martiferA localização da Martifer, em Oliveira de Frades, condiciona a frota em quase tudo. Modelos escolhidos, serviços contratados e até mesmo as deslocações para o país vizinho passam pelo crivo da poupança de custos. E assim nascem soluções únicas. 

Com 250 veículos, um número tendencialmente para diminuir, a Martifer tem que se limitar praticamente a duas marcas para a sua frota. É a falta de concessionários de outros construtores nessa zona que o exigem.

Renault e Ford são então as marcas escolhidas. O concessionário, situado em Sever do Vouga, a cerca de 25 km, tem disponibilidade total para a Martifer. “Se preciso da revisão feita em determinado momento, ela é feita nesse mesmo momento”, diz Lara Antunes, a responsável de frota da empresa. “Esta é uma condição muito importante para nós. Se não fosse assim, era necessário ter outra pessoa a fazer esse tipo de serviço. Perderia um dia inteiro de trabalho apenas à espera que fosse feita a intervenção no carro”, explica.

Apenas nos segmentos superiores é que aparece outra marca: a Mercedes-Benz. Nestes, encontram-se 15 a 20 carros, entre modelos Classe C e E, embora também existam alguns S e CLS. Mesmo assim, os fornecedores ficam a bastantes quilómetros de distância: a Nasa Motor, em Sta. Maria da Feira e a CarClasse, em Braga.

Tendo em conta que o concessionário utilizado pela Martifer para as manutenções fica a cerca de 25 km por uma estrada sinuosa de montanha e tem que mexer em 250 carros, a Martifer chegou a colocar a hipótese de fazer uma oficina própria. Mas depois de feitos os estudos económicos, há cerca de dois anos, com a Renault, abandonou-se a ideia.

“Era um investimento muito grande para o retorno que dava. Ficava cerca de 50% mais caro e não faz parte do core business da empresa” 

O financiamento e a manutenção dos carros são os únicos serviços que procura no renting. Os pneus e seguros não são assegurados pela gestora. Nos seguros, o processo era pouco eficiente. Além disso, a Martifer tem uma correctora de seguros interna e é política da empresa que todas as actividades estejam seguras a partir daí.

E, sem intermediários, a administração dos sinistros é mais rápida. “Estou habituada a que, se o acidente ocorrer hoje, a participação chega também hoje e segue ainda no mesmo dia para peritagem. Amanhã, o carro está a ser peritado”, diz Lara Antunes.

Por outro lado, o seu volume de frota trouxe-lhe capacidade negocial para entregar o negócio de pneus a duas empresas da região. Quando é preciso trocar pneus, a empresa desloca-se à Martifer, recolhe o veículo e, pouco tempo depois, entrega-o.

Os preços apresentados também são muito competitivos.

“Primeiro fizemos essa aquisição por volume, mas como aparecem sempre campanhas durante o ano, optámos por fazer por campanhas”  

Lara Antunes, que gere a frota desde que entrou na empresa há 11 anos, diz que tem mesmo preços inferiores aos praticados pelos importadores e que já o pôde comprovar a um destes últimos. A gestora garante que chega a ter uma diferença de sessenta euros por pneu.

A redução de custos é sempre um imperativo para esta frota. Lara Antunes recorda-se que, desde o início, a cultura da Martifer era para não desperdiçar um único euro. E essa opção vai ao ponto de fazer com que todos os carros adquiridos até aqui tenham sido comerciais derivados de passageiros – Ford Focus e Fiesta e Renault Clio e Mégane.

Mas com alteração no imposto sobre os veículos introduzida no início do ano pelo Governo, essa tipologia de carros vai deixar de fazer sentido. Então o que se segue?

“Não sei o que se segue com esta mudança de fiscalidade. Para já, nem sequer vamos fazer aquisições este ano, pelo que a questão nem se coloca” 

A Martifer está neste momento a fazer prolongamentos dos contratos já existentes. E estão a estudar outro tipo de financiamento para a frota.

“É muito incerto dizer seja o que for porque a nível fiscal não deve haver esse encargo porque vamos manter ou diminuir a nossa frota”, diz Lara Antunes. Tudo depende das obras que venham a existir em Portugal, mas se se mantiver tudo na mesma, a Martifer também mantém a sua política: manter e diminuir.

Os contratos a serem feitos no futuro poderão passar por rent-a-car de média duração. “Serão sistemas que não nos obriguem a estar vinculados durante um prazo alargado, porque o mercado está muito incerto”, explica.

Nem todas as viaturas da Martifer estão atribuídas directamente. Um rent-a-car interno, actualmente com 100 viaturas e com licença de empresa de aluguer de curta duração, nasceu em 2007, com a entrada da empresa em bolsa.

A partir daí, em vez de existir uma viatura alocada para cada colaborador, à medida que a viatura seja necessária, requisita-se e levanta-se. “Este sistema permite que cada uma das seis empresas do grupo saiba exactamente quanto é que gastou e para cada obra, o que é muito importante até para elaborar orçamentos”, diz Lara Antunes.

A rent-a-car da Martifer está ligada também à agência de viagens, também liderada por Lara Antunes. “É para um maior controlo de custos”, diz. A empresa tem escritórios em Madrid e chegou à conclusão de que era mais barato ir à capital espanhola de carro. “Considerando o tempo da viagem para Lisboa, o seu custo, a viagem de avião e o parqueamento, contra quatro horas e meia que se demora até Madrid de carro, a primeira opção fica de fora”, explica.