Considerada de novo a melhor gestora de frota em 2021, o líder da LeasePlan Portugal explica as razões que, em seu entender, justificaram este reconhecimento da parte do júri dos Prémios Fleet Magazine. E na abordagem que faz ao atual momento da indústria do automóvel e ao trabalho que a gestora está a desenvolver para apoiar os clientes, incluindo no domínio da mobilidade elétrica, diz: “a ideia de que dispomos de carros e fazemos o preço que queremos é completamente irrealista”.

Quando se perspetivava um regresso “normal” à atividade após dois anos conturbados de pandemia, o sector automóvel vê-se atualmente a braços com dificuldades geradas pela falta de capacidade de entrega dos produtores às fábricas de componentes essenciais para o fabrico das viaturas.

António Oliveira Martins ingressou na LeasePlan Portugal e é diretor geral da empresa há mais de duas décadas. Com conhecimento aprofundado do mercado automóvel e experiência no sector das frotas em particular, o responsável máximo da gestora no nosso país admite nunca ter vivenciado um momento semelhante ao atual.

“Hoje existem clientes, existe vontade de adquirir mas escasseiam meios para satisfazer essa procura. É uma situação muito particular, mas que irá ser ultrapassada. Quando isso acontecer, as marcas vão voltar a estar focadas nas suas quotas de mercado. Isto é cíclico e é circunstancial. A questão pode ser quando é que se regressa à normalidade, mas não tenho dúvidas de que vamos regressar”, diz.

Mas as contingências atuais não afetaram a relação com o cliente ou mesmo a atitude do cliente perante o negócio, eventualmente não discutindo tanto o preço?

Mas ainda discute! Até porque não estamos sozinhos no mercado. Existe concorrência. Obviamente que os preços subiram, mas continuam a existir várias opções. O cliente faz o seu papel e tenta negociar, mas há uma realidade da qual não nos podemos desviar: o preço dos automóveis subiu e isso afeta naturalmente o valor das rendas. E estão mais caros porque os descontos ficaram mais limitados devido à escassez de carros.

Mas dentro do renting, ou mesmo em outros produtos financeiros, há certamente sempre espaço para negociação. A negociação é tão ou mais feroz do que no passado, porque tem uma base de custos mais alta. O cliente investe mais para tentar tornar a proposta mais competitiva. Mas a ideia de que dispomos de carros e fazemos o preço que queremos é completamente irrealista.

Apesar de todas essas contingências, em dois anos bastante complicados, a LeasePlan conquistou o troféu para melhor Gestora de Frota nos Prémios Fleet Magazine. Como sentiram este renovado voto de confiança do júri?

Teve um ótimo sabor. Além de mais por não ser a Fleet Magazine a decidir, mas sim os clientes, clientes importantes, frotistas que conhecem muito bem o sector, indicado pelos vários players, nem sequer são todos clientes da LeasePlan. Este espetro relativamente alargado de júri dá ainda mais valor ao prémio. É um sinal de que estamos no caminho certo, é muito recompensador ter um testemunho de que estamos a fazer as coisas bem.

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“Para a equipa, a conquista do Prémio FLEET MAGAZINE dá um sentimento de realização. Somos exigentes e às vezes estamos tão focados naquilo que fazemos menos bem, para poder corrigir e fazer melhor, que nos esquecemos que também fazemos coisas boas. É bom. É muito bom!” – António Oliveira Martins, LeasePlan Portugal

É nessa postura que os clientes podem esperar da LeasePlan em 2022? Nomeadamente suporte para ajudá-los a superar a escassez atual de produto ou até encontrar respostas dentro dos escalões fiscais, face à subida de preço de alguns modelos?

Estamos a fazer de tudo e a nossa criatividade tem sido quase ilimitada para disponibilizar ofertas com disponibilidade de entrega. É um desafio enorme: desde renting de usados, estamos a fazer muito renting de usados, já importámos carros, já comprámos carros usados, o que parece um completo contrassenso, mas tivemos de prolongar contratos de veículos nossos.

Os clientes podem contar connosco para amenizar os efeitos desta crise. Obviamente que são soluções muito táticas e, quando voltar a haver disponibilidade de carros, regressaremos à normalidade. Contem connosco para tentar passar este período difícil com menos preocupações ou, pelo menos, que a frota não seja uma delas.

Renting: adaptado aos novos tempos

Fiscalidade vs. mobilidade elétrica

É válido o argumento de que é a fiscalidade que justifica cada vez mais empresas a apostar na mobilidade elétrica? Uma vez que essa decisão assenta em cálculos que incluem benefícios fiscais que podem sofrer alterações a cada Orçamento do Estado, isso não acarreta uma dose elevada de risco?

Acho que a transição para a mobilidade elétrica não nasce dos benefícios fiscais. Os benefícios fiscais pretendem acelerá-la e, digamos, numa fase de transição, ajudar as empresas que precisem de um empurrão para dar esse passo.

Há um desígnio, mais importante e mais nobre, que tem a ver com as emissões e com as alterações climáticas e é uma responsabilidade social de todas as empresas – e porque não de todos os indivíduos – darem o seu contributo.

Existe também uma pressão enorme sobre os construtores automóveis. Por opção própria ou porque as regras assim o impõem, com multas muito pesadas, os fabricantes estão a ser obrigados a aumentar o número de veículos com emissões zero na sua gama de modelos. Portanto é algo que é inevitável acontecer. Os incentivos fiscais pretendem acelerar, ou entusiasmar os pioneiros, a colocarem em prática esta nova realidade.

Mas por outro lado, o custo da energia elétrica e o custo dos carregamentos também tem aumentado…

O preço da eletricidade vs. gasolina ou gasóleo é uma das razões, mas o racional do veículo elétrico, para já, não está sustentado numa utilização única de carregadores públicos. Não me parece que faça sentido alguém optar por um carro elétrico, nesta fase, para única e exclusivamente carregar em postos públicos.

É conveniente ter uma solução de carregamento no seu escritório ou em casa, porque, nesse caso, face ao combustível, pode trazer poupanças interessantes. Porque também é preciso olhar para o aumento de preço dos combustíveis fósseis.

Além disso, a oferta elétrica e eletrificada é cada vez mais diversificada e a satisfação de conduzir um carro elétrico é algo a ter em conta. Porque, quando se experimenta, normalmente é uma surpresa agradável.

E qual deve ser o papel de uma gestora de frota no apoio a esse tipo de tomada de decisão?

O papel da LeasePlan é eliminar os fatores de ansiedade. Existe muita prudência, alguma ansiedade sim, mas também vontade de dar passos muito seguros. Não vejo, de todo, um salto para o desconhecido. Acho que as empresas estão a ter cuidado e, talvez por isso, a adesão esteja a demorar mais tempo.

Porque sentimos que existe necessidade de acrescentar ainda mais, vamos ter notícias neste âmbito muito em breve. Vamos reativar a nossa solução totalmente inclusiva: carro, carregador e energia. Tudo no mesmo pacote de renting, um pacote chave na mão muito robusto, que vamos anunciar em breve.

LeasePlan Portugal: 60 mil carros contratados em renting no final de 2021

Que percentagem assume o volume dos veículos 100% elétricos e híbridos plug-in na frota atual que a LeasePlan tem sob contrato?

Há uma tendência clara de crescimento – globalmente 1 em cada 4 carros que colocamos na estrada são VE. O mesmo sucede nos híbridos plug-in. É uma tendência que ganhou imensa tração nos últimos anos e que se traduz no próprio perfil de frota da LeasePlan.

E o renting nos clientes particulares?

Um crescimento exponencial, também. Há uns anos a base era muito pequena, mas hoje não se pense que o renting é só para grandes empresas. Não será só mérito da LeasePlan, que terá a sua quota-parte desse mérito, mas é também do sector e, sobretudo, por via das campanhas que são comunicadas online. Foi um caminho desbravado e que gerou um valor acrescentado no universo de clientes angariados. Porque, ainda que o peso em termos de volume de frota seja naturalmente mais pequeno, já que normalmente um particular é cliente de um carro, em termos de número de clientes representa uma dimensão muito significativa.

A pandemia de alguma forma fez crescer o interesse dos particulares pelo produto renting?

Diria que veio aumentar ainda mais. A pandemia teve o feito de tornar a mobilidade partilhada e os transportes públicos menos atrativos. Houve uma procura por outras soluções e o renting ganhou atratividade por ser uma solução de mobilidade barata e muito inclusiva em termos de serviços.

E também porque há uma nova geração de consumidores a chegar ao mercado que está mais disponível para este tipo de produto de subscrição.

Obviamente que houve necessidade de adaptar as ofertas às necessidades dos clientes particulares, com veículos a gasolina com quilometragens mais baixas, por exemplo. Ou com outras tipologias que tradicionalmente interessam menos às empresas.

Mas mais disponibilidade de carros houvesse, mais rápido estava a ser essa explosão. É uma oportunidade enorme.

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António Oliveira Martins, diretor geral da LeasePlan Portugal