Em Portugal, 80% das empresas atribuem automóvel aos seus colaboradores, mas a tendência é a de uma “maior agilidade” nas políticas de benefícios suportados pelas organizações, diz o Car Benefit Policies 2020, o mais recente estudo da Mercer sobre este tema.

“Acreditamos que caminhamos para um contexto cada vez mais flexível”, refere Marta Dias, Survey Leader na Mercer Portugal. “Em última análise, desde que o budget mínimo o permita, ter carro da empresa ou não poderá passar a ser em parte uma escolha do colaborador que, na sua individualidade, decidirá se faz ou não sentido integrar este benefício dentro das suas escolhas”.

Ainda assim, trata-se de um benefício muito valorizado pelos colaboradores e fortemente enraizado entre as práticas de compensação no tecido empresarial, diz a responsável.

Visto tratar-se de um benefício valorizado e muitas vezes associado ao estatuto da função, representa um papel muito importante na atração e na retenção de talento nas empresas, refere a responsável.

mercer
“Apesar de o estudo realizado não nos permitir uma análise por idade e identificar a existência de diferenças, a verdade é que é observável nas gerações mais jovens uma maior valorização da flexibilidade” – Marta Dias

“Neste contexto, e numa perspetiva de competitividade face ao mercado, as empresas assumem em geral a atribuição deste benefício tipicamente associado a critérios como o nível da função ou a necessidade da função”, diz Marta Dias.

95% das empresas inquiridas apontam o nível de função como sendo o critério mais frequente para elegibilidade para benefício automóvel. Assim, a atribuição de carro de empresa está dividida da seguinte forma:

  • 90% são diretores
  • 85% são diretores de primeira linha e chefias intermédias
  • 60 a 65% são profissionais da área comercial
  • 40% pertencem a equipas técnicas

A necessidade da função desempenhada na empresa assume também importância na hora de atribuição de viatura, diz a Mercer, em particular se se tratam de tarefas que requerem deslocações frequentes.

Destaque ainda para o facto de Portugal estar em linha com o praticado em Espanha, França, Itália ou Alemanha, quer ao nível da atribuição quer ao nível da elegibilidade.

Mas, no futuro, colaborador terá maior poder de decisão relativamente ao seu pacote de flexibilização, o que significa que poderá selecionar para o seu pacote de remuneração as componentes que são mais relevantes para si e atribuir um peso mais ou menos preponderante a cada uma delas.

A empresa terá, ainda assim, a liberdade para indicar se o mesmo é ou não elegível (poderá, aqui, prevalecer o critério de nível da função), mas o colaborador decide, por exemplo, se opta por ter um carro ou se prefere uma allowance que aplica a outras despesas relacionadas com transporte, como é o caso de plataformas de mobilidade partilhada (táxi, Uber ou aluguer).

Despesas fiscais e encargos

Quanto aos custos fiscais com os automóveis, 74% das empresas participantes no estudo indicam suportar todos os custos, dispensando o colaborador desse gasto.

Das restantes, uma parte indica suportar apenas parte dos custos, mas cerca de 10% indicam que a prática varia em função do nível do colaborador.

Ainda assim, há uma minoria que admite não suportar qualquer tipo de despesas relacionadas com impostos, imputando essa responsabilidade ao colaborador.

Tributação Autónoma para empresas e ENI

Mobilidade alternativa

Mais de metade (64%) das empresas consultadas neste estudo admite não atribuir subsídios para a utilização de transportes públicos, e 51% dessas empresas não promove a adoção de outros tipos de transporte (como o carsharing ou bicicletas, por exemplo) quando oferece soluções de mobilidade aos seus colaboradores.

Para Marta Dias, a expectativa é de que, à medida que as empresas renovem a sua política, possam ser introduzidas práticas mais sustentáveis.

Um dos exemplos é a introdução de soluções “mais verdes” relativamente ao próprio automóvel – através da limitação do leque de escolha de viatura de acordo com o nível de emissões de CO2 – ou mediante a introdução de cada vez mais modelos híbridos entre as opções disponíveis.

E embora o estudo conclua que, por agora, apenas 38% das empresas admita ter a intenção de adquirir carros híbridos ou elétricos para a sua frota, 63% das organizações inquiridas admite ainda não ter qualquer tipo de ponto de carga nas suas instalações.

Hora da escolha e o car allowance

Quanto à escolha da viatura, a prática mais frequente em Portugal (cerca de 45% das empresas) é a possibilidade da escolha da viatura com base numa combinação de dois fatores – tipo de carro (consoante as marcas e modelos disponíveis) e plafond (valor máximo). No entanto, para cerca de 15% das empresas, o plafond é o único critério, o que resulta num maior leque de opções.

O car allowance corresponde à atribuição de um montante mensal – na forma de uma componente paga regularmente e adicional ao salário do colaborador. O objetivo do car allowance é permitir que o colaborador compre ou alugue um veículo. Atualmente, 22% das empresas inquiridas pela Mercer utilizam esta oferta de alternativa ao automóvel, sendo que, em cerca de metade, é dada ao colaborador a possibilidade escolha entre o car allowance ou a viatura em si.

Governo aprova alívio na tributação autónoma para empresas com prejuízos

O estudo da Mercer refere que, quanto às marcas e modelos de automóveis mais atribuídas aos diretores de empresa, os veículos premium BMW (série 5 e X5) e Mercedes-Benz (Classe CLA) lideram o ranking. Já no que respeita ao escalão executivo, são atribuídas viaturas Audi A4, BMW (série 3 e 5) e Volkswagen Passat. Aos gestores e chefias intermédias são atribuídos BMW série 3 ou Volkswagen Golf e aos cargos profissionais não comerciais podem ser atribuídas viaturas da marca francesa Renault (Clio ou Mégane). Para os técnicos, frequentemente as empresas incluem Ford Focus, Opel Astra, Renault Clio ou Volkswagen Golf nas opções das suas frotas.