência de oferta de veículos manter-se-á durante a maior parte do ano, em resultado de dois fatores cumulativos: a persistente falta de componentes para o fabrico de automóveis e o facto de Portugal não ser um mercado prioritário para fornecimento por parte dos fabricantes.

O desequilíbrio criado entre oferta e procura materializa-se, já hoje, num aumento generalizado dos preços de aquisição e num alongamento significativo dos prazos de entrega, dificultando o exercício das empresas no planeamento de renovações do seu parque automóvel e na orçamentação dos custos com a sua frota.

Neste contexto de incerteza, e durante o período em que perdurarem os constrangimentos atuais, as empresas de renting têm assumido um papel determinante enquanto agente facilitador, pelo facto de disponibilizarem soluções aos seus clientes que reduzem a necessidade de estes assumirem compromissos de longo prazo, assegurando-lhes toda a conveniência e previsibilidade de custos que um contrato de renting habitualmente incorpora.

O melhor exemplo destas soluções é a possibilidade de prolongar contratos em vigor, tipicamente por pelo menos mais doze meses, período a partir do qual se espera que o mercado possa retomar alguma da sua normalidade.

Complementarmente, e sempre que a possibilidade de prolongamento contratual não seja exequível – seja pela idade e/ou quilometragem do veículo, seja porque a necessidade advém da atribuição de um veículo a um novo colaborador -, poderão as empresas clientes recorrer a um contrato de renting de menor duração, para o qual existem opções de veículos novos, mas também de veículos usados provenientes do parque próprio das locadoras, sendo estes últimos naturalmente mais económicos.

Leasing ou Renting?

Não é esperada uma normalização total da capacidade de fornecimento de veículos por parte da generalidade dos fabricantes antes de 2023, pelo que viveremos mais um ano invulgar no qual serão tomadas menos decisões de cariz estruturante, em especial, aquelas que possam implicar aumentos de custos de forma duradoura.

Transição para a mobilidade elétrica

O caminho da transição para a mobilidade elétrica permanece firme e irreversível. Ano após ano, assistimos a uma redução progressiva dos fatores inibidores da opção por veículos elétricos.

Do lado dos fabricantes, em resultado das imposições legais ao limite de emissões de CO2, existe uma oferta cada vez mais diversa de opções de veículos elétricos e os planos de produto apontam para um mix predominantemente elétrico nos próximos anos, assumindo, alguns deles, que a sua produção será de veículos 100% eletrificados até 2030.

Do lado da infraestrutura, os números recentemente publicados pela entidade gestora da rede de mobilidade elétrica (MOBI.E) refletem um crescimento de 67% da rede de carregamento pública em 2021, a que corresponde um total de 2.360 postos de carregamento, o que representa uma cobertura territorial de 98% dos concelhos a nível nacional.

Do lado da tecnologia temos cada vez maiores avanços e, em especial, uma autonomia crescente das baterias e uma redução do seu custo, cujo peso no preço final do veículo tenderá a ser menos significativo.

Não obstante a redução das barreiras à entrada na mobilidade elétrica, a transição por parte das empresas está ainda fortemente condicionada pela capilaridade da infraestrutura de carregamento, seja ela pública ou privada, mas também por alguma instabilidade fiscal que tornou obsoletas algumas decisões de gestão tomadas pelas empresas com base em legislação que tem vindo a ser progressivamente atualizada.

Se relativamente à infraestrutura podemos antecipar um aumento dos investimentos por parte dos diversos operadores na exata medida em que o parque circulante também aumente, relativamente à fiscalidade permanece alguma expectativa.

Sendo certo que a opção das empresas por veículos elétricos está ainda muito alicerçada nos benefícios fiscais que estes usufruem em sede de IVA e IRC, é nesta alavanca para a mobilidade elétrica que poderá surgir um dos desafios para os gestores de frota nacionais.

Isto porque além da receita fiscal com origem na compra de veículos ter que ser reequilibrada no tempo, existem sinais vindos da União Europeia de que a homologação dos consumos de veículos híbridos plug-in poderá resultar na revisão dos níveis de emissões de CO2 para valores bem mais elevados que os atualmente em vigor, e como tal, estes poderem vir a deixar de usufruir dos benefícios fiscais que, à data de hoje, tornam o seu custo tão competitivo.

Prémios Fleet Magazine 2022: como participar e como vencer

Perspetivas 2022

Sem prejuízo dos desafios e condicionantes do mercado, a LeasePlan permanece comprometida com as suas metas de descarbonização total da sua frota e dos seus clientes até ao ano 2030.

Para acelerar o alcance dessas metas, celebrámos recentemente duas parcerias:

  • Com a GoWithFlow, para atuação a montante do processo de transição, e através de cuja plataforma tecnológica as empresas poderão avaliar a sua preparação e perfil para a transição para a mobilidade elétrica, permitindo-lhes antecipar as necessidades de infraestrutura para carregamento, bem como projetar os custos com energia daí decorrentes;
  • Com a EDP Comercial, com aplicabilidade a jusante do processo de mudança para veículos elétricos, com o objetivo de disponibilizar uma solução integrada de mobilidade elétrica em que será possível para o cliente escolher um veículo e, em simultâneo, a melhor solução para o seu carregamento, em casa ou no escritório, consoante a necessidade e infraestrutura disponível. Será um serviço chave-na-mão, para que o cliente tenha apenas um interlocutor para todas as suas necessidades de mobilidade elétrica, com o intuito de simplificar a transição para frotas eletrificadas.

Ainda no âmbito da mobilidade elétrica, publicámos, no final de 2021, a terceira edição do estudo sobre as motorizações disponíveis no parque automóvel nacional e as respetivas recomendações para tomada de decisão por parte dos gestores de frotas empresariais em Portugal.

Os resultados do estudo são inequívocos. Em mais de 70% dos segmentos analisados, os veículos elétricos e eletrificados apresentam custos totais de utilização mais reduzidos quando comparados com os seus equivalentes movidos a gasolina ou gasóleo.

Se aliarmos este facto à diversidade da oferta de marcas e modelos e às respetivas autonomias, começam a estar reunidas as condições para que as empresas possam optar pela mobilidade elétrica, sem que tal produza um impacto significativo na mobilidade e conforto dos seus colaboradores, ao mesmo tempo que contribuem para a prossecução dos seus próprios objetivos corporativos de sustentabilidade.

Para que esta transição progrida sem sobressaltos será naturalmente desejável que existam os necessários incentivos fiscais e que os mesmo permaneçam aplicáveis num horizonte temporal suficientemente alargado para que as empresas possam tomar decisões com a certeza de que os pressupostos se manterão inalterados durante o período em que essas decisões produzirem efeitos.

Consultoria para a tomada de decisão

Resulta claro do exposto nas linhas anteriores que o ano em curso vai exigir de todos uma atenção e cuidados redobrados no processo de tomada de decisão, dadas as incertezas várias que poderão ter impacto nos custos com veículos de empresa.

Na LeasePlan, encontrarão sempre equipas informadas e capacitadas para interpretar e ajustar políticas de frota em função do mix pretendido de prioridades – custos, pessoas e ambiente – e, a partir daí, definir caminhos, reduzir a ambiguidade e implementar soluções com toda a segurança e conveniência que só o renting e seus sucedâneos podem oferecer numa perspetiva one-stop-shop.