Em Portugal, as vendas de usados online cresceram cerca de 35% em maio (5,2% relativamente a abril).

Segundo o relatório do Observatório INDICATA, que analisa o comportamento dos mercados de usados na Europa, este forte crescimento nas vedas de usados online B2C significa que as vendas acumuladas em maio de 2021 estão agora 40% acima de 2020 e 24% acima do período homólogo em 2019.

Os retalhistas enfrentam, no entanto, um desafio, conclui o relatório: obter o stock adequado. Os níveis de stock em junho de 2021 estão 10,3% abaixo dos registados em maio e 7,4% abaixo do ano passado, quando a procura era menor.

Ao mesmo tempo, os fabricantes, no sentido de tentarem amenizar a situação, estão a apoiar as vendas táticas, o que fez crescer (em 15%) as vendas de veículos usados muito recentes.

Em que resultam estas vendas táticas? Num direcionamento do mercado para carros até três anos de idade, o que resulta num crescimento saudável das vendas e no aumento da rotação de stock nesta faixa etária, diz o Observatório INDICATA.

Usados na Europa

Em maio, o volume de vendas de usados na Europa aumentou 36,7% em relação a 2020.

No quinto mês deste ano, as vendas de usados online B2C aumentaram 6,2% em relação a abril – explicável pelo maior número de dias úteis, atesta o Observatório INDICATA.

Já as vendas acumuladas até maio cresceram 24,5% relativamente a 2020 e 8,5% face a 2019.

É importante considerar o impacto que a COVID-19 e as respetivas restrições e bloqueios tiveram no mercado de veículos usados online B2C (especialmente nos meses de março e abril de 2020).

É seguro afirmar, portanto, que maio de 2020 seguiu a tendência dos meses do primeiro confinamento, apresentando-se “mais fraco do que o normal e impactando os resultados de maio de 2021”, destaca o Observatório INDICATA.

Mas embora as vendas de usados estejam a aumentar, os níveis de stock continuam a cair.

Os níveis de stock

Chegados a junho, os níveis de stock são agora 2,0% menores do que em 2020 e 4,6% menores que no mês anterior.

Andy Shields, diretor global do INDICATA, refere que esta é uma tendência que se manterá 2021 fora: “a escassez de veículos com menos de um ano de idade, por exemplo provenientes de rent-a-car e viaturas de demonstração, parece ser duradoura, pelo que é expectável que se mantenha durante boa parte de 2021”.

Apenas Espanha viu os níveis de stock subirem 2%, apesar de contar com mais dias úteis de venda em maio relativamente a abril – o que coincidiu também com um aumento de 8% nos registos táticos.

O relatório do Observatório INDICATA refere que, mesmo estando as vendas de usados genericamente acima do período pré-COVID-19, um aumento no stock relativamente a 2019 “não é um problema significativo”.

É claro, no entanto, que a localização do stock continua a ser um desafio, especialmente em mercados como o da Polónia, onde as restrições de stock afetam as vendas e aceleram a rotação de stock.

Já no caso francês, onde os níveis de stock caíram marginalmente durante o mês passado devido a um aumento nas vendas de usados, este encontra-se ainda 38,4% acima dos níveis de 2020 e 18% acima de junho de 2019 – estes números dizem-nos que será necessário um novo realinhamento do nível de stock.

O Observatório INDICATA conclui que existem “claramente” algumas oportunidades para o negócio transfronteiriço de usados (de volante à esquerda).

As motorizações preferidas

Todas registam um aumento nas vendas de usados, quando comparado com o mês anterior, mas são os veículos elétricos a bateria (BEV) a apresentarem a taxa de crescimento mais forte (+14,0%). No outro lado da escala, a gasolina apresenta o valor mais baixo (+5,0%).

Como habitual, o carro a gasóleo continua a ser o usado de venda mais rápida, com uma rotação de 7,3x ou 50 dias em stock, refere o Observatório INDICATA.

Quanto aos BEV usados com menos de dois anos preferidos pelos europeus, o Renault ZOE é o mais vendido, seguido pelo Nissan LEAF. Nota para, utilizando o mesmo critério, o Tesla Model 3, que é o BEV usado que vende mais rápido (com uma rotação de stock de 13,7x).

Já no capítulo dos veículos com motores de combustão interna, os Opel Corsa e Astra foram os usados que apresentaram velocidade de venda mais rápida nos grupos até dois e quatro anos de idade, respetivamente.

Para o Observatório INDICATA, e embora o foco permaneça centrado nos volumes e na rotação de stock do mercado, a velocidade das vendas e a transição para motorizações zero emissões são “questões-chave para o futuro”.

É por isso que o relatório inclui já detalhes relacionados com conjuntos de propulsão alternativos.

Pode consultar a 17.ª edição do Observatório INDICATA aqui.