Com cinco lugares, um habitáculo superior, estilo e uma condução de nível superior, a autonomia limitada da bateria do Mazda MX-30 impede-o de voos mais altos. Com a chegada de uma versão com extensor de autonomia, o interesse sobre este carro pode vir a ser outro.

O MX-30 é um carro que desperta diferentes estados de emoção: tem uma presença que chama a atenção, tem uma qualidade de construção que roça o requinte e proporciona uma experiência de condução que agrada bastante… mas apenas enquanto existe energia para gozar desse prazer.

Para a dimensão que tem e para aquilo que promete, a bateria de 35,5 kWh (totais) é escassa. E isso, face ao que se sente quando se o conduz, quase desencadeia uma sensação equiparável à de uma criança quando vê o seu brinquedo favorito parar por esgotar a energia das pilhas.

Paremos de pintar um quadro negro no que toca à autonomia. Cerca de 150 km serão mais do que suficientes para uma utilização diária urbana, para quem tenha facilidade de carregar o MX-30 com frequência:

  • Ligado a uma tomada doméstica, uma carga completa da bateria demora entre 10 a 15 horas, dependendo da potência fornecida;
  • Num posto rápido de corrente contínua, como pode carregar, no máximo, a 40 kW, menos de 40 minutos serão suficientes para “atestar” até 80%.

Em grande medida, o peso do MX-30 interfere também na eficiência. Deve-o à qualidade de construção, porque são escassos os plásticos rígidos à vista e também são poucas as concessões em matéria de equipamento.

E nem a utilização de materiais leves, como a cortiça portuguesa, ou a aplicação de revestimentos sintéticos e recicláveis, permitem aliviar peso.

E menos peso significaria, naturalmente, menos consumo de energia.

Um carro bastante interessante

Isto se a autonomia não for um obstáculo. Além da estética, que combina o estilo SUV com a traseira curta e inclinada de um coupé, este Mazda é marcado pela forma peculiar como as portas traseiras abrem: ao contrário, como acontecia no desportivo Mazda RX-8.

Este facto facilita o acesso aos lugares traseiros e até a colocação de crianças nas respetivas cadeiras.

Mas não se deve esperar muito espaço para as pernas dos ocupantes destes bancos, ou ainda em largura e em altura.

Já os 366 litros de bagageira são mais do que se esperava e os lugares da frente garantem espaço e primam pelo conforto.

E os comandos dos diferentes sistemas, incluindo os presentes no ecrã central, são igualmente intuitivos de operar.

Impressões

Para a qualidade que apresenta e conforto e condução descontraída que oferece, o MX-30 é realmente muito interessante.

A questão reside tão pouco e só na autonomia.

O condutor pode selecionar a capacidade de regeneração através de patilhas atrás do volante, porém, sem grandes excessos na condução, uma carga completa não permitiu andar mais do que 160 km.

Contudo, uma boa notícia pode estar a caminho; como o BMW i3 (REX) ou o pioneiro Opel Ampera, o Mazda MX-30 tem prevista uma versão com extensor de autonomia.

A intenção é utilizar um compacto motor Wankel a gasolina para produzir energia elétrica, mas têm sucedido alguns atrasos no desenvolvimento da solução.

Ou, como no Japão existem versões do MX-30 com motor a gasolina, porque não um Plug-In Hybrid?

Mazda MX-30 e-Skyactiv